spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
AtualizaçõesPF apura quem é “Fátima” citada em esquema de propina na Prefeitura...

PF apura quem é “Fátima” citada em esquema de propina na Prefeitura de Mossoró

Um nome, até agora sem sobrenome confirmado, tornou-se um dos pontos mais intrigantes da Operação Mederi, deflagrada no dia 27 de janeiro pela Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), com o objetivo de desarticular um suposto esquema criminoso de fraudes em contratos firmados pela empresa farmacêutica Dismed com a Prefeitura de Mossoró. “Fátima” é apontada como uma das beneficiárias do esquema de propina denominado “Matemática de Mossoró”. Ela, segundo os investigadores, é uma empresária do ramo de eventos e servidora comissionada na gestão do prefeito Allyson Bezerra (União).

O nome dela aparece no contexto das investigações em áudios captados pela Polícia Federal na sede da empresa Dismed, através de uma escuta ambiental, em que os investigados descrevem a divisão de recursos de contratos da Prefeitura de Mossoró. Na conversa, eles mencionam o pagamento de 10% para uma pessoa identificada apenas como “Fátima”.

No mesmo diálogo, aparece a referência a 15% destinados ao prefeito Allyson Bezerra, que foi alvo de busca e apreensão em sua casa, localizada em um condomínio de luxo em Mossoró.

Em um dos áudios transcritos na decisão judicial que autorizou a operação, o sócio da Dismed, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, descreve o funcionamento daquilo que seria a engrenagem do suposto esquema criminoso.

A Prefeitura de Mossoró, segundo a transcrição da conversa, havia emitido uma ordem de compra de medicamentos no valor de R$ 400 mil. No entanto, a empresa entregou apenas o equivalente a R$ 200 mil.

Prefeito Allyson Bezerra, segundo a PF, ficaria com 15% da propina distribuída pela Dismed. Foto: Reprodução

A diferença seria distribuída entre os participantes do esquema – entre eles o próprio Allyson Bezerra e a mulher identificada apenas como Fátima. Enquanto o prefeito receberia R$ 60 mil, ela ficaria com R$ 40 mil.

“Olhe, Mossoró, eu estudando aqui como é a Matemática de Mossoró. Tem uma ordem de compra de R$ 400 mil. Desses 400, ele entrega R$ 200 mil. Tudo a preço de custo. Dos 200, ele vai e pega 30%. Então, aqui ele comeu R$ 60 mil. Fica R$ 140 mil. Ele ganha R$ 70 mil e R$ 60 mil é meu. Dos R$ 130 mil, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Ficou só R$ 30 mil pra empresa”, diz o sócio da Dismed em um dos diálogos obtidos pela PF.

Além de Mossoró, as fraudes também teriam ocorrido nos municípios potiguares de José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Foram cumpridos, ainda, mandados em Natal e Upanema.

Saiba Mais: Acusado de receber propina, Allyson nega ter controle sobre gastos de Mossoró

Menção a Gustavo Lima forneceu à PF pista sobre identidade de “Fátima”

Gustavo Lima em apresentação no “Mossoró Cidade Junina” de 2024. Foto: Lucas Bulcão (Secom/PMM)

A identidade de Fátima, no entanto, não é esclarecida na decisão judicial, mas as apurações apontaram para uma empresária do ramo de eventos que também seria funcionária comissionada da Prefeitura de Mossoró, segundo reportagem publicada pelo “Blog do Dina”.

De acordo com o blog, a pista que levou a Polícia Federal a identificar quem seria Fátima foi uma conversa em que Oseas Monthalggan discute os preços de medicamentos com um funcionário chamado “Neném”.

No diálogo, o empresário afirma, em linguagem codificada, que sem superfaturamento não haveria pagamento de comissões: “Gustavo Lima não canta música não”, disse o sócio da Dismed.

A fala, segundo a PF, faz referência ao show feito pelo cantor Gustavo Lima no “Mossoró Cidade Junina” de 2024. Ainda de acordo com o “Blog do Dina”, para os investigadores, a citação do sertanejo indicaria que os valores das comissões estavam diretamente ligados à realização de eventos na cidade.

A Polícia Federal, então, cruzou a informação com o nome de pessoas ligadas à organização de eventos na cidade que também se chamassem “Fátima”.

Esse cruzamento levou ao nome da empresária, que teria aberto a empresa de eventos em 2022. A mesma pessoa, segundo os investigadores, havia sido nomeada para um cargo em comissão na Prefeitura de Mossoró.

“Consubstanciado no teor dos referidos áudios, sobretudo no exato momento em que há referência direta ao nome do cantor GUSTAVO LIMA que, segundo os interlocutores, não cantaria no evento em MOSSORÓ caso os valores acertados nas licitações da DISMED a título de comissões/propinas não fossem repassados, há indicativos aqui de que a FÁTIMA destinatária desses valores provavelmente seja a empresária (…). Entretanto, essa confirmação demandará a realização de novas diligências para tal”, aponta o relatório.

A Polícia Federal, no entanto, concluiu que seria necessário realizar “diligências complementares para a devida qualificação” a respeito da verdadeira identidade de “Fátima”.

Propina era paga em dinheiro vivo, aponta PF

Dinheiro foi apreendido em caixas de isopor na casa de sócio da Dismed. Foto: PF/Divulgação

Os documentos obtidos pelo “Blog do Dina” indicam que, segundo a análise financeira feita pela PF nas contas bancárias da Dismed, as propinas eram pagas em dinheiro vivo.

Um dos depósitos feitos pela Prefeitura de Mossoró à Dismed, segundo identificaram os investigadores, foi de mais de R$ 3,3 milhões. Desse total, 25% seria distribuído em forma de propina – o equivalente a R$ 833 mil. “Fátima” ficaria com 10%, o que corresponderia a R$ 333 mil.

A Dismed, segundo constatou a PF, sacou mais de R$ 2,2 milhões em espécie em 70 operações. Para os investigadores, esse modus operandi seria um indicativo de pagamento de propinas.

“Esse comportamento é compatível, em tese, com a narrativa constante da informação de Polícia Judiciária nº 076.2025, colhida por escuta ambiental, segundo a qual haveria repasse de 25% a agentes específicos (10% de FÁTIMA e 15% de ALLYSON), indicando possível uso de saque em espécie para pagamento de propinas”, concluiu a PF.

Prefeitura de Mossoró pagou R$ 13,5 milhões à Dismed entre 2021 e 2025

Sede da Dismed em Mossoró. Foto: Google Street View

Entre 2021 e 2025, a empresa pivô do suposto esquema recebeu cerca de R$ 13,5 milhões em contratos de venda de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.

A investigação também apontou que a Prefeitura de Mossoró pagou R$ 684,1 mil no ano passado à Drogaria Mais Saúde, que também está envolvida na entrega de propinas e em contratos fraudulentos e pertence a Roberta Ferreira Praxedes da Costa, esposa do sócio da Dismed.

O valor total pago pela Prefeitura de Mossoró às duas empresas investigadas pela PF chega a R$ 14,2 milhões.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, afirmou a PF ao justificar o pedido de busca e apreensão contra o prefeito Allyson Bezerra.

Oseas e Roberta, segundo identificou a PF, usaram uma “conta laranja”, aberta em nome da filha menor de idade deles, como estratégia para não chamar a atenção dos investigadores e dos órgãos que mapeiam o fluxo de dinheiro.

A conta fantasma movimentou R$ 427 mil em um ano após contratos com o município de Serra do Mel, distante cerca 250 KM de Natal.

Saiba Mais: Menor foi usada em rede de propinas que atinge prefeito de Mossoró, diz PF

Proximidade entre prefeito e empresário reforça tese de pagamento de propina, indica PF

Allyson Bezerra com empresário Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed. Foto: Reprodução Redes Sociais

A suspeita do pagamento de propina exposta nas escutas, segundo a Polícia Federal, é reforçada pela proximidade entre o sócio da Dismed e o prefeito Allyson Bezerra.

A PF cita em seu relatório que os dois mantêm uma “proximidade política” e usa como exemplo uma foto publicada nas redes sociais.

“Durante a captação ambiental, seu nome foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe acerca de esquemas de pagamentos de propina envolvendo contratos com a prefeitura de Mossoró”, registra a PF em trecho do relatório da Operação Mederi.

Fonte: saibamais.jor.br

- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Matérias Relacionadas

Transcidadania tem bolsas e qualificação para população trans do RN

O Governo do RN empossou, nesta segunda-feira (23), 28...

Projeto de lei proíbe inauguração de obras incompletas em Natal

A inauguração de obras inacabadas, como a do Hospital...

Prefeito de Natal promete isenção de IPTU que ele mesmo vetou em 2025

A iniciativa de isentar as famílias atingidas por alagamentos...

CCJ quer celeridade para definir regras da eleição indireta no RN

O deputado Francisco do PT foi eleito nesta terça-feira...

Gestão Nilda convoca professores temporários e acelera avanços na educação em Parnamirim

As salas de aula da rede pública municipal de...

Após vitória da base sobre direção, servidores da UFRN dão início à greve

Os servidores técnico-administrativos da UFRN deram início na manhã...

Em conquista para permissionários, Paulinho anuncia que Mercado da Redinha se mantém aberto

O prefeito de Natal, Paulinho Freire, (União), realizou na...

Justiça condena falso terapeuta por abuso durante sessão de hipnose

A 10ª Vara Criminal da Comarca de Natal condenou...