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AtualizaçõesEx-prefeito de Mossoró nega ligação com esquema de propina denunciado pela PF

Ex-prefeito de Mossoró nega ligação com esquema de propina denunciado pela PF

O pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil) se defendeu das acusações que pesam contra ele no âmbito da Operação Mederi, deflagrada no final de janeiro pela Polícia Federal (PF), em ação coordenada com a Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga a suposta distribuição de propinas e fraudes em licitações em contratos da Secretaria Municipal da Saúde da Prefeitura de Mossoró. O ex-prefeito é apontado como integrante do “topo do esquema”, junto com o atual chefe do Poder Executivo, Marcos Medeiros (PSD).

“Eu acredito que todo gestor público, todo político, não só pode como deve ser investigado na medida em que as instituições e que os órgãos de controle entendam que isso é necessário. Eu acredito na Justiça, acredito nas instituições e, por isso, desde o primeiro momento, fiz questão de vir a público me pronunciar, ir às entrevistas e estar aberto ao debate público para prestar contas”, disse o ex-prefeito, que foi alvo de busca e apreensão quando da deflagração da operação em sua residência, em um condomínio de luxo em Mossoró.

A declaração foi dada em entrevista na noite de quarta-feira (8) à Band RN. O pré-candidato reafirmou que fortaleceu a “transparência” da gestão municipal, inclusive no que se refere ao objeto da investigação, que é a questão dos medicamentos.

“Eu sou um dos poucos gestores das grandes cidades do país que teve a coragem de implantar, há alguns anos, um sistema de gerenciamento de medicamentos dentro do município, que permite o rastreio completo desses medicamentos que entram na Prefeitura de Mossoró, vão para a Farmácia Central e de lá seguem para as Unidades Básicas. Isso dá rastreabilidade, segurança e transparência”, explicou.

O ex-prefeito e pré-candidato a governador Allyson Bezerra e o atual prefeito Marcos Medeiros são investigados na Operação Mederi. Foto: Lucas Bulcão (Secom/PMM)

O ex-prefeito disse ainda que instituiu no município o programa “Mossoró Digital”, para que todos os atos da gestão fossem feitos de modo eletrônico, permitindo, segundo ele, que os órgãos de controle tenham acesso às informações a qualquer momento. “Não existe mais nada dentro de gaveta”, assegurou.

Allyson Bezerra disse acreditar que o episódio foi usado politicamente pelos seus adversários para afetar sua “credibilidade”, com o objetivo de “desviar o foco” das suas “ações em Mossoró”.

“Isso é fato, houve essa exploração [política], mas a partir do momento que a população sabe o que nós entregamos, sabe a forma que a gente governa, sabe a forma que a gente lida com o dinheiro público, a população reconhece que existiu, por parte dos adversários, uma tentativa clara de esconder os feitos que nós tínhamos realizado em Mossoró”, afirmou.

Mudança de discurso

Allyson disse que tinha controle de “todos os gastos” da Prefeitura de Mossoró, mas depois da Operação Mederi transferiu responsabilidade aos secretários. Foto: Reprodução Redes Sociais

No início de fevereiro, uma semana após a deflagração da Operação Mederi, Allyson Bezerra transferiu a responsabilidade sobre os gastos do município para os secretários afirmando que eles eram os verdadeiros ordenadores de despesas da Prefeitura de Mossoró.

A declaração marcou uma mudança no discurso do ex-prefeito, que cerca de dois meses antes do estou do escândalo, em entrevista a uma rádio de Natal, afirmou que tinha controle total sobre todos os gastos do município.

“Eu tenho controle de todos os gastos, não existe esse negócio de ‘banda voou não’, não existe esse negócio de ‘Casa da Mãe Joana’. Tem controle”, declarou à época o ex-prefeito.

Em vídeo publicado nas redes sociais, um dia após a operação, Allyson Bezerra adotou um novo discurso, dando ênfase à responsabilidade dos secretários municipais.

“Quando eu cheguei na Prefeitura de Mossoró, o prefeito era ordenador de tudo que se imaginava de despesas. Era o prefeito quem licitava, pagava e fazia os contratos. Eu, no mês de agosto de 2021, aprovei na Câmara Municipal uma lei colocando os meus secretários para serem ordenadores de despesa. Eu tirei de mim, da minha responsabilidade, do meu querer e da minha caneta atos de licitação, contratação e pagamento. Tudo é com os secretários da Prefeitura de Mossoró. Essa é a ‘Matemática de Mossoró’”, defendeu-se.

O ex-prefeito disse ainda que falaria apenas por ele, não “por terceiros”, assegurando que nunca recebeu nem solicitou nenhum “tipo de valor” nem manteve nenhum “tipo de diálogo com essas pessoas envolvendo esse tipo de contrato, de benefício pessoal dentro da Prefeitura de Mossoró”.

“Nunca solicitei para que ninguém ligado a mim fosse ter esse tipo de contato, esse tipo de conversa”, reiterou.

A “Matemática de Mossoró”

Organograma da propina da “Matemática de Mossoró”. Foto: Reprodução

O suposto esquema em que Allyson Bezerra e o atual prefeito de Mossoró Marcos Medeiros são investigados foi batizado pela Polícia Federal de “Matemática de Mossoró”.

O termo se refere especificamente a um percentual de 15% de propina que seria cobrado da empresa Dismed para facilitar os pagamentos dos contratos de fornecimento de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.

O modus operandi da propina foi revelado através de uma escuta ambiental instalada pela Polícia Federal no escritório da Dismed. Nas conversas gravadas, o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa explica a um interlocutor como funcionava a “Matemática de Mossoró”.

A Prefeitura de Mossoró, segundo a transcrição da conversa que consta na decisão judicial que autorizou a operação, havia emitido uma ordem de compra de medicamentos no valor de R$ 400 mil.

No entanto, a empresa entregou apenas o equivalente a R$ 200 mil. A diferença seria distribuída entre os participantes do esquema – entre eles o próprio Allyson Bezerra, o atual prefeito Marcos Medeiros e uma mulher identificada apenas como Fátima.

Allyson Bezerra, segundo o relatório da PF, receberia R$ 60 mil. Já Fátima, que seria uma empresária do ramo de eventos e servidora comissionada na gestão do ex-prefeito, ficaria com R$ 40 mil.

“No nível intermediário, estariam os gestores administrativos, que garantiriam as condições institucionais para funcionamento do sistema. No nível operacional, estariam os fiscais e gestores de contrato que viabilizariam concretamente as entregas parciais mediante atestados. Externamente à administração pública, estariam os empresários, que operacionalizariam o esquema no âmbito privado”, aponta a investigação da PF.

Allyson Bezerra com empresário Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed. Foto: Reprodução Redes Sociais

Uma análise financeira feita pela PF nas contas bancárias da Dismed apontou que as propinas eram pagas em dinheiro vivo. Um dos depósitos feitos à empresa pela Prefeitura de Mossoró, segundo identificaram os investigadores, foi de mais de R$ 3,3 milhões. Desse total, 25% seria distribuído em forma de propina – o equivalente a R$ 833 mil.

A Dismed, segundo constatou a PF, sacou mais de R$ 2,2 milhões em espécie em 70 operações. Para os investigadores, esse modus operandi seria um indicativo de pagamento de propinas.

A Polícia Federal também destacou a “proximidade política” do ex-prefeito Allyson Bezerra com o dono da Dismed, Oseas Monthalggan. Entre 2021 e 2025, o suposto esquema movimentou R$ 13,5 milhões pagos à empresa pela Prefeitura de Mossoró.

Fonte: saibamais.jor.br

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