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Gonçalves tem histórico de votos contra mais pobres e a favor de privilegiados

Único deputado federal do Rio Grande do Norte que votou contra a Medida Provisória que instituiu o programa “Gás do Povo”, alegando que “as pessoas estão preferindo receber os auxílios a trabalhar”, Sargento Gonçalves (PL) tem um histórico de se opor a medidas que beneficiam os mais pobres, ao mesmo tempo em que costuma votar alinhado com os interesses dos mais ricos.

Isso ficou demonstrado, por exemplo, com os votos contrários dele em matérias como o do gás gratuito para 15,5 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), a ampliação do Bolsa Família para R$ 600 e a vinculação de benefícios sociais e previdenciários ao salário mínimo.

Durante os debates sobre o Projeto de Lei Orçamentária Anual – PLOA de 2026, o parlamentar também alinhou-se a posições que questionam expansões de benefícios para idosos e pessoas com deficiência.

Gonçalves classificou como “incompreensível” o aumento de gastos sociais em contexto de crise quando a Câmara dos Deputados discutia a Medida Provisória do Bolsa Família (MP 1164/2023), que, após aprovada, foi convertida na Lei 14.601/2023.

Ele lamentou publicamente a aprovação da reorganização ministerial no primeiro ano do governo do presidente Lula (PT), que ampliou recursos para o programa, garantindo o pagamento do benefício mínimo de R$ 600 por família, além de adicionais de R$ 50 a R$ 150.

Pessoas preferem auxílios a trabalhar”, justifica bolsonarista

Após votar, na última segunda-feira (2), contra a MP do “Gás do Povo”, Gonçalves disse estar “cansado” do que chamou de “modelo socialista” que, segundo ele, “cria dependência do Estado”. O bolsonarista também afirmou que “alguém vai pagar a conta” pelo benefício.

“Estou cansado desse modelo socialista que cria dependência do Estado. Enquanto outra parte da sociedade precisa trabalhar muito, acordar às 5h da manhã, chegar às 7h da noite, pegar ônibus lotado para ganhar um mísero salário, hoje pessoas não trabalham e ganham R$ 600 reais por mês. Aqueles que trabalham, saem cedo e chegam tarde em casa, ganham um salário-mínimo”, declarou.

O deputado completou afirmando que essa “dependência de auxílios” dificulta que se encontre mão de obra para o mercado de trabalho.

“Por isso você cidadão hoje procura o ASG, o auxiliar de serviços gerais, um pedreiro, um jardineiro e não encontra, porque de fato as pessoas estão preferindo receber os auxílios dados pelo Estado”, completou.

A deputada federal Natália Bonavides (PT) rebateu as declarações de Sargento Gonçalves dizendo que “um ataque desse vindo de um bolsonarista não surpreende”. De acordo com ela, “a direita é contra o povo”.

Para Natália, as falas do bolsonarista revelam “o preconceito histórico contra programas sociais e, principalmente, contra a população mais pobre, como se ajudar quem enfrenta dificuldades fosse um privilégio indevido e não uma obrigação do Estado”.

Já o deputado federal Fernando Mineiro (PT) disse que não há “nenhuma surpresa nesse voto e na justificativa” de Sargento Gonçalves.

“Quem o conhece sabe de que lado ele está: quando é para beneficiar os super-ricos ele apoia, mas quando se trata de beneficiar e dar autonomia ao povo ele sempre vota contra. Ele não diz que ‘as pessoas preferem receber auxilio a trabalhar’ em relação aos benefícios e subsídios dos super-ricos, por exemplo”, contrapôs o petista.

Gonçalves se opôs à Taxação de Bets, Bancos e Bilionários

Preocupado com a “dependência assistencialista” dos mais pobres, o deputado adotou ao longo do seu mandato posições contrárias a reformas que tinham como objetivo promover a justiça tributária, como a taxação dos super-ricos.

Gonçalves votou contra o PL 2337/2021, que tributa investimentos de pessoas físicas no exterior (offshores) e fundos exclusivos de alto patrimônio, visando corrigir distorções fiscais que beneficiam os mais abastados.

Ele votou pela retirada de pauta da Medida Provisória 1303/2025, conhecida como “MP da Taxação dos Bancos, Bets e Bilionários”, o que resultou na derrubada da proposta, impedindo a tributação de lucros de fintechs, fundos e apostas online, medida que visava equilibrar contas públicas sem onerar a classe média.

O bolsonarista também se posicionou contrariamente à emenda ao PLP 108/2024, que tratava da taxação sobre grandes fortunas. Embora não tenha havido registro nominal individualizado dos votos, o deputado integrou o bloco que rejeitou a inclusão de tributação progressiva sobre fortunas acima de R$ 10 milhões, mantendo isenções para os super-ricos.

Gonçalves votou contra, ainda, a regulamentação da Reforma Tributária (PEC 45/2019), aprovada em 2024, que inclui unificação de impostos, cashback para baixa renda e “imposto do pecado” sobre produtos prejudiciais, mas que também visa reduzir privilégios fiscais de setores privilegiados como agronegócio e importações de luxo.

Crítico de programas sociais, classificados por ele como medidas “assistencialistas” que tornam as pessoas “dependentes” do governo, Gonçalves usou mais de R$ 500 mil reais da verba de gabinete para custear despesas do mandato em 2025, segundo dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados.

Fonte: saibamais.jor.br

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