A governadora Fátima Bezerra (PT), em mais uma demonstração de que está empenhada em liderar a articulação política do seu grupo, reuniu-se com representantes de partidos aliados, na última segunda-feira (23), para alinhar a estratégia de olho nas eleições de 2026.
A petista reafirmou que renunciará ao cargo no início de abril para disputar uma vaga de senadora, reforçou que o candidato do partido ao mandato-tampão será o secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier e disse que está em diálogo com os deputados estaduais para assegurar a vitória na eleição indireta que será realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).
O encontro foi coordenado pela vereadora de Natal Samanda Alves, que acumula o cargo de presidente estadual do PT. Além dos petistas, a reunião contou com a presença de dirigentes do PV, PCdoB, PSB, PDT, Rede e Cidadania. O PSOL, segunda a dirigente, justificou a ausência.
O pré-candidato a governador Cadu Xavier também participou da reunião. De acordo com Samanda Alves, o partido mantém a indicação do nome dele tanto para a eleição indireta quanto para a disputa regular de outubro.
A vereadora chegou a citar que o deputado estadual Francisco do PT poderia ser o candidato do partido ao mandato-tampão, mas assegurou que “o nome que está colocado é o de Cadu Xavier”.
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Líder do governo admite que teve nome cogitado, mas reafirma que candidato do PT será Cadu
O próprio deputado, líder do governo na ALRN, já havia admitido que seu nome chegou a ser cogitado para a eleição indireta, disse que tem “compromisso com o projeto coletivo” e afirmou que “não teria a menor dificuldade” em encarar o desafio se houvesse necessidade.
O parlamentar, no entanto, enfatizou que está focado em sua pré-candidatura à reeleição à Assembleia Legislativa e que “Cadu Xavier é o nosso nome para a eleição do chamado mandato-tampão e para as eleições que se avizinham agora em 2026”.
Francisco do PT disse acreditar que, apesar de a bancada de situação não ser maioria na ALRN, “dá para ganhar” a eleição indireta.
Ele defendeu que o caminho é “o diálogo amplo com os partidos aliados”, mas pontuou que é preciso construir pontes com os parlamentares da oposição.
“Eu não vou aqui falar em números agora, porque seria muito prematuro, mas temos sim a confiança de que com muito diálogo poderemos sair vitoriosos nessa eleição indireta para elegermos alguém que possa dar continuidade ao governo da professora Fátima Bezerra, alguém que tenha compromisso com o projeto político que foi eleito em 2022 pelo povo do Rio Grande do Norte”, analisou.
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Governo tenta “viabilizar nome de consenso”, diz Cadu Xavier

Cadu Xavier comentou que o PT trabalha para “viabilizar um nome para a eleição indireta”, disse que a prioridade do partido é que esse nome seja o dele, mas não descartou a possibilidade de a legenda pode escolher outro candidato ao mandato-tampão.
O petista, no entanto, disse estar confiante que o governo sairá vitorioso desse processo: “Nós vamos esgotar esse diálogo para que ele se encerre com a eleição indireta de um candidato que seja do PT. A prioridade é que seja o meu nome, porque eu estou posto como pré-candidato ao governo, mas, se não for possível, vamos achar dentro do partido um nome de consenso”.
O governo precisa do voto de pelo menos 13 dos 24 deputados estaduais potiguares para ganhar a eleição indireta na ALRN.
De acordo com as contas dos governistas, o grupo conta atualmente com o apoio fiel de sete parlamentares. Faltariam, portanto, seis para chegar aos 13.
A governadora disse estar otimista, afirmou que as conversas com os parlamentares estavam sendo intensificadas e, ao mesmo tempo, admitiu que a situação “está em aberto ainda”.
Durante o Carnaval, Fátima foi a Caicó, na segunda-feira (16), onde se encontrou com o deputado estadual Nélter Queiroz (PSDB). No mesmo dia, a governadora esteve em Apodi com o deputado estadual Neilton Diógenes (PP).
Os dois apoiam a pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), mas estariam abertos a votar no petista Cadu Xavier na eleição indireta da ALRN.
Divisão na ALRN pode favorecer PT, aposta Samanda Alves

Samanda Alves comentou que a nova “divisão de grupos” em três blocos políticos na Assembleia Legislativa – o primeiro ligado ao governo, o segundo próximo do prefeito de Mossoró e o terceiro aliado à pré-candidatura a governador do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) – pode favorecer a eleição de Cadu Xavier.
“Existem três grupos na Assembleia Legislativa, mas nenhum deles tem maioria para eleger o governador para o mandato suplementar. Isso mostra que está a eleição em aberto. A governadora tem tomado as rédeas da articulação, tem feito diálogos com os parlamentares e está trabalhando para construir uma maioria que garanta a eleição de alguém indicado por ela para terminar o governo”, comentou.
Para Samanda, olhando de fora, “parece que o grupo ligado a Allyson Bezerra não vai querer ver alguém ligado a Álvaro Dias no Governo do Estado”.
O contrário, segundo ela, também parece ser verdade: os aliados do ex-prefeito de Natal não querem ver ninguém ligado ao prefeito de Mossoró no Governo do Estado.
“Nesse sentido, a governadora tem conversado colocando que é legítimo que o PT continue à frente do Executivo, uma vez que o vice-governador anunciou que não assumirá o cargo”, pontuou.
Walter Alves (MDB), como citou a dirigente petista, comunicou em janeiro que não assumiria o cargo após da desincompatibilização da governadora. Além disso, ele rompeu a aliança política com o PT para declarar apoio a Allyson Bezerra.
Samanda disse ainda que a governadora também continua dialogando com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que ainda não anunciou quem apoiará na possível eleição indireta nem no pleito regular de outubro.
Partidos apresentaram nomes para segunda vaga ao Senado

A respeito da composição da chapa ao Senado Federal, Samanda informou que os dirigentes do PDT, PSB e PV reafirmaram o desejo de indicar o segundo nome para fazer a dobrada eleitoral com a governadora Fátima Bezerra.
O nome mais cotado para dividir a chapa com a governadora é o do ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, que teve a pré-candidatura lançada oficialmente no início de fevereiro pelo PDT.
Jean foi primeiro suplente de Fátima em 2014 na vitoriosa campanha ao Senado. Em 2019, quando ela assumiu o Governo do Estado, ele herdou a titularidade do cargo, onde ficou até janeiro de 2023.
O espaço, no entanto, está longe de ser consenso. O PSB também reivindica protagonismo e apresentou dois nomes: o advogado, empresário e professor Luiz Gomes e o ex-prefeito de Carnaubais Luizinho Cavalcante.
Já o PV apresentou o nome do presidente estadual da legenda, Rivaldo Fernandes, como alternativa para compor a chapa com Fátima.
“Os partidos tiveram a oportunidade de colocar de que forma querem contribuir com a formação da chapa. Tivemos também uma discussão sobre a vaga de vice, a segunda vaga para senador e as duas suplências. A governadora ouviu atentamente e ficou definido que a definição será tomada por esse conjunto de partidos coletivamente”, revelou a presidente estadual do PT.
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Fonte: saibamais.jor.br



