O ato político convocado para o dia 1º de abril, às 16h, no Palácio dos Esportes, em Natal, marca os 62 anos do golpe civil-empresarial-militar de 1964 e deve reunir movimentos sociais, entidades, estudantes e trabalhadores em defesa da democracia, da memória, da verdade e da justiça.
Mais do que uma data simbólica, a mobilização assume um caráter de alerta. Para os organizadores, o 1º de abril não é apenas memória, é também um chamado diante das ameaças autoritárias que seguem presentes no Brasil e no mundo.
O ato integra uma programação que se estende ao longo dos dias que o antecedem, reunindo atividades de formação, debate e mobilização política na capital potiguar.
A agenda começa no dia 28 de março, com caminhada histórica e aula pública às 8h, no colégio Atheneu. No dia 30, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe o debate “UFRN na luta: por memória, verdade e justiça”, às 18h, no auditório D do CCHLA.
No dia 31 de março, às 9h, também na UFRN, será realizada uma ação de extensão com a exibição do documentário “Não foi acidente, mataram meu pai”, seguida de debate com a jornalista Jana Sá. O filme investiga as circunstâncias da morte de Glênio Sá, ex-preso político da ditadura, dirigente do PCdoB no RN e participante da Guerrilha do Araguaia, e questiona a versão oficial de acidente, apontando para continuidade da perseguição política mesmo após a redemocratização.
Encerrando a programação do dia 1º de abril, às 19h, o Cine Clube Casa Vermelha promove uma sessão especial com os documentários “Codinome Breno” e “Não foi acidente, mataram meu pai”. A atividade propõe refletir sobre as marcas da ditadura civil-militar (1964-1985) e suas permanências no presente.
Em “Codinome Breno”, o diretor Manoel Batista reconstrói memórias familiares atravessadas pela repressão, revelando como a violência do Estado atingiu também o cotidiano das famílias brasileiras. Já o documentário sobre Glênio Sá reúne documentos e depoimentos que colocam em xeque a versão oficial sobre sua morte, ocorrida em 1990.
Na defesa da democracia e dos direitos humanos, a mobilização levanta pautas históricas da justiça de transição no Brasil, como a necessidade de reinterpretação da Lei de Anistia de 1979.
A realização dos atos no Rio Grande do Norte se insere em uma mobilização nacional que busca enfrentar o legado de autoritarismo, censura, perseguição política, prisão, tortura, morte e desaparecimento forçado, elementos centrais da ditadura brasileira.
Com o avanço da extrema-direita nos últimos anos, a democracia brasileira voltou a ser colocada em risco. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 são apontados como expressão concreta dessa ameaça. Assim como em 1964, uma tentativa de ruptura institucional buscou minar o Estado de Direito e a soberania popular.
Esse cenário, avaliam os organizadores, não se limita ao Brasil. Em diferentes países, inclusive na América Latina, há uma intensificação de ofensivas contra direitos, instituições democráticas e a soberania dos povos.
No Rio Grande do Norte, os efeitos da ditadura foram profundos. Entre os mortos e desaparecidos políticos ligados ao estado estão Hiran de Lima Pereira, Zoé Lucas de Brito Filho, Djalma Maranhão, Emmanuel Bezerra dos Santos, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Lígia Maria Salgado Nóbrega, José Silton Pinheiro, Anatália de Souza Melo Alves, Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa, Edson Neves Quaresma, Luiz Gonzaga dos Santos, Sebastião Gomes dos Santos, Virgílio Gomes da Silva e Glênio Sá, além de um número significativo de pessoas perseguidas.
Para os movimentos, esses nomes representam não apenas vítimas da repressão, mas projetos de transformação social interrompidos pela violência de Estado.
A convocatória dialoga com a carta à sociedade potiguar construída coletivamente, que afirma: “Lembrar é um ato de justiça. Esquecer é permitir que se repita”.
📌 Serviço
📍 28/03 – Caminhada histórica e aula pública
🕗 8h – Colégio Atheneu
📍 30/03 – Debate “UFRN na luta: por memória, verdade e justiça”
🕕 18h – Auditório D do CCHLA/UFRN
📍 31/03 – Exibição + debate “Não foi acidente, mataram meu pai”
🕘 9h – Auditório B do CCHLA/UFRN
📍 01/04 – Ato político “Ditadura nunca mais”
🕓 16h – Palácio dos Esportes
📍 01/04 – Cine Clube Casa Vermelha
🕖 19h – Exibição de “Codinome Breno” e “Não foi acidente, mataram meu pai”
Fonte: saibamais.jor.br




