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AtualizaçõesCâncer é a principal causa de morte em 20 municípios do RN

Câncer é a principal causa de morte em 20 municípios do RN

Em 20 municípios do Rio Grande do Norte, o câncer é a principal causa de morte. O número correspondente a 12% das cidades do estado. A lista é liderada por Galinhos, com 45% das mortes por câncer dentre todas as causas de óbito no município, seguido por Rafael Godeiro (36%) e Tenente Laurentino Cruz (35%). Os dados, do Observatório de Oncologia, mostram que a incidência da doença ocorre, principalmente, nas pequenas cidades. A capital, Natal, e cidades maiores como Mossoró e Caicó, não entraram na lista.

Como no interior o acesso é mais difícil, aumenta o risco do paciente fazer um diagnóstico já avançado que é o que, de maneira geral, leva ao óbito. Outra coisa que está muito clara é que quanto menor o IDH da população, maior o número de casos em relação a 100 mil habitantes e maior a mortalidade. Há uma previsão mundial que coloca para o Brasil o aumento de 100% no número de morte por câncer. Esse aumento se deve porque o Brasil, em relação ao mundo, está num IDH de médio para baixo”, explica Edilmar Moura, diretor de Ensino, Pesquisa e Inovação da Liga Contra o Câncer.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma métrica que mede a qualidade de vida da população. O IDH é composto por três dimensões: expectativa de vida, educação e renda nacional per capita. Em geral, países com maior IDH apresentam também maiores expectativas de vida, o que reflete melhores condições de saúde, educação e padrões de vida.  O índice varia de 0 a 1 e quanto mais perto de 1, maior o desenvolvimento humano.

No Rio Grande do Norte o IDH fica abaixo da média nacional e nas cidades do interior o IDH fica abaixo da média da capital. Então, a tendência é que isso [casos de câncer] ocorra mais no interior, justamente, devido a falta de acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento. O Rio Grande do Norte tem a média de incidência de câncer na população mais alta da região Nordeste, à frente da Paraíba que tem a doença como principal causa de morte em 7.6% dos municípios, do Ceacom 4.9%, Piauí com 5.8%, Pernambuco com 2.2%, Bahia com 3.1% e Alagoas: 1%. O Rio Grande do Sul lidera as estatísticas com 34%, mas há uma dificuldade de análise devido à falta de registros”, observa o médico.

Município e percentual de mortes por câncer entre todas as mortes no município:
Galinhos (RN) 45%
Rafael Godeiro (RN) 36%
Tenente Laurentino Cruz (RN) 35%
Janduís (RN) 31%
Japi (RN) 31%
Ouro Branco (RN) 29%
Maxaranguape (RN) 29%
Rafael Fernandes (RN) 26%
Bodó (RN) 26%
Pedro Avelino (RN) 26%
São Pedro (RN) 26%
Lucrécia (RN) 25%
Baraúna (RN) 25%
Espírito Santo (RN) 23%
Jardim de Angicos (RN) 23%
Itajá (RN) 22%
São Bento do Trairí (RN) 21%
São Fernando (RN) 20%
Olho d’Água do Borges (RN) 19%
Porto do Mangue (RN) 17%
Fonte: Observatório de Oncologia

Dentre os tipos de câncer, o de pele é considerado o mais comum em todo o mundo.

O câncer de pele é o tipo mais comum em todo mundo. Por isso, quando vamos colocar as estatísticas dizemos ‘excluindo o câncer de pele’, o tipo mais comum é o de mama para as mulheres e próstata para os homens. O segundo mais frequente é o de intestino para ambos os sexos e o terceiro, aqui no Rio Grande do Norte, é o colo de útero. Agora quando falamos de mortalidade, temos o câncer de pulmão, cólon e próstata para homem e pulmão, mama e cólon para a mulher”, revela diretor de Ensino, Pesquisa e Inovação da Liga Contra o Câncer.

O médico explica que o câncer de cólon tem recebido mais notoriedade por causa dos casos recentes de famosos, como a cantora Preta Gil.

Esse é o segundo câncer que mais mata no Brasil hoje. Existe uma orientação do Ministério da Saúde que todas as pessoas, independente de qualquer fator de risco, com mais de 50 anos, deveriam fazer uma colonoscopia de base. E esse é um exame que não é de alta acessibilidade e é caro. Hoje, no estado, um dos motivos da alta mortalidade é o diagnóstico tardio em todas as áreas. Hoje há uma fila de espera no estado de mais de 800 colonoscopias, quantos pacientes podem estar nessa fila com a doença em estágio inicial e não vão conseguir fazer o diagnóstico até chegar a momentos mais críticos? Isso não acontece apenas no sistema público de saúde, falo que a principal ação para diminuir custos e aumentar a cura do câncer é o diagnóstico precoce e a principal ação é educação”, alerta o médico.

Atualmente, o tempo médio de espera no SUS por um exame de colonoscopia é de 12 a 24 meses. Mas, a espera também ocorre entre pacientes com plano de saúde, porém, por tempo menor, indo de dois a quatro meses para conseguir marcar o exame.

Faço uma brincadeira com meus alunos fazendo uma espécie de censo. Pergunto a eles quantos familiares com mais de 50 anos fizeram colonoscopia. Muitos deles com sistema de saúde suplementar, essa estatística não passa de 20%. Não é só a questão de ter acesso, é a questão da educação”, reforça Edilmar Moura.

Outro índice preocupante no Nordeste é o de câncer de colo de útero. Um problema que também passa pela educação para garantir eficiência na prevenção.

O câncer de colo de útero, por si só, já baixa o IDH de uma região porque ele é prevenível por uma vacina que, pela nossa legislação, deveria ser aplicada em meninos e meninas entre 9 e 14 anos. Temporariamente, o sistema de saúde estendeu para até 18 anos. Entretanto, existe a vacina gratuita nos postos de saúde, mas as taxas de cobertura não têm aumentado porque não há um trabalho de educação clara da população para levar os filhos já que entre os 9 e 14 anos, quem leva é o pai e a mãe. Houve uma dificuldade de comunicação no passado ligando a vacina ao sexo, porque é preciso se vacinar antes de começar a vida sexual e, obviamente, os pais acabaram fazendo uma leitura equivocada de que ‘eu não vou vacinar para dar esse aval para iniciar a vida sexual’. A comunicação pública tem que esquecer o sexo, a vacinação deve ser feita para prevenir o câncer, ponto”, acentua o médico.

O diretor de Ensino, Pesquisa e Inovação da Liga Contra o Câncer também explica que o Brasil tem orientações avançadas para todos os tipos de câncer do ponto de vista do rastreio, mas o acesso e a educação ainda são frágeis.

É a ação de menor custo inicial e de maior impacto financeiro no final. Em média, o Brasil gasta 1.6% de todo o custo do câncer em educação. É muito pouco porque para mama, de maneira geral, precisamos que as mulheres a partir dos 40 anos façam sua primeira mamografia, colonoscopia é para todos com mais de 50 anos, a visita ao urologista deve ser feita por todos os homens acima dos 50 anos, o preventivo por todas as mulheres com vida sexual ativa, o estímulo ao não tabagismo diminuiria muitos tipos de câncer de alta mortalidade”, exemplifica.

Vida moderna…

A pressa da vida moderna, alimentação desregrada e hábitos pouco saudáveis também entram na conta do câncer.

“A crise endêmica de obesidade na população. A gordura em excesso é responsável por 1/3 do câncer na população. Nossa vida moderna dificulta a atividade física. Nós trabalhamos sentados e chegamos cansados. A falta de atividade física é outro fator, o exercício físico, por si só, diminui 40% dos cânceres de intestino e 1/3 do câncer de mama, esses dados foram colocados no congresso americano do ano passado. Imagine que força uma coisa simples e barata teria, como deveríamos levar isso mais sério, por exemplo, dentro das empresas, já que passo 8h lá, que tal passar 30 minutos fazendo uma atividade física de qualidade? Tudo isso não se compara a um mês de tratamento de um paciente com câncer de intestino ou de pulmão avançado”, orienta Edilmar Moura.

Para o médico, o investimento na prevenção ainda é a melhor arma na luta contra o câncer, apesar de todo o desenvolvimento científico dos últimos anos.

Falando de tratamento, nós avançamos muito. A oncologia de cinco anos atrás no mundo não é a de hoje. Entretanto, o maior avanço foi no tratamento das doenças avançadas. Está se vivendo mais, até por tempo indeterminado, pacientes que antes tinham tempo relativamente curto de vida, só que há um custo altíssimo e isso é insustentável. Os custos hoje variam de R$ 20 mil a R$ 200 mil por mês por paciente com resultados excelentes, como a imunoterapia, a terapia alvo. Mas, tudo isso inacessível ao Sistema Único de Saúde e pouco acessível ao sistema privado de saúde, aumentando a judicialização e estimulando essa desconexão entre câncer e cura. O tratamento mais barato e com mais chances de cura recebe menos investimento porque estamos investindo pouco em educação, diagnóstico, culminando em pacientes mais avançados que precisam de remédios que não temos dinheiro para pagar”, conclui.

Fonte: saibamais.jor.br

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