A vereadora Camila Araújo (União) voltou a insistir na apresentação de um projeto para conceder o título de cidadã natalense à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — homenagem que foi rejeitada na semana retrasada pela Câmara Municipal de Natal.
Após a derrota inicial, em que reconheceu que “não dá para ganhar todas”, a vereadora apresentou em 25 de março um projeto de decreto legislativo (PDL) nos mesmos termos do anterior, em que reconhece os “relevantes serviços” prestados por Michelle Bolsonaro à sociedade natalense.
O PDL 7/2026 foi logo enviado à Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final e recebeu parecer favorável do relator, Kleber Fernandes (Republicanos), tendo sido aprovado na comissão nesta segunda-feira (30). Agora, segue para outras comissões, até chegar ao plenário.
Uma proposta derrotada não pode ser reapresentada pela Casa, desde que seja subscrita pela maioria absoluta dos membros da Câmara Municipal ou de autoria do prefeito. Foi o que aconteceu com o projeto, que recebeu a subscrição de 15 parlamentares para que voltasse novamente à tramitar na Casa.
Em 19 de março, a homenagem a Michelle Bolsonaro foi derrotada em votação e toda a oposição se mobilizou para votar contra. Foram 14 votos a favor, cinco contra e 10 ausências justificadas, mas por necessitar de maioria absoluta da Casa (15 votos dos 29 vereadores), o texto não passou. Os votos contrários vieram de Brisa Bracchi (PT), Daniel Valença (PT), Samanda Alves (PT), Thabatta Pimenta (PSOL) e Pedro Henrique (PP).
No texto, Camila Araújo destacou o período de Michelle como primeira-dama, sua defesa de causas sociais relacionadas às pessoas com deficiência e a sua atuação dentro da igreja evangélica. Parlamentares da oposição rechaçaram os argumentos.
“Se é um governo que passa pra fora a imagem de que se preocupava com pessoas com deficiência, na prática fez o oposto. Desmantelou o que havia de conselhos, o que havia de estrutura no poder executivo para promover os direitos das pessoas com deficiência”, disse Valença.
“E mais ainda, é um governo que levou quase um milhão de brasileiros à morte na pandemia, que levou o país à quebradeira, quatro anos sem reajuste do salário mínimo acima da inflação, quatro anos sem reajuste da tabela do Imposto de Renda. Então, sinceramente, da família de miliciano, a gente não tem que dar nenhuma honraria, nem prestar nenhum apoio”, continuou o parlamentar petista.
Saiba Mais: Câmara rejeita título de cidadã natalense para Michelle Bolsonaro
Brisa Bracchi disse ver uma contradição na proposta de Araújo, já que a vereadora bolsonarista deu um parecer contrário na Comissão de Constituição e Justiça ao título de cidadão natalense ao deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que tem família no Rio Grande do Norte.
“Não há nada em que a população de Natal foi beneficiada por Michelle Bolsonaro que faça ela ter legitimidade de ganhar um título de cidadã natalense, a maior honraria desta Casa”.Samanda Alves afirmou que “jamais daria um voto favorável a quem contribuiu para atentar contra a democracia do nosso país”. Pimenta disse que no governo Bolsonaro só houve exclusão ao invés de inclusão. Já Pedro Henrique, que não integra a oposição, afirmou que só vota para conceder títulos de cidadania natalense a quem tem reconhecidamente relação com a cidade.
Fonte: saibamais.jor.br




