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AtualizaçõesA revolta dos farialimers

A revolta dos farialimers

Por Rômulo Sckaff

Andando por São Paulo, me deparo com uma manifestação: uma aglomeração barulhenta, fogos de artifício, foguetões e muita palavra de ordem. A cidade, que já viu protestos por moradia, por comida no prato e por dignidade, agora assistia a mais um capítulo da sua eterna disputa por narrativas, mas algo ali soava diferente.

Vamos nos aproximando e começamos a escutar, com um ódio quase performático, os gritos dos farialimers. O alvo do momento era duplo: o ministro Dias Toffoli e Vocaro. As palavras vinham carregadas, como se aquele protesto fosse o último suspiro de uma moralidade em colapso. Mas ao olhar para os lados, não vimos movimentos sociais, não vimos trabalhadores organizados, nem tampouco qualquer discurso de coletividade. Havia ali uma certeza: não era o povo em luta, era o mercado em fúria.

Era fácil reconhecer o perfil. As gravatas, os olhos claros, as camisas engomadas e, aqui e ali, a presença explícita do MBL, como marca registrada de quem transforma crise em palanque e indignação em moeda política. Eram pessoas que têm como atividade o puro suco do capitalismo, o rentismo como profissão. Como diria meu saudoso pai: “gente que nunca pregou um prego numa barra de sabão”.

E veja: é verdade que nada justifica uma administração desastrosa, especialmente quando o resultado é a destruição do dinheiro suado do povo. Mas, ali, “suor” não parecia fazer parte do expediente. O protesto acontecia na sede do Banco Master, ou no que sobrou dela. Segundo um manifestante, tomado de ódio, ao lado da própria filha, já nem placa existe mais. Como se a ausência do letreiro fosse também um símbolo: quando o capital some, some até o nome.

Que todos os crimes sejam apurados, que todas as responsabilidades sejam investigadas e punidas. Isso não está em debate. O que está em debate é outra coisa: será que uma manifestação desse grupo endinheirado será tratada como são tratadas as manifestações dos movimentos sociais? Será que a polícia terá a mesma mão pesada? Será que haverá bombas, tiros de borracha e manchetes chamando de “vândalos”? Ou, nesse caso, o barulho será entendido como “legítima indignação”?

A revolta deles é tão coletiva quanto a luta pela diminuição da carga de trabalho? É tão justa quanto o combate ao fim da escala 6×1? A pressão contra Toffoli é tão firme quanto a mobilização pela justiça tributária, para que os de cima paguem o que devem e os de baixo parem de carregar o mundo nas costas?

Cenas dos próximos capítulos. Mas se existe algo que essa tarde em São Paulo deixou evidente é que, entre rentismo e banqueiro, torço para a briga.

Fonte: saibamais.jor.br

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