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Atualizaçõesencontro em Natal debate dignidade e direitos

encontro em Natal debate dignidade e direitos

No mês dedicado à Visibilidade Trans, acontece em Natal programação voltada à discussão de direitos e cidadania da população trans. No dia 31 de janeiro, das 13h às 16h, o Bosque das Mangueiras, no bairro de Lagoa Nova, sedia o encontro “Visibilidade Trans: Um Encontro Sobre Existir Com Dignidade”, que reúne pessoas trans, travestis, pesquisadores, ativistas e o público interessado para debater temas como acesso a direitos, mercado de trabalho e justiça social.

A iniciativa integra a agenda de ações do mês da Visibilidade Trans e reforça a importância da ocupação de espaços públicos por discussões que historicamente foram empurradas à margem. Em um cenário marcado pela redução de políticas públicas voltadas à população trans, o encontro surge como um gesto de resistência e continuidade de uma luta construída por gerações.

“O mês da visibilidade trans é, antes de tudo, um período em que a gente se permite e precisa refletir de forma mais profunda sobre as vivências das pessoas trans em todo o Brasil”, afirma Luá Alves Belli, educadora popular, analista de ESG e diretora executiva da Rede Inclusivah. Segundo ela, no Rio Grande do Norte, essa reflexão passa necessariamente pela memória das pessoas trans mais velhas, que historicamente promoveram encontros, debates e ações políticas ao longo dos anos. “Ao mesmo tempo, percebemos que esses espaços têm diminuído. Há um desinteresse crescente do poder público em sustentar essas discussões de forma contínua, o que faz com que essa responsabilidade recaia quase exclusivamente sobre as organizações da sociedade civil”, pontua.

SAIBA+ Visibilidade trans: ativistas do RN celebram avanços, mas desafio é consolidar

A programação do evento tem início às 13h com a palestra de Victor Cauã, advogado, escritor e especialista em Processo Civil, Direito Público e Administração Pública. Em sua fala, ele aborda temas como letramento de gênero e transmasculinidades, além de discutir direitos, cidadania e o acesso à dignidade para pessoas trans, a partir de uma perspectiva jurídica e social.

Na sequência, às 14h30, Luá Alves Belli conduz a palestra “Nossos corpos são territórios: trabalho, renda e justiça climática para pessoas trans e travestis”. A atividade, pensada como uma roda de diálogo, propõe ampliar o entendimento sobre como diferentes formas de opressão se cruzam na vida da população trans, especialmente no acesso ao trabalho, à renda, à moradia e a ambientes saudáveis.

“Quando falamos que nossos corpos são territórios, estamos afirmando que eles carregam histórias, violências, resistências e saberes”, explica Luã. A reflexão parte de uma perspectiva contracolonial e dialoga diretamente com as ações desenvolvidas pela Rede Inclusivah nos últimos anos. Entre os temas centrais está o empreendedorismo transcentrado, que surge como alternativa diante da exclusão estrutural no mercado de trabalho, e o conceito de transfobia ambiental, aprofundado a partir de pesquisas das quais a organização participou desde 2024.

“Esses temas se cruzam o tempo inteiro. Quem tem acesso a trabalho digno, renda, moradia segura e a um ambiente saudável? Pensar nossos corpos como territórios nos ajuda a compreender como essas opressões se sobrepõem e como as lutas por justiça social e climática precisam, necessariamente, incluir as pessoas trans e travestis”, reforça.

Para Luã, o encontro do dia 31 carrega a expectativa de fortalecer vozes e construir caminhos coletivos. “Minha expectativa é que nossas vozes sejam ouvidas não apenas por outras pessoas trans, mas também por quem não é trans e precisa se implicar nesse debate. Que esse espaço permita que múltiplas vozes trans possam emergir, se reconhecer e se fortalecer”, afirma. A ideia é que o diálogo resulte em um “manifesto vivo”, capaz de traduzir as necessidades reais da população trans no Rio Grande do Norte e apontar possibilidades de transformação.

Com apoio do Bosque das Mangueiras e da Rede Inclusivah, que atua nas áreas de saúde, educação e impacto social, o evento é aberto ao público e busca fortalecer redes de apoio, promover informação qualificada e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

SAIBA+

Cadeia pública do RN com ala para mulheres trans e travestis recebe ação do Mês da Visibilidade



Fonte: saibamais.jor.br

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