Radir Pereira de Araújo (1919-2000) foi um importante comerciante e político potiguar, que saiu de Currais Novos para servir ao Exército no Rio de Janeiro e voltou à sua terra para iniciar uma trajetória vencedora no comércio.
Bem sucedido nos negócios, Radir sempre flertou com a política. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e elegeu-se deputado estadual, em 1958, para uma série de sucessivos mandatos.
Cotado para ser vice de monsenhor Walfredo Gurgel, em 1965, foi convencido por Aluízio Alves durante um comício em Currais Novos a ceder sua vaga para Clovis Motta. Com a extinção dos partidos, durante a ditadura militar, abrigou-se no Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição ao governo.
No MDB, disputou em 1978 a eleição para senador contra o também comerciante Jessé Pinto Freire, da Aliança Renovadora Nacional. Naquela eleição, Radir foi vítima de um acordo político denominado Paz Pública, firmado entre os ex-governadores Aluízio Alves (MDB) e Tarcísio Maia (ARENA).
Abandonado pelos próprios companheiros de partido, liderados por Aluízio, Radir ficou sozinho empunhando a bandeira da oposição e assim como o cacique dos versos de Djavan, “perdeu, mas lutou que eu vi”.
Em 1982, foi a vez de Radir trocar Aluízio pelo grupo Maia, abrindo mão da disputa para o Senado para Carlos Alberto de Sousa e se tornando vice-governador na chapa vitoriosa de José Agripino, de quem gozou plena confiança e a ponto de assumir o governo quando “Jajá” renunciou para disputar uma cadeira de senador, em 1986.
Como 46º governador do Estado, Radir executou fielmente o plano de obras traçado por Agripino, tanto que adotou com slogan de sua administração um conceito que traduzia a essência de seu governo: “Continuar para concluir”. Entre os raros feitos de iniciativa própria Radir estadualizo a UERN.
Quarenta anos depois, a governadora Fátima Bezerra (PT) tende a repetir, guardadas as proporções, a história de Radir Pereira a continuar no cargo para concluir as obras do governo.
Deputada estadual, federal e senadora eleita, Fatima elegeu-se governadora em 2018 e reelegeu-se quatro anos depois, com uma vitória ainda mais tranquila. Governadora em segundo mandato, ela tentou voltar ao Senado agora, mas foi atropelada pela realidade, que deixou o PT do presidente Lula fora da disputa majoritária no Rio Grande do Norte.
Nessa hora, não adianta aos governistas e petistas apontar o dedo para aqueles que eles julgam culpados por esse estado de coisas, porque os outros quatros dedos de suas mãos estarão voltados para si.
Fonte: saibamais.jor.br



