Antes da decisão anunciada na manhã desta quarta-feira (21) de recuar da pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte, o senador Rogério Marinho (PL) vinha defendendo a adoção de “medidas impopulares” para o estado caso fosse eleito. A defesa de Rogério incluía a privatização da Caern, fim do aumento real de salário para servidores e um Plano de Demissão Voluntária para os trabalhadores do estado.
“Para governar um estado como o Rio Grande do Norte, você pode mudar tudo para deixar como está. Ou seja, ser mais do mesmo. Então, eu vou dizer uma coisa aqui, que os funcionários públicos vão ficar com raiva em mim. Não dá para dar aumento real para funcionário público e ficar posando de bom moço, e implantar plano de carreira, cargo e salário neste momento em que o estado está insolvente e sem capacidade de fazer investimentos. Isso é demagogia, é jogar contra o conjunto da população como um todo”, disse o então pré-candidato em março de 2025, em entrevista à Jovem Pan News Natal, reconhecendo, para ele, a necessidade de adotar medidas impopulares:
“Então, se você vai governar o Estado, você tem que tomar medidas impopulares, que significam necessariamente impopularidade. Então, você vai ganhar uma eleição falando a verdade? Vamos corrigir a inflação, tudo bem, vamos respeitar o funcionário, tudo bem. Mas você dizer ‘vou dar um plano de carreira para você’, ‘vou melhorar a situação’, ‘dar um aumento real’. Você está jogando contra 3,5 milhões de norte-rio-grandenses em função da corporação de funcionários públicos”, argumentou na ocasião.
Caern à venda
Em outro momento, o líder da oposição no Senado defendeu que é preciso vender a Caern totalmente, ao invés de fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 2024, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,2 bilhões devem ser investidos em edital ainda a ser lançado.
“Você pega, por exemplo, essa questão da Caern, outra questão que vai desagradar muita gente. Por que fazer PPP com uma empresa que hoje não dá o serviço adequado à sociedade? Quantos norte-grandenses não têm esgoto tratado? Não têm água tratada? Vá para o Seridó. Se não fosse a doutora que nós estamos fazendo, a situação continuaria parecida. Vá para a região Agreste. Municípios passando seis meses sem água, quatro meses sem água, como Santo Antônio, como Nova Cruz. Municípios que têm o seu tratamento de esgoto praticamente concluído e a Caern não complementa. Então, é evidente que você precisa melhorar o serviço que vai ser ofertado à população. Tem que vender a Caern, tem que fazer a concessão da Caern”, justificou.
À época, o então diretor-presidente da Caern, Roberto Linhares, respondeu ao senador e afirmou que a fala era inadequada e refletia um desconhecimento sobre a realidade do Rio Grande do Norte.
“Ele fala sobre abastecimento e sobre esgotamento no Estado que tem 90% de seus municípios no semiárido e que tem sistemas integrados de adutoras que chegam a quase 2.100 quilômetros de extensão. Ou seja, que tem um custo enorme para levar essa água para a população e, apesar disso, é uma das menores tarifas do Brasil. Uma companhia que vem rumando com governança, trazendo resultados positivos e não dependendo, nos últimos seis anos, de aportes do controlador. Ou seja, resolve o problema daquele menor município que precisa de água e que não é viável do ponto de vista financeiro”, apontou Linhares.
Plano de Demissão Voluntária
Já em novembro, Rogério foi perguntado em entrevista à 98 FM sobre o que faria se estivesse à frente do Executivo potiguar. Além de voltar a citar a privatização da Caern, defendeu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores estaduais.
“Você precisa primeiro se debruçar sobre a folha de pagamento para verificar se há incongruências, fazer talvez um PDV [Plano de Demissão Voluntária], buscar uma relação com os poderes e uma interlocução com os poderes para que haja de fato o cumprimento da constituição estadual que determina que no final do ano fiscal as sobras precisam ser devolvidas e não reaproveitadas de todas as formas possíveis que a gente imagina que acontece dentro dos poderes”, afirmou.
O Plano de Demissão Voluntária (PDV) é um programa que oferece benefícios financeiros e sociais a servidores públicos que optem por se desligar voluntariamente do quadro. Na mesma entrevista, Rogério — que é pré-candidato a governador — defendeu a necessidade de quem estiver à frente do Executivo estadual tomar “medidas duras”.
“Eu acho que o Rio Grande do Norte está em uma situação tão ruim, que é muito necessário que quem quer que seja o governador, pelo menos para essa discussão ocorrer, nós precisamos tirar debaixo do tapete problemas que precisam ser enfrentados, inclusive compartilhados com o eleitor. O eleitor precisa saber qual é a realidade do Estado e que quem for governar o Estado precisa tomar medidas duras, medidas assertivas e medidas que de alguma forma vão tirar muita gente da zona de conforto”, disse.
Votos de Bolsonaro no RN
O senador vai se dedicar agora à coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro à presidência. Caso tivesse se mantido na pré-campanha a governador, ainda enfrentaria um outro desafio: a baixa adesão de votos ao bolsonarismo no Estado. Em 2022, no segundo turno, Jair Bolsonaro recebeu 34,9% dos votos no estado, contra 65,1% de Lula (PT). O petista venceu em 166 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte. Já em 2018, quando Bolsonaro venceu no país contra Fernando Haddad (PT), o petismo ainda levou a melhor no segundo turno. Haddad recebeu 63,41% dos votos no RN, ante 36,59% de Bolsonaro.
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Fonte: saibamais.jor.br





