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Walter alega falta de “espaço” no governo, apesar de ter indicado nomes para a gestão

O vice-governador Walter Alves (MDB) distribuiu um comunicado à imprensa explicando as razões que o levaram a romper politicamente com a governadora Fátima Bezerra (PT). Ele alega, entre outros motivos, que não tinha “espaço na administração estadual”, apesar de ter indicado quatro nomes para compor o primeiro escalão da atual gestão: Luciano Santos (Assuntos Federativos), Paulo Varella (Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Alan Silveira (Desenvolvimento Econômico) e Sérgio Rodrigues (Caern).

Desses, apenas os dois últimos deixaram os cargos após o rompimento do vice com a governadora. Walter Alves também anunciou que permaneceria no cargo para disputar uma vaga de deputado estadual, citando que havia recebido a “missão” de ser vice-governador e que não poderia ser “demitido”.

“Recebi a missão de ser vice-governador e estou cumprindo. O que não posso é assumir a cadeira de governador e ser responsável pelo colapso financeiro do estado, em apenas oito meses. Ficarei como vice-governador até porque, que eu saiba, a governadora não pode me demitir. Sou pré-candidato a deputado estadual”, disse.

No comunicado do MDB, o vice-governador afirma que, “mesmo sem espaço na administração estadual, tem atuado de forma presente junto aos municípios, ouvindo demandas e articulando soluções”.

De acordo com ele, a pré-candidatura a deputado estadual “surge como continuidade desse trabalho, ampliando sua atuação no legislativo estadual”.

“A decisão também foi construída em diálogo com lideranças políticas, prefeitos, vereadores e aliados em todo o Rio Grande do Norte, consolidando um projeto político pautado na união, no diálogo e no compromisso com resultados concretos para a população”, completa.

Em janeiro, após meses de especulação nos bastidores, Walter Alves anunciou o rompimento com o PT, disse que não assumiria o Governo do Estado em caso de desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado e afirmou que seria candidato à Assembleia Legislativa.

Além disso, Walter Alves anunciou que apoiaria a pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).

Walter quebrou o “compromisso firmado em 2022”, disse Fátima

Foto: Alisson Almeida

Na última terça-feira (17), a governadora anunciou que permaneceria no cargo, abrindo mão de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. Fátima atribuiu a decisão à quebra de “compromisso” de Walter.

Em sua “Carta ao Povo Potiguar”, a governadora disse que a escolha do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.

A governadora citou que, para viabilizar sua candidatura a senadora, “era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”.

Fátima disse que a decisão de Walter atendia “a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.

“Eles tentaram nos enterrar”, disse a governadora em trecho da sua carta aberta, fazendo referência ao plano para isolar o PT, que incluiria a crise política que levou ao rompimento de Walter Alves.

SAIBA MAIS: Houve um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”, afirmou governadora

O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade”, disse governadora em indireta ao vice

Em outro trecho do comunicado, em aparente indireta dirigida a Walter Alves, Fátima afirmou que “o que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público”.

“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, expressou.

Em entrevista coletiva na sede da Governadoria do RN, após a leitura da carta aberta, Fátima reafirmou que Walter, apesar de convidado, abdicou de assumir o cargo e ser candidato à reeleição, rompendo o compromisso firmado em 2022 entre PT e MDB.

“De uma hora pra outra, de forma bruta, isso veio se dar agora no final do ano, ele comunicou que não assumiria mais o governo. A partir daí, evidentemente, que nós fizemos várias articulações com vistas a viabilizar, através da eleição indireta, um nome que tivesse compromisso com o projeto em curso e evitar retrocessos para o Rio Grande do Norte”, declarou.

SAIBA MAIS: Fátima Bezerra: “Não há cargo no Senado que valha meu compromisso com o RN”

Tese do “estado quebrado” é “narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais”, diz governadora

Logo após o anúncio do rompimento de Walter Alves, Fátima havia rebatido a tese do “colapso financeiro do estado”, citado pelo vice-governador como um das justificativas para não assumir o Governo do Estado.

Em entrevista à Rádio Universitária de Natal, no final de janeiro, a governadora classificou o argumento como “uma narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais”.

“Os fatos mostram uma situação totalmente diferente dessa narrativa que tentam pintar para dizer que o estado estaria quebrado. Quando nós chegamos ao governo em 2019, encontramos quatro folhas de pagamento em atraso. O comprometimento da Receita Corrente Líquida [RCL] com pessoal era de cerca de mais de 63%. Hoje, está em torno de 56% e a projeção é chegarmos ao final de 2026 próximo de 54%”, rebateu.

Fátima lembrou que, mesmo com os impactos severos das Leis Complementares 192 e 194, aprovadas em 2022 durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que reduziram drasticamente a arrecadação de ICMS sobre combustíveis e energia, o estado manteve o pagamento dos servidores em dia e conseguiu retomar uma trajetória de equilíbrio.

“Essas leis provocaram um abalo violento nas finanças dos estados. No nosso caso, somou-se a isso a redução da alíquota do ICMS de 20% para 18%, o que retirou quase R$ 800 milhões por ano do orçamento. Ainda assim, hoje não há um único servidor com salário atrasado. No dia 31, todos os ativos, aposentados e pensionistas recebem integralmente”, destacou.

Fátima acrescentou que, mesmo diante desse cenário adverso, o governo manteve políticas de desenvolvimento que resultaram em crescimento do emprego formal e atração de investimentos.

“O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Nordeste a ter mais empregos com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Modernizamos a política de incentivos, fortalecemos a indústria e hoje temos mais de 300 empresas beneficiadas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho”, disse.

Ela ainda ironizou a oposição afirmando que “se o estado estivesse no caos que tentam pintar, não haveria tanta gente querendo disputar a cadeira de governador”.

SAIBA MAIS: Governo: “RN reduz despesa com pessoal” e tem “melhora de indicadores fiscais”

Fonte: saibamais.jor.br

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