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Projeto do IFRN Parnamirim cria museu e resgata a história do teatro potiguar

Durante anos, textos teatrais, manuscritos e documentos históricos sobre o teatro do Rio Grande do Norte permaneceram guardados em gavetas, armários e arquivos pessoais. Hoje, parte desse material começa a ser exposto no Museu Teatrar, iniciativa criada dentro do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), campus Parnamirim, que nasceu como um projeto de pesquisa e se transformou em um espaço físico dedicado à preservação e reavivamento da dramaturgia potiguar.

O projeto teve início em 2019, quando a professora Rebeka Carozza decidiu retomar um interesse antigo: investigar e documentar a história do teatro no estado. Naquele momento, a proposta ainda era exclusivamente digital. “O projeto surge de um sonho antigo meu, desde a graduação, de estudar sobre a história do teatro no Rio Grande do Norte. A ideia inicial era catalogar informações, entender quais eram os grupos, os edifícios e as pessoas que construíram essa história”, explicou.

A primeira etapa consistiu na criação de um site, desenvolvido com apoio de estudantes do campus, reunindo informações sobre espaços culturais, dramaturgos e produções teatrais. Pouco depois, a iniciativa ganhou um novo rumo com a doação de um acervo físico da pesquisadora e professora Sônia Sant’Anna, composto por textos originais, documentos de pesquisa e registros históricos. A chegada desse material marcou o início de um trabalho mais amplo de catalogação, digitalização e preservação.

Equipe do projeto Teatrar | Foto: cedida

“Quando ela fez a doação, a gente começou a escanear, organizar e entender o que havia ali. Ainda não existia a ideia de um museu físico, o foco continuava sendo o site”, lembrou Rebeka. Durante os anos seguintes, especialmente no período da pandemia, a equipe se concentrou em identificar autores, organizar obras e estruturar o banco de dados.

Foi apenas a partir de 2023 que o grupo passou a discutir a criação de um espaço expositivo permanente. Até então, todo o acervo permanecia guardado. “A gente encontrou recentemente a palavra reavivar, porque não é que a memória esteja esquecida. Ela existe, mas está guardada em um armário ou em um acervo de família. O que a gente pretende com o museu é fazer com que essa obra seja vista”, afirmou a professora.

Hoje, o acervo reúne entre 600 e 650 itens, incluindo textos dramáticos, cartazes, jornais e registros diversos. Parte desse material é manuscrita ou datilografada, revelando processos criativos e contextos históricos da produção teatral no estado. A catalogação foi conduzida por uma equipe formada por estudantes, ex-alunos e pesquisadores vinculados ao campus, entre eles Yara Galdino, Henrique de Melo, João Sotero, Leonardo Souza e Paulianni Araújo.

Segundo Yara, o momento de transformar o acervo em exposição representou uma virada simbólica para o projeto. “Foi muito marcante ver aquilo que a gente só via no computador sair do meio digital e ir para uma esfera física. Trazer essa difusão do acervo para outras pessoas foi muito significativo”, disse.

A primeira exposição foi aberta em janeiro deste ano, ainda de forma experimental, com visitas organizadas por agendamento. Mesmo assim, o impacto foi imediato, especialmente entre estudantes do próprio instituto. Rebeka relata que o contato direto com documentos históricos despertou curiosidade e emoção. “Era muito interessante ver os alunos olhando os papéis amarelados, escritos à mão, e percebendo que ali existe uma história. Alguns perguntavam quem eram aqueles autores, se aquelas peças tinham sido encenadas e se poderiam usar o material em pesquisas.”

Além dos estudantes do ensino médio integrado, alunos da pós-graduação em ensino de teatro do próprio IFRN também passaram a utilizar o acervo como fonte de pesquisa. Para a equipe, o museu não é apenas um espaço expositivo, mas também um centro de investigação acadêmica e preservação cultural.

Apesar de funcionar em um campus conhecido pela forte presença de cursos tecnológicos, como informática, redes e mecatrônica, o projeto encontrou apoio institucional. O diretor-geral do IFRN Parnamirim, Paulo Vitor Silva, destacou que a formação oferecida pela instituição vai além da dimensão técnica. “Temos cursos voltados para a área tecnológica, mas é dever da gestão apoiar projetos que tenham relevância para a formação dos estudantes e para a sociedade. O campus foi abraçando a ideia e buscando oferecer espaço e suporte para que o projeto crescesse”, afirmou.

Segundo ele, a presença de professores e estudantes engajados foi fundamental para consolidar iniciativas ligadas à arte e à cultura. “O resultado dos projetos e o envolvimento dos alunos apontaram nessa direção. Quando o projeto do museu foi apresentado, nós buscamos oferecer uma sala e vamos continuar tentando captar recursos para dar a estrutura necessária.”

O museu integra uma rede de projetos e laboratórios do campus, como o NUARTE e o NOCS, que contribuem com suporte técnico e tecnológico, incluindo o desenvolvimento do site e das plataformas digitais. A proposta é que o acervo seja progressivamente disponibilizado online, acompanhado de entrevistas com artistas e pesquisadores, ampliando o acesso público ao material.

Além da preservação, o grupo também planeja ações de difusão cultural, como leituras dramáticas de textos históricos e exposições itinerantes. A ideia é levar parte do acervo a escolas e outras cidades do estado, aproximando o público da história do teatro potiguar. “Sonhamos em levar essas exposições para outros lugares, inclusive para o interior. Quanto mais pessoas tiverem acesso a esse conhecimento, mais a memória do nosso estado se fortalece”, disse Rebeka.

Para a professora, o museu representa mais do que um projeto acadêmico. É uma forma de devolver à sociedade histórias que, por muito tempo, permaneceram invisíveis. “Quando a gente começa a expor esse acervo, ele deixa de estar dormindo em uma gaveta e passa a servir de referência, de pesquisa e de inspiração para novas gerações.”

Atualmente em processo de consolidação, o Museu Teatrar recebe visitas mediante agendamento prévio. A expectativa é que uma nova exposição seja inaugurada em março, com o retorno das aulas no IFRN. Paralelamente, a equipe atua na ampliação do acervo e na atualização das plataformas digitais, enquanto o espaço passa a se afirmar como um ambiente de referência para educação, pesquisa e preservação da memória cultural no Rio Grande do Norte.

SAIBA+
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Fonte: saibamais.jor.br

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