Os senadores potiguares Styvenson Valentim (PSDB) e Rogério Marinho (PL) assinaram o requerimento para abertura da CPI com o objetivo de investigar as ligações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o caso do Banco Master. O pedido foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que protocolou o documento oficialmente na noite de segunda-feira (9) junto ao Senado Federal.
A leitura do pedido cabe ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Alessandro Vieira conseguiu a assinatura de 35 senadores para investigar Moraes e Toffoli – ultrapassando a exigência mínima regimental de 27 nomes para apresentar o requerimento da CPI
“Protocolamos agora, com 35 assinaturas, o requerimento de CPI específica para apurar as condutas dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no ‘caso Master’. Agora começa o trabalho para a efetiva instalação da comissão. A justiça deve ser igual para todos”, comentou o senador em mensagem publicada no X, antigo Twitter.
Na justificativa do requerimento, Alessandro Vieira apontou que o caso do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, preso novamente na segunda fase da Operação Compliance Zero, “revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário Nacional”.
Para Alessandro Vieira, os fatos que emergiram a partir das investigações da Polícia Federal geraram “questionamentos de enorme gravidade sobre conduta” dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O senador defendeu que as revelações “merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”.
Dos 35 senadores que assinaram o requerimento da CPI, 11 são do PL, 6 do PP, 4 do Republicanos, 3 do PSDB, 3 do PSD, 2 do União Brasil, 2 do PSB, 2 do Podemos, 1 do Novo e 1 do MDB – o autor do pedido, Alessandro Vieira.
Nenhum senador do PT assinou o requerimento da CPI. No RN, apenas a senadora Zenaide Maia (PSD) não aderiu ao pedido. A reportagem questionou a parlamentar, através da sua assessoria de imprensa, para saber se ela ainda assinaria o documento, mas não obtivemos retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.
Ligações políticas de Daniel Vorcaro

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, também tem envolvimento com Daniel Vorcaro. Em mensagens extraídas do celular apreendido do banqueiro pela Polícia Federal, o empresário se refere ao político piauiense como “grande amigo de vida”.
Ciro Nogueira apresentou uma emenda no Congresso Nacional em 2024 que favorecia o Banco Master. A proposta aumentava a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em caso de liquidação da instituição financeira.
Já o empresário Fabiano Zettel, pastor evangélico ligado à Igreja Lagoinha e cunhado de Daniel Vorcaro, é outro personagem-chave das investigações, que também possui ligações estreitas com o mundo político.
Ele também foi preso na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, com autorização do ministro André Mendonça, novo relator do caso no STF.

De acordo com a PF, Fabiano Zettel atuou como operador financeiro do esquema de Daniel Vorcaro. Ele é suspeito de usar a Igreja Lagoinha para lavar dinheiro do Banco Master.
A Clava Forte Bank, fintech aberta pelo líder da Igreja Lagoinha, André Valadão, interrompeu as atividades no início de janeiro, após a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central.
Depois da prisão de Fabiano Zettel, a igreja emitiu nota informando que o pastor “foi afastado de qualquer atividade de natureza ministerial que exercia na Igreja Batista da Lagoinha Belvedere”.
Fabiano Zettel, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), doou R$ 3 milhões para a campanha à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, ele também deu R$ 2 milhões para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O “furacão” Daniel Vorcaro
Aliado do grupo bolsonarista no Rio Grande do Norte, o senador Styvenson Valentim, em vídeo publicado nas redes sociais, tentou se blindar de cobranças dizendo que não tinha “conchavo com ninguém”.
“Vou logo dizer: não venha comentar aqui ‘fala de Nikolas, fala de Bolsonaro’. Não tenho nada a ver com esse povo, quem roubou que vá preso. Não tenho conchavo com ninguém aqui dentro. Eu sou livre”, disse.
O senador se referiu a Daniel Vorcaro como um “furacão”, além de dizer que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 eram “fichinha” diante das revelações do caso do Banco Master.

Styvenson ainda alfinetou a senadora Zenaide Maia perguntando por que a parlamentar não havia assinado o requerimento da CPI.
Já o senador Rogério Marinho, em nota oficial, classificou como “um gravo gravíssimo” a revelação da suposta troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no dia 17 de novembro de 2025. A situação, segundo ele, “exige resposta institucional imediata”.
“O maior interessado no esclarecimento deveria ser o próprio ministro. Uma investigação séria e independente é essencial para preservar a credibilidade do STF. Cabe ao Procurador-Geral agir com a mesma rapidez demonstrada em outras ocasiões”, disse o senador.
As suspeitas contra Moraes e Toffoli
Além da suposta troca de mensagens com o banqueiro, o nome do ministro Alexandre de Moraes foi citado pela primeira vez no caso após o jornal “O Globo” noticiar a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.
Na manhã desta segunda-feira (9), o escritório confirmou em um comunicado oficial a existência de contrato com o banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os valores, no entanto, não foram mencionados na nota.
Já a conexão do ministro Dias Toffoli com Daniel Vorcaro envolve a Maridt Participações S.A., que era uma das donas do Resort Tayayá, localizado na cidade de Ribeirão Claro, na região Norte do Paraná (PR).
Recentemente, Toffoli admitiu ser sócio da empresa, que vendeu sua participação no empreendimento em setembro de 2021 ao Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia pelo valor de R$ 3,1 milhões.
O fundo é gerido pela Reag Investimentos, cujo cotista único era Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Fonte: saibamais.jor.br



