A proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade ganhou um novo espaço em Natal. Nesta segunda-feira (9), o Governo do Rio Grande do Norte inaugurou a Delegacia de Plantão de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DPAGV), unidade da Polícia Civil voltada ao atendimento especializado de mulheres, crianças, adolescentes, idosos e outros públicos que demandam acolhimento específico.
Instalada na Cidade da Polícia Civil, na avenida Interventor Mário Câmara, no bairro Cidade da Esperança, a nova delegacia recebeu investimento de R$ 1,6 milhão em recursos próprios do Estado. O espaço foi estruturado para oferecer atendimento mais humanizado, com 22 ambientes, além de brinquedoteca e áreas de contenção voltadas a situações que exigem maior cuidado no acolhimento das vítimas.
A unidade começa a funcionar com um efetivo de 87 policiais civis. A equipe é composta por 14 delegados, 17 escrivães e 56 agentes. Durante a cerimônia de inauguração, a governadora Fátima Bezerra destacou que a nova estrutura representa um passo importante no fortalecimento das políticas públicas de proteção:
“É um avanço significativo na política de acolhimento e atendimento especializado às vítimas em situação de vulnerabilidade. Trabalhamos de forma integrada para ampliar as ações de defesa das mulheres e de outros grupos vulneráveis. Hoje entregamos mais um instrumento de proteção e defesa da vida”, afirmou.
A diretora-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Cláudia Saraiva, ressaltou que a inauguração marca a concretização de uma demanda histórica dentro da instituição.
“Consolidamos hoje um sonho de mais de três décadas. Foi um investimento de R$ 1,6 milhão na estrutura física e em equipamentos, além do reforço no quadro de pessoal, que já aumentou cerca de 60% e deve chegar a 70% em breve”, disse.
Representando a Câmara Municipal de Natal, a vereadora Samanda Alves avaliou que a nova delegacia amplia a rede de proteção social na capital potiguar.
“É um governo que demonstra preocupação com todos os segmentos sociais e compromisso com ações civilizatórias. Este é mais um espaço de acolhimento e proteção”, declarou.
Movimentos sociais também participaram da inauguração. Para Marcela Mamusca, integrante do movimento Pop Rua, a criação da delegacia representa um reforço na sensação de segurança. “Com esta delegacia nos sentimos mais seguras e só temos a agradecer”, afirmou.
A avaliação foi compartilhada por Sandra Góes, do Gama – Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia. “É uma realização importante. Só temos a agradecer pela necessidade dos serviços que serão prestados”, disse.
A nova delegacia passa a integrar a estrutura da Cidade da Polícia Civil, complexo inaugurado em dezembro de 2025 com a proposta de concentrar diferentes unidades da instituição em um mesmo espaço. A iniciativa busca ampliar a integração operacional, melhorar as condições de trabalho e facilitar o acesso da população aos serviços.
O complexo reúne a Delegacia-Geral, a Central de Flagrantes, delegacias especializadas, diretorias administrativas, além de unidades operacionais como o CORE e setores técnicos de apoio às investigações.
A construção da Cidade da Polícia recebeu investimento total de R$ 20 milhões, sendo R$ 12 milhões provenientes do Governo Federal e R$ 8 milhões do Governo do Rio Grande do Norte.
Outros estados do Nordeste também possuem estruturas policiais voltadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, embora o formato adotado varie entre departamentos que coordenam delegacias especializadas e unidades integradas de plantão.
Em Sergipe, a Polícia Civil de Sergipe mantém, em Aracaju, o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV). A estrutura reúne em um mesmo espaço delegacias especializadas, como as de atendimento à mulher, à criança e ao adolescente e a pessoas idosas ou com deficiência. O serviço funciona em regime de plantão 24 horas.
Em Pernambuco, a Polícia Civil de Pernambuco também dispõe de delegacias especializadas, incluindo unidades voltadas ao atendimento de mulheres e de crianças e adolescentes. Em geral, porém, essas delegacias operam separadamente e nem sempre em regime de plantão único.
O modelo inaugurado no Rio Grande do Norte, com uma delegacia de plantão dedicada a diferentes grupos vulneráveis em um mesmo espaço, ainda não é predominante na região, embora iniciativas semelhantes existam em alguns estados.
SAIBA MAIS:
Mais de 90% das cidades brasileiras não têm delegacia da mulher
Fonte: saibamais.jor.br



