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AtualizaçõesGamboa do Jaguaribe celebra 10 anos de preservação e ancestralidade

Gamboa do Jaguaribe celebra 10 anos de preservação e ancestralidade

Um território de memória, luta e aprendizado celebra uma década de existência. No próximo domingo (19), o Sítio Histórico e Ecológico Gamboa do Jaguaribe comemora 10 anos de atuação com uma programação gratuita que combina educação ambiental, cultura popular e mobilização comunitária, a partir das 08h30.

Localizado na Zona de Proteção Ambiental 8, a maior de Natal, o espaço ocupa cinco hectares de mata e manguezal e se consolidou, ao longo dos anos, como referência em turismo pedagógico e práticas de base comunitária. Desde 2016 aberto ao público, o sítio tem recebido escolas e visitantes interessados em experiências que conectam história indígena, cultura afro-brasileira e preservação ambiental.

SAIBA MAIS: Gamboa do Jaguaribe: um resgate da cultura indígena na zona norte de Natal

A celebração dos 10 anos começa com um gesto concreto. Logo pela manhã, voluntários participam de um mutirão de limpeza nas margens do Rio Jaguaribe, em uma ação que une simbolismo e denúncia. A proposta é chamar atenção para o descarte irregular de resíduos e para as pressões ambientais que ameaçam a região, como a carcinicultura e a especulação imobiliária.

“Não faria sentido comemorar 10 anos sem olhar diretamente para a saúde do nosso ecossistema. O mutirão de limpeza é um ato simbólico e político: queremos mostrar que a celebração e o cuidado com a vida caminham juntos”, afirma Ta’angahara (Fábio de Oliveira), diretor cultural e um dos articuladores do projeto.

Segundo ele, a iniciativa também reforça uma pauta central para o futuro da Gamboa: o reconhecimento oficial como Reserva Privada do Patrimônio Natural em nível municipal:

Queremos que esses 10 anos marquem o início de uma proteção jurídica definitiva para este território, garantindo que a biodiversidade da ZPA 8 seja preservada para as próximas gerações,” defende.

Ao longo do dia, o público poderá percorrer trilhas guiadas e visitar as oito bioconstruções do espaço, erguidas com técnicas inspiradas em povos tradicionais. As estruturas, conhecidas como ocas, funcionam como ambientes de aprendizado e provocam uma reflexão sobre formas de habitar mais integradas à natureza.

A proposta, segundo a organização, vai além da estética. Trata-se de um convite a rever narrativas e a valorizar conhecimentos historicamente marginalizados.

“As nossas ocas estarão abertas para que as pessoas conheçam uma arquitetura que respeita a terra. É uma experiência que dialoga com uma perspectiva decolonial”, explica Ta’angahara.

Saiba Mais: Zona Norte mobiliza ação em defesa dos manguezais de Natal

Economia comunitária

A programação também inclui feira de produtos e serviços locais, fortalecendo a economia comunitária e ampliando o alcance do evento.

No período da tarde, as atividades se voltam para a arte e a expressão cultural. O projeto Cineoka chega à sua 31ª edição com a exibição do documentário Maria Fogo, dirigido por Fábio de Oliveira, abordando temas ligados à identidade e resistência.

O público também poderá conferir a exposição fotográfica Ta’anga Piára, resultado de oficinas realizadas com moradores dos bairros vizinhos, utilizando dispositivos móveis como ferramenta de registro e narrativa.

O encerramento reúne manifestações tradicionais que atravessam gerações. A roda de capoeira do grupo Capoeira Raça, o coco de zambê do Pau-furado Zabelê e o ritual do Toré marcam o fim da programação, integrando participantes em uma celebração coletiva.

“Planejamos um dia que une o ‘mão na massa’, com o mutirão de limpeza, à celebração artística. É um evento para todas as idades, focado em mostrar que é possível conviver de forma harmoniosa com a natureza”, resume o organizador.

Chegar aos dez anos, segundo Ta’angahara, é resultado de persistência. Inserida em uma área urbana sob constante pressão, a Gamboa do Jaguaribe se mantém como um refúgio ecológico e cultural:

“A emoção é de gratidão e, acima de tudo, de resiliência. Chegar aos 10 anos em uma área que sofre constantes pressões é uma vitória coletiva. Estamos celebrando uma década de resistência cultural e ambiental“, afirma.

Mesmo sem apoio institucional contínuo, o projeto segue ativo, sustentado pelo engajamento comunitário e por parcerias pontuais. A celebração deste domingo, mais do que um aniversário, reafirma um compromisso: o de proteger o território e ampliar o diálogo entre natureza, cultura e sociedade.

Interessados em participar como expositores na feira ainda podem entrar em contato com a organização. Para o público em geral, basta chegar e se integrar na comemoração.

Fonte: saibamais.jor.br

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