A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Rio Grande do Norte, no último final de semana, para o lançamento da pré-candidatura a governador do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), ficou marcada também por uma polêmica envolvendo o jingle da sua pré-campanha à Presidência da República. A letra da música que serviu para embalar a dança do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contém ironias sobre o centrão, indiretas à terceira via e analogia à força do presidenciável da extrema direita ao se referir a ele como “touro” e “gado brabo”.
“Agora o Brasil é Flávio e Flávio é Bolsonaro. A esquerda entra em desespero e o centrão cai do cavalo. Quiseram laçar o touro, mas pelo touro foram chifrados. Não é jumento frouxo, aqui é gado brabo do Bolsonaro”, diz a letra do jingle executado no evento da chapa majoritária bolsonarista em Natal.
No mesmo final de semana, o presidenciável também esteve em João Pessoa, onde participou do lançamento da pré-candidatura ao Governo da Paraíba do senador Efraim Filho, que durante o evento assinou a ficha de filiação ao PL.
O vídeo da performance de Flávio Bolsonaro dançando ao som do jingle em que ele é chamado de “Zero Um de Bolsonaro” repercutiu nas redes sociais. Enquanto os críticos ridicularizaram o ato, tratando-o como um meme, muitos analistas políticos enxergaram na apresentação do senador uma estratégia de comunicação inspirada nas campanhas do presidente Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina).
O estilo “descontraído” seria uma estratégia usada pelo senador para suavizar sua imagem junto ao eleitorado, na busca de reduzir a rejeição ao nome da família Bolsonaro. O que aparentemente seria “improviso” na verdade é um método para passar a impressão de candidato jovial, leve e moderado.
O jingle, no entanto, causou um inesperado ruído político que levou o pré-candidato a desautorizar a música. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o trecho que afirma que “o centrão vai cair do cavalo” desmerece partidos importantes, não passou pelo crivo da assessoria dele e que o partido terá mais cautela nos próximos eventos.
“O detalhe da música não passou pelo crivo da assessoria do senador que, se tivesse conhecimento prévio não concordaria com a letra. Ela desmerece partidos importantes para o resgate do Brasil das mãos sujas do PT. O PL terá mais cautela nos próximos eventos”, afirmou.
A crítica ao centrão atinge em cheio o próprio Álvaro Dias, que está de mudança para o PL, mas ainda é filiado ao Republicanos, legenda frequentemente associada ao pragmatismo, fisiologismo e adesismo ao governo de plantão.
Além disso, entre os partidos que apoiam a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro está o PP do senador Ciro Nogueira (PI), um dos maiores símbolos do centrão político brasileiro.
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Jingle se refere a nome da terceira via como “sequelado”
Em outro trecho da música, a letra diz que o eleitorado não quer um “terceira via sequelado”, numa referência às pré-candidaturas que se colocam como alternativa aos nomes de Flávio Bolsonaro e do presidente Lula (PT).
“Em 2026, Flávio Bolsonaro. Não queremos terceira via sequelado. Chega de PT, não chorem jumentada. Em 2026, são os dois lados na parada”, diz o jingle entoado pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), era considerado pelos analistas políticos como “a melhor alternativa” para furar a bolha da polarização entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula (PT), mas ele anunciou ontem sua saída da disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026.
No lugar dele, o partido deve lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mas o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também almeja o posto de candidato da terceira via. Em publicação nas redes sócias, ele disse estar “pronto para liderar”.
Além de Caiado e Leite, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, também anunciou que pretende concorrer ao Palácio do Planalto em 2026.
De volta ao evento em Natal, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro tentou desviar da polêmica causada pelo jingle afirmando que o partido do presidenciável “fez o maior movimento político dos últimos tempos no Rio Grande do Norte, com a presença gigantesca do povo potiguar e lideranças políticas de vários partidos”.
Fonte: saibamais.jor.br




