A oposição na Câmara dos Deputados sofreu uma derrota ao tentar barrar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans, como presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher. Única parlamentar potiguar a integrar a comissão, Carla Dickson (União) protestou, disse que votaria contra, afirmou que Erika “se diz mulher” e que ela não a representa, mas viu sua posição ser superada. A deputada psolista será a primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado e rebateu as posições contrárias à sua eleição: “nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio”.
A votação ocorreu na tarde desta quarta-feira (11). Hilton recebeu 11 votos, e houve 10 votos em branco. O escrutínio ocorreu de maneira secreta e Carla Dickson não fez pronunciamento durante a reunião, mas reclamou da indicação de Erika nos Stories do Instagram.
“O PSOL é um partido que tem muitas feministas, que luta muito pelos direitos humanos, os direitos da mulher e contra o patriarcado, e vai entregar a presidência da Comissão da Mulher para um [sic] trans, uma pessoa que se diz mulher, não biológica”, disse, se referindo à deputada no masculino ao falar “um trans”.
Após a votação, se locomovendo dentro do carro, Dickson voltou a se referir à Erika no masculino e disse que a deputada seria “um representante do patriarcado”.
“Uma mulher não. Quer dizer, ela se diz mulher, mas não é uma mulher biológica. Parabéns, feministas”, ironizou.
Ainda durante a reunião de instalação da Comissão dos Direitos da Mulher, Erika Hilton discursou enquanto presidenta e rechaçou a violência contra a presença de uma pessoa trans à frente do colegiado.
“Nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade. E nós ao sentarmos nessa cadeira não faremos uma gestão sem se preocupar com a pluralidade da Câmara dos Deputados, com a importância da pauta das mulheres e com aquilo que é extremamente fundamental para fazer um enfrentamento à essa violência patriarcal misógina que tem acometido meninas e mulheres”, afirmou a presidenta eleita.
“Eu espero que nós, com a pluralidade dos partidos que aqui compõem esta comissão, não nos preocupemos e não demos importância à condição de gênero da presidenta da Comissão da Mulher. Mas que o que valha aqui, de fato, sejam as problemáticas que nós precisamos enfrentar no nosso país, seja enfrentar o discurso de ódio, o crescimento desta onda incel e red pill”, continuou.
A comissão também elegeu Laura Carneiro (PSD-RJ) para 1ª vice-presidenta; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) para 2ª vice-presidenta; e Socorro Neri (PP-AC) para 3ª vice-presidenta.
A vitória de Erika só ocorreu porque houve um segundo escrutínio. Na primeira tentativa de eleição, a chapa foi derrotada por não ter recebido a maioria absoluta dos votos (no universo de um quórum com 22 pessoas). A deputada recebeu 10 votos e 12 deputados (alguns membros são homens) votaram em branco. Na segunda votação, com quórum de 21 pessoas, ocorreu a vitória.
Fonte: saibamais.jor.br



