Entre os dias 20 e 22 de março, a cidade de Recife (PE) recebe o 1º Congresso Brasileiro de Cordel, encontro que reúne poetas, pesquisadores, editores e agentes culturais de diferentes estados para discutir os rumos da literatura de cordel no país. O evento é organizado por academias de cordelistas de diversas regiões do Brasil e conta com o apoio de coletivos e movimentos ligados à cultura popular.
O Rio Grande do Norte estará presente com uma delegação de quase 40 representantes, formada por cordelistas, pesquisadores e militantes da cultura popular. A articulação da participação potiguar foi conduzida pela Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLIC-RN) e pela Academia Mossoroense de Literatura de Cordel, com apoio de coletivos e espaços culturais como Aves de Rapina, de Mossoró, Cordelutas, Casa do Cordel e o Ponto de Memória Estação do Cordel.
O congresso pretende consolidar um espaço nacional de debate sobre o cordel enquanto expressão literária e patrimônio cultural brasileiro, reunindo diferentes gerações de poetas e estudiosos para discutir desafios contemporâneos, políticas públicas e estratégias de valorização da produção cordeliana.
Segundo o cordelista Nando Poeta, presidente da ANLIC-RN, o encontro deverá aprovar uma pauta nacional de reivindicações voltadas ao reconhecimento e fortalecimento do cordel no Brasil. Entre os pontos em discussão estão propostas relacionadas à educação, incentivo à produção editorial, preservação da memória cultural e ampliação das políticas públicas de apoio à literatura popular.
A participação da delegação do Rio Grande do Norte no congresso foi resultado de um esforço coletivo de mobilização. Para ajudar a custear a participação dos representantes do estado, a comissão organizadora promoveu uma rifa que contribuiu para reduzir o valor das inscrições. Os participantes ficaram responsáveis pelas despesas de hospedagem e alimentação.
O deslocamento até Recife foi viabilizado por meio da disponibilização de um ônibus pela Fundação José Augusto (FJA), após solicitação formal encaminhada pela organização da delegação potiguar.
Durante o encontro, os participantes devem apresentar a Carta do Recife – Manifesto do Movimento Cordeliano Brasileiro, documento político e cultural que reafirma o cordel como gênero da literatura brasileira e reivindica políticas permanentes de salvaguarda dessa tradição.
Entre as propostas presentes no manifesto estão a inclusão do cordel no currículo da educação básica e superior, a criação de cordeltecas em escolas públicas, editais específicos para publicação de folhetos, digitalização de acervos históricos e reconhecimento do cordel como parte da economia criativa brasileira.
Realizado setenta anos após o 1º Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocorrido em 1955, o encontro em Recife marca um novo momento de organização nacional do movimento cordeliano.
Ao final do congresso, os participantes devem reafirmar o compromisso coletivo com o fortalecimento do cordel como patrimônio vivo da cultura brasileira. A Carta do Recife também convoca academias, universidades, escolas, secretarias de cultura e educação, além de instituições como o IPHAN e o Ministério da Cultura, a construir uma agenda permanente de valorização da literatura de cordel no país.
Fonte: saibamais.jor.br



