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AtualizaçõesEscola no interior do RN suspende grêmio por reivindicar sala própria

Escola no interior do RN suspende grêmio por reivindicar sala própria

A Escola Estadual Instituto Vivaldo Pereira, localizada em Currais Novos, suspendeu o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEBB), entidade representativa dos cerca de 300 alunos da instituição. O motivo, segundo um membro do grêmio, foi a colagem de cartazes pedindo uma sala própria para o grêmio — a entidade está em sua primeira gestão, que ainda não completou nem um mês de funcionamento.

O grêmio foi fundado em 23 de outubro de 2025, e no dia 30 de outubro os estudantes elegeram a atual direção da entidade. De acordo com um estudante gremista, que preferiu não se identificar, a suspensão aconteceu de maneira autoritária, sem diálogo e sem notificação. A escola afirmou em nota que houve um “descumprimento reiterado e intencional de cláusulas fundamentais”.

“Proibiram por tempo indeterminado as atividades do grêmio após um ato reivindicatório, onde os gremistas colaram cartazes pela escola reivindicando a sala do grêmio, após várias vezes a gestão deixar claro que não tinha como ceder uma sala”, explica o aluno. 

Uma das imagens expostas pelos estudantes no Instituto Vivaldo Pereira, em Currais Novos – Foto: cedida

Segundo o mesmo estudante, a escola possui inúmeras salas vazias e desativadas, mas o Instituto Vivaldo Pereira teria justificado que elas vão ser utilizadas em 2026. Ele reclama, porém, que não foi dada nem a possibilidade de usar uma sala provisória até o final deste ano.

“Logo os estudantes, se sentindo desrespeitados, fizeram o ato reivindicatório. A gestão, que logo se sentiu pressionada devido estar acontecendo o processo eleitoral da gestão escolar, rapidamente agiu e suspendeu, falando que quebramos a regra da escola, causamos danos e etc, porém a colagem de cartazes sempre foi histórico no movimento estudantil”, diz ele, que diz que a própria direção do instituto também colava cartazes nas paredes.

Lei do Grêmio Livre

Em nota, o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra afirmou que a suspensão foi feita sem garantir o direito de defesa. O grêmio aponta que a direção da escola desrespeitou a Constituição Federal, que assegura o contraditório e ampla defesa, e violou a Lei do Grêmio Livre, que garante que os grêmios estudantis são autônomos.

“É um grêmio prematuro e que os estudantes estão aprendendo a se organizar agora. A gestão, em vez de orientar os alunos, preferiu reprimir, lembrando tempos sombrios nas escolas públicas da ditadura militar, onde a gestão que era controlada pelos militares reprimia qualquer sinal de movimento estudantil”, critica o gremista que conversou com a reportagem.

Nesta quarta-feira (26), a presidência da entidade encaminhou um documento à 9ª DIREC (Diretoria Regional de Educação) de Currais Novos denunciando o caso.

Leia a nota completa da direção do Instituto Vivaldo Pereira:

Prezados(as) Estudantes, Pais, Responsáveis e Comunidade Escolar,

A Direção da E. E. Instituto Vivaldo Pereira vem, por meio desta nota, esclarecer os motivos que levaram à decisão, difícil mas necessária, de suspender o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra e suas atividades por tempo indeterminado, com efeito imediato. 

Compreendemos que o Grêmio Estudantil é um órgão de representação importante para o corpo discente, e essa medida drástica não foi tomada de ânimo leve. Ela é o resultado de uma série de eventos e falhas que comprometeram seriamente a convivência escolar, o cumprimento de regulamentos e os próprios objetivos de uma entidade estudantil.

O Grêmio Estudantil, desde sua fundação, possui um Estatuto aprovado e está sujeito ao Regimento Interno da escola. O principal motivo para a suspensão foi o descumprimento reiterado e intencional de cláusulas fundamentais.

A Direção agiu de forma progressiva, aplicando diversas medidas disciplinares antes de chegar à suspensão, como advertências formais.

A reincidência, a gravidade das infrações e a falta de disposição em corrigir os desvios demonstraram que a continuidade das atividades do Grêmio, neste momento, é incompatível com a ordem, a segurança e os valores pedagógicos de nossa escola.

Reiteramos nosso compromisso com a representação estudantil legítima e democrática. A suspensão é temporária e visa permitir um período de reestruturação.

Contamos com a compreensão e colaboração de toda a comunidade para que possamos restaurar a confiança e criar um novo modelo de Grêmio Estudantil que sirva verdadeiramente aos interesses de todos os estudantes.

Atenciosamente, 

a Direção.

Fonte: saibamais.jor.br

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