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Acordeon ganha espaço na EMUFRN e reforça a identidade da música popular potiguar

A Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) vai implantar, nos próximos meses, um curso técnico de acordeon. A decisão foi aprovada em plenária de professores realizada em dezembro e marca a ampliação do conjunto de instrumentos ofertados pela instituição, com foco na valorização da música popular e das tradições culturais do estado e do Nordeste.

Também conhecido como sanfona ou gaita, o acordeon é um instrumento de fole cujo som é produzido pela vibração de palhetas metálicas, acionadas pelo movimento do fole e pelo uso de teclas ou botões. Embora a implantação do curso ainda esteja em fase inicial, a criação da nova formação técnica é considerada um avanço significativo para a EMUFRN, tanto do ponto de vista acadêmico quanto cultural.

Retomada de uma demanda histórica

Segundo o professor Tiago de Quadros, supervisor acadêmico da EMUFRN, o debate sobre a criação do curso técnico de acordeon não é recente. Ele lembra que a Escola de Música já ofertou o ensino do instrumento em formato de extensão, fora do nível técnico ou superior. “Essa experiência foi marcada por grande popularidade e alta procura por parte dos estudantes, o que sempre retornava às discussões internas como uma demanda latente”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais.

Para além dessa memória institucional, Tiago destaca a expansão, nos últimos anos, de cursos voltados a instrumentos tradicionalmente associados à música popular. “Há uma necessidade clara de formação em instrumentos que vão além do universo da música de concerto. Por isso a Escola de Música passou a ofertar, ao longo do tempo, Canto Popular, Piano Popular, Violão Brasileiro Popular, Saxofone Popular, Trompete, entre outros. O acordeon sempre esteve presente nesse horizonte de expansão”, afirma.

De acordo com o diretor da Escola de Música, Zilmar Rodrigues de Souza, a nova vaga representa um marco institucional. “Estamos ampliando o leque de oferta para instrumentos da música popular, um movimento que vem se consolidando nas universidades brasileiras”, afirma. Para ele, o acordeon ocupa um lugar central na identidade musical potiguar. “É um instrumento presente tanto nos grupos de cultura popular quanto em formações profissionais e na trajetória de grandes artistas do estado”, completa.

A escolha do acordeon foi sustentada por critérios acadêmicos e por dados culturais consistentes. Tiago de Quadros integrou, ao lado do professor Mário Andre Wanderley Oliveira, a equipe responsável pelo relatório do Rio Grande do Norte que compôs o dossiê de registro das Matrizes do Forró como patrimônio cultural imaterial brasileiro. O trabalho revelou a presença massiva do acordeon em diversas manifestações musicais do estado.

“Identificamos uma grande capilaridade do instrumento em gêneros musicais e práticas tradicionais, além de uma extensa rede de músicos atuantes, projetos de formação, aulas particulares e trios de forró em atividade”, relata. Segundo ele, esses elementos ajudaram a construir uma justificativa sólida para a criação da nova vaga, aliada à sensibilidade do corpo docente em relação às identidades sociomusicais potiguares.

Para a EMUFRN, a criação do curso técnico de acordeon dialoga diretamente com o planejamento estratégico da instituição, que inclui a expansão de vagas, a consolidação da formação profissional em música e o fortalecimento da inserção da UFRN no campo cultural regional.

Tiago de Quadros avalia que a formalização do ensino do acordeon no ambiente universitário contribui para o fortalecimento da música popular no campo acadêmico. “Mesmo em nível técnico, esse movimento tende a reverberar futuramente na graduação e na pós-graduação, promovendo a produção de conhecimento sobre o instrumento e formando profissionais com pensamento crítico sobre sua prática”, destaca.

Nesse sentido, o novo curso também pode ser compreendido como uma política de valorização do patrimônio cultural imaterial. “É uma resposta concreta às demandas da sociedade e uma ação de salvaguarda que se conecta diretamente ao reconhecimento das matrizes do forró como patrimônio”, afirma o professor.

Embora o perfil dos estudantes e os detalhes curriculares ainda estejam em fase de definição, a expectativa é de que o curso dialogue com as práticas musicais locais, regionais e também com a diversidade de possibilidades nacionais e internacionais do acordeon.

A criação do curso técnico de acordeon reforça, ainda, a perspectiva de ampliação futura para outros instrumentos ligados à música popular. “A Escola de Música da UFRN tem um espírito de expansão. Outras demandas estão em debate e, quando houver condições favoráveis, novos cursos poderão se tornar viáveis”, conclui Tiago de Quadros.

Com a iniciativa, a EMUFRN reafirma seu compromisso com a formação qualificada de músicos, a valorização da música popular brasileira e a preservação das expressões culturais que marcam a identidade do Rio Grande do Norte.

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Fonte: saibamais.jor.br

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