O réu Vando Fernandes Gomes, acusado de matar o prefeito de São José do Campestre, Joseilson Borges da Costa, conhecido como Neném Borges, foi condenado a 15 anos de prisão em regime inicialmente fechado. A decisão foi tomada por júri popular, que encerrou na noite desta segunda-feira (9), em Natal, após mais de 11 horas.
A sessão ocorreu no Fórum Desembargador Miguel Seabra Fagundes. Cinco testemunhas foram ouvidas na ocasião. Os depoimentos foram realizados no período da manhã, e a tarde foi reservada para os debates entre acusação e defesa.
Vando Fernandes foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado pela morte do prefeito, ocorrida em abril de 2023. O condenado só foi preso em janeiro de 2024 após ser localizado pela polícia no município de Guarulhos, em São Paulo.
De acordo com as investigações, Vando Fernandes era chefe local de uma facção criminosa interestadual e teria decidido matar o prefeito por apoiar ações policiais no município. A Polícia Civil apontou, ao elucidar a ação, que o criminoso agiu por iniciativa própria, sem mandante e sem o envolvimento de terceiros.
“O prefeito Neném Borges desejava o desenvolvimento socioeconômico daquela cidade e, de fato, ele dava um apoio institucional muito forte às forças de segurança pública, incentivando o combate à criminalidade na região”, disse o delegado Wellington Guedes, em coletiva de imprensa realizada em dezembro de 2023.
Quinze dias antes da execução, o suspeito foi alvo de operação que apreendeu colete balístico e revólver usado em outro homicídio.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o autor do crime comentava que o prefeito tinha “rixa” com ele e que a operação havia sido montada para matá-lo.
A primeira sessão do júri popular de Vando Fernandes Gomes foi suspensa em novembro de 2025. A decisão foi tomada após um assistente da acusação entrar com um Mandado de Segurança pedindo o adiamento da sessão, que foi aceito durante o plantão judicial.
Inicialmente previsto para acontecer na Comarca de São José do Campestre, o TJRN autorizou a transferência do júri popular para Natal. O Ministério Público argumentou que a influência do réu poderia comprometer a imparcialidade dos jurados.
Sobre a vítima
Neném Borges assumiu o cargo de prefeito pela primeira vez em abril de 2018, quando era presidente da Câmara Municipal da cidade, depois que o Tribunal Regional Eleitoral cassou o diploma da então prefeita da cidade e sua vice, Maria Alda Romão Soares e Eliza Assis de Oliveira Borges, que responderam a processo por captação ilícita de votos e abuso do poder econômico.
Em junho do mesmo ano, Neném foi eleito por meio de eleições suplementares, sendo reeleito pelo MDB em 2020. Nenem Borges era agricultor, casado e pai de dois filhos.
Fonte: saibamais.jor.br



