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Área da engorda da praia de Ponta Negra volta a alagar após chuvas

A praia de Ponta Negra, na zona Sul de Natal, voltou a apresentar pontos de alagamento na manhã desta quarta-feira (11), após as chuvas que atingem a capital desde a madrugada. O acúmulo de água foi registrado em trechos da faixa de areia ampliada pela obra de engorda, entregue há cerca de um ano, que incluiu intervenções de drenagem. A engorda foi executada com o objetivo de conter a erosão costeira, problema histórico da região, especialmente nas proximidades do Morro do Careca. A intervenção recebeu investimento superior a R$ 100 milhões e passou a ser testada, desde a entrega, por episódios de chuvas intensas e marés elevadas.

Imagens feitas ao longo da manhã pelo canal de transmissão ao vivo WebcamNatal, mostram água acumulada próxima ao mar, dificultando o acesso à faixa de areia em alguns pontos. Comerciantes que atuam na orla relatam impactos diretos na rotina de trabalho: “Sempre que chove, surge essas lagoas que se formam aqui na praia. A água fica acumulada e dificulta a circulação das pessoas, o que acaba afetando também nossas vendas”, afirmou Joana Santos, comerciante de biquínis na praia de Ponta Negra.

Um anos após a obra, falta de drenagem é principal problema da engorda

Em janeiro passado, a Agência SAIBA MAIS fez uma sequência de reportagens mostrando os problemas resultantes da engorda de Ponta Negra. A obra foi inaugurada há um ano e a falta de um projeto de drenagem continua sendo o principal problema, segundo especialistas.

A Prefeitura do Natal afirma ter concluído a drenagem com a construção de caixas dissipadoras que, em dias de chuva mais forte, não aguentam o volume de água, transbordam e formam “lagoas” na faixa de areia de aspecto questionável, deixando a praia com aparência insalubre. O problema, que já foi apontado por estudiosos e população, segue sendo uma interrogação diante do projeto da “Nova Ponta Negra”, que prevê uma reforma geral para requalificação com mudanças na urbanização e paisagismos da praia.

Em ocasiões anteriores, a Prefeitura do Natal informou que o sistema de drenagem da área foi concluído após a finalização da engorda e que estaria operando conforme o previsto. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo destacou que a intervenção teve como finalidade principal a proteção ambiental da orla.

Construíram caixas de descarga para permitir que a água saísse por cima do aterro, com isso criou dois problemas: a criação das ‘lagoas’ e a pressurização da rede de drenagem. Isso vai se inviabilizar com grandes chuvas, interferir no esgotamento sanitário, porque todos reservatórios estão na praia e há uma conexão dos reservatórios porque eles transbordam para o sistema de drenagem”, alertou o engenheiro e professor aposentado, fundador do curso de pós-graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), João Abner.

O engenheiro explicou que o problema começou ainda na fase de elaboração de estudos, com a ausência de indicações de como seria feita a drenagem da praia. “A Tetratek, que entregou os estudos de impactos ambientais em 2016, alega que os documentos se basearam no termo de referência feito pelo Idema [Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente]. O problema vem desde aí, quando chega no licenciamento e o Idema cobra a drenagem. A prefeitura não tinha contratado a drenagem e preço podia ser o mesmo de uma engorda, os dois deveriam ter sido contratados. Isso começou com Carlos Eduardo, seguiu com Álvaro Dias e continua agora com Paulinho Freire. Como fazem estudo de uma obra sem considerar o principal impacto físico?”, questiona Abner.

A ausência de estudos persistiu ao longo da obra, que foi questionada em vários momentos de sua execução. Primeiro, o professor aposentado da UFRN aponta a ausência de exigências de drenagem no termo de referência entregue pelo Idema. Depois a Prefeitura do Natal não conseguia responder às perguntas feitas pelo Instituto como parte das condicionantes para obter a Licença de Instalação e Operação (LIO). Para pressionar politicamente o órgão, o então prefeito Álvaro Dias, junto com Paulinho Freire (União), que viria a ser o atual prefeito de Natal, aliados a vereadores e correligionários, invadiram a sede e tentaram derrubar o portão do Idema. Depois veio a questão da areia insuficiente na jazida que seria explorada. A obra foi paralisada e retomada depois que Álvaro Dias emitiu um decreto de estado de emergência em Ponta Negra e na Via Costeira pela erosão causada pelo avanço da maré. Essa foi a solução encontrada para a falta do licenciamento necessário para explorar a nova jazida, cujo banco de areia serviria de fonte para fazer a engorda da praia.

SAIBA+
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“Pouco a comemorar”, avalia pesquisador sobre Ponta Negra um ano após a engorda

Chuvas afetam outras áreas de Natal

Os efeitos das chuvas desta quarta-feira foram registrados em outras áreas da cidade. De acordo com boletim da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), vias em bairros como Ribeira, Planalto e Lagoa Nova apresentaram pontos de intransitabilidade ao longo da manhã, além de lentidão no trânsito em corredores viários importantes.

Na Zona Norte, moradores do bairro Jardim Primavera voltaram a enfrentar transtornos provocados pelo transbordamento da lagoa de captação da região. O problema já havia sido registrado no fim de semana e se agravou com as novas chuvas. A Secretaria Municipal de Infraestrutura havia informado a instalação de uma segunda bomba de drenagem no local, mas moradores relataram que os equipamentos não estavam funcionando nas primeiras horas da manhã. Um morador classificou a situação como “tragédia anunciada”. A pasta foi procurada e aguarda retorno.

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), choveu 38 milímetros em Natal nas últimas seis horas, volume que contribuiu para alagamentos em diferentes pontos da capital. Confira ao vivo a situação da orla:

SAIBA+
Engorda de Ponta Negra: entre ônus e bônus, faltou informação, diz pesquisador
“A culpa é da Prefeitura”, reconhece prefeito de Natal sobre alagamentos na Zona Norte

Fonte: saibamais.jor.br

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