spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
AtualizaçõesSUS passa a garantir nome social de pessoas trans e travestis em...

SUS passa a garantir nome social de pessoas trans e travestis em todos os atendimentos

As Notas Técnicas nº 242 e 243, publicadas pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026, detalham orientações para que os sistemas de informação e os serviços de saúde do país passem a respeitar a identidade de gênero e garantam um cuidado mais seguro às pessoas trans, travestis e não binárias atendidas pelo Sistema Único de Saúde. As diretrizes devem ser aplicadas em todos os laboratórios e serviços que realizam diagnóstico e acompanhamento de pessoas que vivem com HIV e/ou aids, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis.

O principal objetivo das normativas é assegurar que o nome civil retificado ou, quando for o caso, o nome social informado pela pessoa usuária seja utilizado em todos os atendimentos e em documentos externos, como laudos, declarações e exames. Segundo o Ministério da Saúde, a medida busca proteger a dignidade das usuárias e dos usuários do SUS e reduzir situações de constrangimento e discriminação nos serviços de saúde.

As notas técnicas também reforçam que, para a atualização do nome social ou da identidade de gênero nos sistemas de exames e de dispensação de medicamentos, não pode ser exigido qualquer documento comprobatório. A simples solicitação da pessoa interessada é suficiente para que a alteração seja realizada.

Outro ponto central das orientações diz respeito ao uso da informação sobre o sexo atribuído ao nascimento. De acordo com o Ministério da Saúde, esse dado deve constar apenas em prontuários internos e em sistemas de vigilância, com acesso restrito às equipes de saúde, exclusivamente para fins de segurança clínica. A manutenção dessa informação é considerada necessária para a correta interpretação de valores de referência laboratoriais, o planejamento do cuidado, a prescrição segura de medicamentos e o acompanhamento hormonal especializado, sem que isso resulte em exposição indevida da identidade da pessoa atendida.

A atualização adequada dos dados em sistemas estratégicos, como o Sistema de Controle de Exames Laboratoriais de CD4+/CD8+ e Carga Viral do HIV (Siscel) e o Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom), também é apontada como fundamental para evitar violações de direitos e qualificar o monitoramento das políticas públicas de saúde voltadas à população trans e travesti.

Para Ari Medeiros, mulher trans assistida pelo SUS, a medida representa um avanço concreto na garantia de direitos:

“Ser chamada pelo nome que nos reconhece é uma condição básica de dignidade. Quando o SUS respeita o nome social, ele não está fazendo um favor, está cumprindo seu papel constitucional de assegurar acesso universal e humanizado à saúde. Essa normativa ajuda a enfrentar práticas que nos adoecem, como o constrangimento e a negação da nossa identidade dentro dos serviços de saúde”, afirma.

O diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Artur Kalichman, ressaltou que o acolhimento adequado é decisivo para a permanência das pessoas nos serviços de saúde:

“O preconceito ainda é uma grande barreira de acesso. Quando garantimos o respeito ao nome social e um cuidado focado nas necessidades das pessoas, estamos promovendo a equidade e garantindo que o direito à saúde seja exercido plenamente por toda a população trans”, afirmou.

As orientações reforçam que práticas como insistir no uso do nome civil contra a vontade da pessoa usuária, exigir documentos, expor o nome morto em exames ou causar constrangimento durante o atendimento configuram violação de direitos. Nessas situações, o caso pode ser denunciado e, se necessário, judicializado.

Para o Ministério da Saúde, a implementação das notas técnicas é um passo essencial para consolidar a equidade como princípio do SUS e assegurar um atendimento verdadeiramente universal e humanizado.

SAIBA+
TransformAÇÃO: Pau dos Ferros forma primeira turma de mulheres trans e travestis

Fonte: saibamais.jor.br

- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Matérias Relacionadas

Verão completo: Parnamirim leva vacinação, fiscalização e serviços essências para a orla

O verão em Parnamirim está completo com o trabalho...

Mídias sociais, desinformação e manipulação política

Faltando pouco mais de oito meses para a eleição...

Verdades esquecidas sobre um projeto de engorda de praia bem sucedido

Gostaria de fazer algumas observações sobre uma matéria publicada...

as facetas da pintura de Assis Costa

Artista que gosta de pintar as memórias de infância...

ativistas do RN celebram avanços, mas desafio é consolidar

O mês da visibilidade trans, celebrado em janeiro, segue...

O mistério de Areia Preta e a solução de David Capistrano

O novo boletim de balneabilidade publicado pelo projeto Água...

Formatura celebra alfabetização de 500 jovens e adultos no RN

“O nosso sonho é que o Rio Grande do...

Prefeitura de Natal despeja pela 19ª vez famílias em situação de rua no Baldo

Cerca de sete barracos foram retirados na manhã deste...

Governo Fátima investe R$ 3,7 bi em 7 anos e projeta mais R$ 1,6 bi em 2026

A gestão da governadora Fátima Bezerra no Rio Grande...
- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img