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AtualizaçõesSocióloga recupera no Instagram registros e histórias do passado potiguar

Socióloga recupera no Instagram registros e histórias do passado potiguar

Em um ambiente dominado por vídeos rápidos e tendências rápidas, uma página do Instagram tem conseguido provocar um movimento menos comum: fazer o público olhar para trás. Criado em 2024, o perfil RN na História reúne imagens, episódios e fragmentos da memória do Rio Grande do Norte que ajudam a revelar aspectos pouco conhecidos da formação social, cultural e urbana do estado. O mais interessante da iniciativa não está nos grandes marcos oficiais, mas nos detalhes, nas histórias locais e nos registros que ajudam a entender como o cotidiano potiguar foi sendo construído ao longo do tempo.

A página é conduzida pela historiadora e socióloga Larissa Galvão, que vê o projeto como um desdobramento natural de sua trajetória nas Ciências Humanas.

“Sempre busquei compreender os processos históricos, dos grandes aos pequenos eventos, entendendo que todos contribuem para a construção do passado, do presente e do futuro”, afirma.

Para ela, a história não deve ser tratada como algo distante ou restrito à academia, mas como um elemento vivo, capaz de dialogar diretamente com as experiências das pessoas.

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Foto: Larissa Galvão. | Acervo Pessoal.

Impacto das mudanças tecnológicas foi inspiração para a pesquisadora

A ideia de criar o RN na História surgiu durante o período de preparação para o doutorado, quando a pesquisadora passou a refletir sobre o impacto das rápidas transformações sociais e tecnológicas na forma como a sociedade se relaciona com o passado.

“Percebi uma carência na maneira como as pessoas compreendem essas mudanças ao longo do tempo e como, em meio às transformações tecnológicas, muitos acabam se afastando da própria história”, explica.

Em setembro de 2024, o perfil foi criado inicialmente como um espaço de experimentação, sem um formato fechado, onde diferentes temas e narrativas passaram a ser testados.

Desde o início, a proposta foi observar como o público reagia aos conteúdos. Segundo Larissa, esse processo de escuta segue em constante construção.

“Passei a fazer testes de conteúdo para entender como as pessoas interagiam com diferentes temas históricos, identificando narrativas mais marcantes e a formação de grupos de interesse”, relata.

Esse acompanhamento ajuda a orientar as escolhas editoriais e a ajustar a linguagem utilizada nas postagens.

Outras fontes

Um dos eixos centrais do RN na História é a tentativa de ampliar o olhar sobre o estado, indo além da capital. Para a historiadora, a forma como a história potiguar costuma ser contada acaba deixando muitas regiões invisibilizadas.

“Embora existam iniciativas importantes voltadas à história de Natal, muitas regiões do interior, suas comunidades e narrativas acabam ficando à margem”, observa.

A página, então, busca integrar o estado como um todo, trazendo episódios e personagens que raramente ganham espaço em veículos tradicionais.

A escolha dos conteúdos também leva em conta diferentes recortes geracionais. Fotografias e registros visuais das décadas de 1980 e 1990 costumam despertar forte identificação em quem viveu aquele período.

Essas imagens trazem referências culturais, artísticas e urbanas que fazem parte da memória afetiva de muitas pessoas”, comenta.

Já entre os públicos mais jovens, o interesse costuma se voltar para áreas ainda pouco exploradas pela pesquisa histórica, como a Zona Norte de Natal, além de acontecimentos curiosos do interior.

Entre esses episódios está o furto das imagens sacras da cidade de Vila Flor, no interior do estado, uma história que, apesar de marcante para a comunidade local, havia se perdido ao longo do tempo. Após ser publicada, a narrativa ganhou repercussão e voltou a circular entre os moradores. Para Larissa, esse tipo de retorno mostra como a história local pode ganhar novos sentidos quando volta a ser compartilhada.

Acervo do renomado fotografo Jaeci Galvão é base da pesquisa

Grande parte dos materiais utilizados pela página vem de acervos particulares, o que confere às postagens um caráter mais próximo e menos institucional. Um dos principais conjuntos de imagens utilizados pertence ao fotógrafo Jaeci Galvão, reconhecido por registrar artistas, eventos culturais e cenas do cotidiano potiguar ao longo de décadas.

Seu acervo é uma fonte valiosa para a preservação da memória cultural do Rio Grande do Norte e tem papel fundamental na construção de muitas narrativas apresentadas na página”, afirma.

A relação pessoal da pesquisadora com o passado do estado também atravessa o projeto. Larissa destaca que sua ancestralidade está diretamente ligada à história potiguar, já que a Família Galvão está entre as famílias fundadoras do Rio Grande do Norte. Essa conexão amplia o repertório de histórias e documentos explorados, inclusive em articulação com a Academia de Letras e Artes da Família Galvão, da qual é membro fundadora.

A recepção do público tem sido marcada por interações constantes. Mensagens, comentários e relatos pessoais chegam diariamente, vindos de jovens e de pessoas mais velhas.

“Recebo perguntas, curiosidades e agradecimentos de quem se sente tocado ao ver suas memórias e recordações resgatadas”, relata.

Muitos seguidores, inclusive, passaram a enviar documentos, fotografias e sugestões de temas, contribuindo diretamente para a construção do conteúdo.

Mesmo que o contato com a história ocorra, muitas vezes, de forma rápida e fragmentada, típica das redes sociais, o impacto pode ir além do momento da postagem.

“Mesmo quando esse primeiro contato é superficial, ele desperta curiosidade e leva as pessoas a questionar, pesquisar e querer saber como os fatos aconteceram”, avalia.

Com alcance mensal entre três e cinco milhões de visualizações, a página tem funcionado como um ponto de partida para novas descobertas e conversas sobre o passado potiguar.

Em um tempo marcado pela velocidade da informação e pelo esquecimento rápido, o RN na História não se propõe a esgotar narrativas nem a oferecer versões definitivas do passado. Ao contrário, atua como um espaço de circulação de memórias, onde imagens antigas, episódios esquecidos e histórias locais ganham novo fôlego e ajudam a manter viva a curiosidade sobre a história do Rio Grande do Norte.



Fonte: saibamais.jor.br

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