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AtualizaçõesHistoriador resgata em livro raízes indígenas apagadas no RN

Historiador resgata em livro raízes indígenas apagadas no RN

Quantos indígenas você conhece? O apagamento dos povos originários é o tema do livro “Extremoz: silêncio indígena” (Editora Sebo Vermelho), do historiador Juarez Viana da Silva, que busca não somente revisitar o passado, mas compreender o porquê poucas pessoas se identificam como indígenas no município atualmente.

Segundo o IBGE, Extremoz possui 109 pessoas indígenas — 107 na área urbana e dois em contexto rural, em meio a uma população de 61.635 habitantes segundo o Censo de 2022. Em todo o estado, a população indígena atinge 11.725 pessoas. Ainda que possa ser considerado um número baixo, o IBGE havia contado 2.597 pessoas indígenas no RN no Censo de 2010, o que correspondia a 0,08% da população residente no estado. Ou seja, a população autodeclarada indígena aumentou 351% em 12 anos.

“Todos os municípios da época da dominação foram criados a partir de aldeias indígenas: Extremoz, Arez, Apodi, São José do Mipibu, Nísia Floresta, Canguaretama, Portalegre, Vila Flor. Mas também vemos resistência como o Amarelão em João Câmara, Catu em Baía Formosa e outras que estão no processo de organização”, conta Juarez Viana. 

“Esse apagamento também vejo nas aldeias Tapuios no interior do Rio Grande do Norte, devido às Guerras dos Bárbaros e Justa para captação de escravos, além de combater a não catequização, converter a servidão e controle nas drogas do sertão”, afirma.

Saiba Mais: João Câmara tem maior população indígena do RN; Natal, a segunda

O historiador diz que a motivação para escrever a obra veio ao identificar o número tão baixo de indígenas em Extremoz. Em 2021 ele já lançou o livro “Guajuru: registro da indiferença”, que aborda o nascimento e o abandono da Igreja São Miguel.

“O primeiro livro surgiu de uma aula de campo, que me levou a organizar os conteúdos em um único livro, respondendo ao objetivo da ruína da igreja e a não existência de indígenas. O resultado foi o registro da indiferença em todos os níveis”, conta. Já a obra atual veio após os números do Censo 2022. “Portanto, Extremoz deve conhecer suas origens Tupi Potiguara”, defende.

A história de Extremoz — e também do Rio Grande do Norte e do Brasil — é marcada por conflitos que causaram a invisibilidade indígena. Essas marcas ainda permanecem: o RN é o único estado do Brasil a não ter nenhum território demarcado.

Saiba Mais: Indígenas do RN começam 2026 à espera de demarcação de terras

“Nós não fomos descobertos, fomos dominados, por não sermos arregimentados, não existir união entre aldeias, pelas catequeses, pelas Missões que eram uma unidade de consumo, na qual o trabalho lhe pertencia; pela usurpação da terra por meio de sesmarias, pelas epidemias, pelas Guerras Justa e dos Bárbaros, pela escravização, pela servidão civil e por apadrinhamento”, diz Juarez Viana.

“Pelo apagamento da ancestralidade, com as mortes de pajés e feiticeiros; pelas invasões francesa, portuguesa, holandesa, retomada portuguesa; transferência do poder religioso e político para a Boca do Mato, atual Ceará-Mirim; distribuição política das terras; pela liberdade e Diretório dos Índios”, prossegue o pesquisador. 

O motivador, conta ele, foi “o poder do mais instruído” do “homem de bem”, alimentado pela ideia de que o indígena vivia na pré-história, sem lei, rei e religião.

Saiba Mais: Diversidade indígena cresce no RN: Censo 2022 identifica 88 etnias e 33 línguas

“Portanto, esses e outros não listados foram a razão para o apagamento, mas isso não quer dizer que não existam indígenas. Eles foram miscigenados ou, como diz Jussara Sales, procuraram locais de refúgios, além de utilizar da morte como resistência”, explica.

“Extremoz: silêncio índigena” pode ser adquirido diretamente com o autor, pelo telefone (84) 98812-1661 ou pelo Instagram @juarezvianadasilva. A obra também está presente em Natal no Sebo Vermelho, na Cidade Alta, e em Extremoz no Sebo Menino do Grude.

Fonte: saibamais.jor.br

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