spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
Atualizaçõesativistas do RN celebram avanços, mas desafio é consolidar

ativistas do RN celebram avanços, mas desafio é consolidar

O mês da visibilidade trans, celebrado em janeiro, segue como um período central para a afirmação de identidades, preservação da memória e reivindicação de direitos da população trans e travesti no Brasil. Em 2026, o debate ganha ainda mais força a partir das vozes de ativistas que vivenciam cotidianamente os impactos da transfobia, das desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, dos avanços conquistados por meio da luta coletiva. Para essas pessoas, a visibilidade não é apenas simbólica, mas uma estratégia política para garantir o direito ao bem viver.

A travesti e educadora popular Janaína Lima reforça o caráter histórico do mês da visibilidade trans, especialmente a data de 29 de janeiro. Para ela, a visibilidade nasce da organização política:

“Essa é uma data que retoma um momento histórico na luta por direitos trans e travestis no Brasil, mas que também reafirma a importância da nossa memória coletiva como instrumento de luta e reconhecimento. Reivindicamos um marco de visibilidade a partir da luta coletiva, dos movimentos auto-organizados e da nossa participação política”, diz.

A ativista avalia que, no Rio Grande do Norte, houve avanços significativos nos últimos anos, mas alerta para a necessidade de consolidá-los.

Hoje já temos mais de dez ambulatórios e consultórios específicos para a saúde trans e travesti em várias regiões do estado, além dos programas TransCidadania municipal e estadual, do Centro LGBT de Natal e da DECRID. É tempo de assegurar o que já temos e ampliar os acessos ao que ainda necessitamos”, conta.

Entre os principais desafios, Janaína aponta dois eixos centrais.

“O primeiro é a empregabilidade, a geração de renda e a autonomia financeira da nossa população. Precisamos de mais oportunidades de trabalho, capacitação profissional, cotas sociais nas contratações e programas educacionais especializados”, destaca.

O segundo, segundo ela, diz respeito à proteção social:

“É fundamental fortalecer políticas de acolhimento, como casas abrigo, auxílio aluguel, moradias preventivas e ações de enfrentamento à insegurança alimentar e nutricional.”

Para a ativista, manter o debate sobre visibilidade trans em 2026 é uma resposta direta ao cenário de violências.

“É preciso seguir na luta contra o avanço do fascismo e das violências transfóbicas que se expressam dentro das famílias, nas instituições, nas ruas e nas redes digitais”, afirma.

Janaína Lima defende que a resistência passa pela construção coletiva.

É frente a essa estrutura patriarcal, heteronormativa e racista que devemos seguir com unidade política e solidariedade ativa, fortalecendo nossos movimentos sociais e redes de apoio. Seguiremos vivas e em luta.”

Além dos debates e ações ao longo do mês, Natal voltará a sediar um ato público em referência à visibilidade trans, após 14 anos sem a realização da atividade na cidade. A mobilização está sendo organizada pelo Coletivo Juntos!, com apoio do PSOL, e resgata o mote histórico “Travestir e Respeito: Vidas Trans importam!”, utilizado pela primeira vez em 2004, quando se consolidou o Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 29 de janeiro.

Natal de volta às ruas

Para Akira Vasconcellos, travesti e militante, a retomada do ato tem um forte significado político e simbólico.

“Trazer esse mote de volta é restaurar a memória de todas aquelas que lutaram por nós. Lutamos muito, lutamos muito pela vida”, afirma.

Segundo ela, voltar às ruas é reafirmar a continuidade da luta:

“Depois de 14 anos, conseguimos reativar esse ato histórico em Natal. Vamos reafirmar a nossa luta, e será na rua. E continuaremos lutando.

Saiba Mais: TransformAÇÃO: Pau dos Ferros forma primeira turma de mulheres trans e travestis

Mobilização nacional consolidou a data

Em 29 de janeiro de 2004, Brasília sediou uma mobilização nacional que marcou o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”, realizada no Congresso Nacional. Idealizada e conduzida por pessoas trans e travestis, a iniciativa se consolidou como um divisor de águas no enfrentamento à transfobia no país e na afirmação de direitos dessa população.

A partir desse marco, o 29 de janeiro passou a ser reconhecido como o Dia Nacional da Visibilidade Trans, uma data dedicada a estimular o debate público sobre cidadania, respeito e garantia de direitos para pessoas trans e travestis, incluindo homens e mulheres trans, além de pessoas não-binárias, que não se identificam exclusivamente com um único gênero.

Para Geja Muniz, pessoa não-binárie e militante do Cores Coletivo Revolucionário Socialista, falar sobre visibilidade trans continua sendo uma urgência.

“Em 2026, ainda é importante, ainda é necessário falarmos sobre visibilidade trans para que a gente não se esqueça que, apesar dos avanços, avanços que são feitos a passinhos de bebê, a população trans ainda não tem as oportunidades ideais que deveria ter”, afirma.

Segundo elx, a ausência de cidadania plena ainda marca a realidade de muitas pessoas trans, que seguem com seus direitos básicos desrespeitados. Geja destaca que o mês de janeiro precisa ser entendido como um momento de foco e reflexão coletiva.

“A gente consegue pautar as vidas trans todos os meses, mas em 29 de janeiro a gente não pode se esquecer de que o bem viver ainda precisa ser pautado para que a gente não perca mais muitos dos nossos para a transfobia, para a insegurança alimentar e para tantas outras violências que essa sociedade cispatriarcal ainda prega”, ressalta. Para ela, visibilidade também significa denunciar as condições que produzem mortes e exclusões.

Ao comentar sobre políticas públicas, Geja aponta o programa TransCidadania como um dos principais avanços recentes.

“É uma política muito importante, que está se mantendo, sendo implementada e que cada vez mais passa a ser uma possibilidade de empregabilidade e de formação para pessoas trans, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade social”, avalia.

No plano pessoal, a militante define o mês como um período de celebração.

“A celebração coletiva e a autocelebração são muito importantes para a existência dos corpos trans”, diz, destacando que ocupar ruas, redes e espaços institucionais também faz parte da luta política.



Fonte: saibamais.jor.br

- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Matérias Relacionadas

Mídias sociais, desinformação e manipulação política

Faltando pouco mais de oito meses para a eleição...

Verdades esquecidas sobre um projeto de engorda de praia bem sucedido

Gostaria de fazer algumas observações sobre uma matéria publicada...

as facetas da pintura de Assis Costa

Artista que gosta de pintar as memórias de infância...

O mistério de Areia Preta e a solução de David Capistrano

O novo boletim de balneabilidade publicado pelo projeto Água...

Formatura celebra alfabetização de 500 jovens e adultos no RN

“O nosso sonho é que o Rio Grande do...

Prefeitura de Natal despeja pela 19ª vez famílias em situação de rua no Baldo

Cerca de sete barracos foram retirados na manhã deste...

Governo Fátima investe R$ 3,7 bi em 7 anos e projeta mais R$ 1,6 bi em 2026

A gestão da governadora Fátima Bezerra no Rio Grande...

Ministério quer proteger crianças e adolecentes no carnaval

Carnaval é tempo de pular e brincar, mas também...

Número de adoções crescem quase 20% no RN

Ao longo de 2025, foram efetivadas 77 adoções no...
- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img