A capacidade de reação do paciente Jair Messias Bolsonaro desafia a medicina. E eis que de doença em doença, ele conseguiu deixar a prisão onde deveria cumprir 27 anos de pena por tudo de errado que fez.
E muitos pesquisadores estão impressionados com a evolução clínica dele e sua capacidade de melhorar, estando à beira de morte há poucos dias, seja com um soluço contínuo ou interno na UTI de um hospital particular de Brasília em estado desesperador.
Curiosamente, o roteiro tem sido o mesmo: sempre que uma decisão o aproximava da cadeia, Bolsonaro tem uma recaída e corre para o hospital. Foi assim em cada decisão desfavorável da Justiça. Felizmente, ele ficava curado quando escapava da prisão.
Foi assim quando ele estava preso numa sala da sede da Polícia Federal em Brasília. Diferente de Lula, que passou 580 preso numa cela na sede da PF da gélida Curitiba, Bolsonaro endoideceu e quase fura a parede com uma cabeçada, só para ser transferido.
Sua estratégia funcionou. Primeiro ele conseguiu sair da PF para uma cela na Papudinha, cadeia destinada aos estrelados da Polícia Militar do DF, com direito a uma casa, com sala, quarto, cozinha, área de lazer, banhos de sol, visitas íntimas, amigos para conversar e até revistinhas de palavras cruzadas para passar o tempo.
Foi assim nesta semana também, quando ele adoeceu gravemente a ponto de se internar mais uma vez na UTI de um hospital particular de Brasília, mas logo ficou curado logo quando o ministro Alexandre de Moraes mandou ele para casa.
Parte da decisão do ministro, porém, chama atenção pela ampla possibilidade de não ser cumprida. Bolsonaro está proibido de usar telefone celular, acessar a internet ou receber visitas que não sejam de pessoas da família ou de profissionais que cuidem de sua saúde.
Quem garante que ele vai cumprir?… eu não ponho minha mão no fogo. E você?…
Só para lembrar, foi em casa que Bolsonaro diz ter sofrido um surto que lhe fez queimar a tornozeleira com um ferro de solda, logo após ter sido abandonado pela mulher e pelos filhos, que estavam viajando para fazer política.
Dessa vez, a transferência para casa determinada por Moraes atende à mesma justificativa de que o “imbrochável” não pode ficar longe da família, senão adoece. Perigo é essa decisão do ministro abrir uma jurisprudência e milhares de presos aleguem o mesmo motivo para ter direito a prisão domiciliar.
Por fim, para quem passou a vida posando de macho alfa, apregoando virilidade e destemor, Bolsonaro revelou-se um Bicho Feroz, na melhor tradução de um samba antigo do malandro Bezerra da Silva, que “acha bonito ser bicho solto, mas não tem disposição” e “com o revólver na mão é um bicho feroz, sem ele anda rebolando até muda de voz… isso aqui cá pra nós”.
Fonte: saibamais.jor.br




