Após ser confirmada pelo PT como pré-candidata ao Senado, a presidente estadual do partido e vereadora de Natal, Samanda Alves, relembrou o histórico de declarações “machistas” e “misóginas” do senador Styvenson Valentim (PSDB), contra quem disputará uma das duas vagas majoritárias em jogo nas eleições de 2026.
“Styvenson tem uma postura machista, misógina. Inclusive, cresceu na opinião popular a partir disso, com misoginia, em cima da governadora Fátima Bezerra”, declarou a pré-candidata em entrevista ao jornal “O Correio de Hoje”.
Samanda demarcou também que seu campo político é “bem oposto” ao do senador Styvenson Valentim, que apesar de rejeitar o rótulo de “bolsonarista”, fechou aliança com o PL do senador Rogério Marinho e do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a sua reeleição.
Essa, no entanto, não é a primeira vez que Samanda critica a postura de Styvenson Valentim. Em julho do ano passado, após o senador dizer que iria “esfregar na cara” da governadora Fátima (PT) documentos relativos à compra de laptops para as escolas da rede estadual, ela afirmou que o parlamentar faz “oposição desrespeitosa”, além de adjetivá-lo como “misógino, machista, arrogante, prepotente”.
“Ele é misógino, ele é machista, ele é arrogante, ele é prepotente e a única questão que ele tem é que diz que traz recurso pro Rio Grande do Norte e traz por causa do presidente Lula”, disse a agora pré-candidata a senadora, em entrevista à época a uma rádio local.
Na ocasião, Styvenson mais uma vez ele fez alusão à violência contras as mulheres ao citar, em vídeo publicado nas suas redes sociais, a governadora Fátima Bezerra.
Aproveitando-se da notícia de que o Tribunal de Contas da União (TCU) havia suspendido uma licitação do Governo do RN para locação de laptops para as escolas da rede estadual, o parlamentar fez ataques em tom machista, ofensas pessoais e acusações à gestora.
Em tom agressivo, ele afirmou no vídeo que “o único erro” da governadora era “existir”, acusou a gestora de se “deleitar mentindo para as pessoas” e a classificou como “incompetente, irresponsável” e alguém que “não entende nada de economicidade”.
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Styvenson relativizou agressão de policial militar a mulher
Samanda relembrou que essa não foi a primeira vez que o senador fez alusão à violência de gênero. Ela relembrou que Styvenson Valentim, ao comentar o caso de uma mulher que foi agredida por um policial militar, relativizou o ataque contra a vítima.
O episódio citado pela vereadora ocorreu em julho de 2021, no município de Santo Antônio. Ao atender uma ocorrência de violência doméstica, o policial agrediu física e verbalmente a própria vítima.
Na época, ao comentar o episódio, durante uma live transmitida em suas redes sociais, o senador disse que não sabia o que a mulher teria feito para “merecer dois tapas”.
O comentário levou a uma denúncia contra o senador no Conselho de Ética, apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT), que, ao comentar o novo ataque do senador contra a governadora, afirmou que ele “está lado a lado com o pior da política, o bolsonarismo que usa de polêmica na internet para tentar conseguir voto”.
“O senador deveria estar preocupado em explicar aos seus eleitores sua participação no orçamento secreto, a relação dele com a liberação de uma emenda para comprar asfalto de baixa qualidade que virou alvo da Controladoria Geral da União. Mas eles agem assim: fazem cortina de fumaça com declarações agressivas para se esconder da verdade”, acusou a petista.
Styvenson também debochou de agressões denunciadas pela ex-deputada Joice Hasselmann
Na mesma live, Styvenson também debochou das agressões sofridas e denunciadas à Polícia Legislativa pela ex-deputada federal Joice Hasselmann (Podemos).
O senador potiguar acusou a ex-deputada de ter cheirado cocaína e chegou a fazer menção a uma suposta traição conjugal.
A deputada federal Tereza Neuma (PSD-AL), então procuradora da Mulher, em ofício enviado à época ao ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que os comentários de Styvenson Valentim denotavam “clara incitação à violência política de gênero e atenta contra a postura exigida a um parlamentar representante do povo”.
“Esse tipo de agressão mostra a face da violência que as mulheres sofrem ao ingressar na política. Não recuaremos de continuar defendendo a autonomia e a representação política das mulheres nos parlamentos”, afirmou a ex-procuradora.
Pré-candidatura confirmada pelo PT
Na última quinta-feira (19), Samanda Alves foi confirmada pela Direção do PT-RN como pré-candidata ao Senado Federal. Ela vai substituir a governadora Fátima Bezerra, que desistiu de disputar as eleições para permanecer à frente do Executivo do RN.
A mudança de estratégia veio após o rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB), que inviabilizou o plano inicial de renúncia de Fátima Bezerra. A governadora citou que a “decisão abrupta” do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.
O partido ressaltou que o Senado Federal “terá papel decisivo na conjuntura nacional, exigindo representantes com posicionamento firme, coerência política e compromisso inequívoco com o projeto democrático e popular”.
“O Partido dos Trabalhadores reafirma a necessidade de que essa representação esteja fortemente alinhada com os interesses da classe trabalhadora e com a defesa da democracia”, diz trecho da resolução do PT.
O PT aposta que o nome Samanda Alves reúne condições de representar a “unidade partidária, a renovação política e o compromisso com a democracia, os direitos do povo e os interesses do Rio Grande do Norte”.
“A indicação da companheira Samanda expressa a confiança do PT em uma liderança comprometida com a luta social, com a construção coletiva e com a continuidade do projeto político que transformou o Rio Grande do Norte”, completa a resolução.
Fonte: saibamais.jor.br



