Desconfie da “fofoca” que você consome nas redes sociais em 2026.
Perfis que antes se dedicavam aos bastidores da vida de artistas, jogadores de futebol e celebridades vêm assumindo um novo papel. Por trás de postagens aparentemente inofensivas, contas com milhões de seguidores no Instagram estão sendo usadas para atacar o governo Lula, desgastar a imagem do presidente e promover figuras da direita e da extrema direita, como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira.
Nada disso é por acaso — e muito menos espontâneo.
Esse movimento tem sido impulsionado pelo patrocínio das chamadas bets, a avalanche de plataformas de apostas online que movimenta milhões e já deixou um rastro preocupante no país: famílias endividadas, vidas desorganizadas e um crescimento visível de problemas de saúde mental associados ao vício em jogos.
Está evidente a ligação dessas contas com lideranças políticas ligadas ao campo bolsonarista.
Perfis como Alfinetei, Babadeira e Otariano já foram apontados como parte dessa engrenagem, atuando simultaneamente na disseminação de ataques à esquerda e na promoção de lideranças da direita.
Diante disso, é preciso ter clareza: a disputa eleitoral de 2026 já começou — e ela será ainda mais dura do que a de 2022.
O cenário institucional também exige atenção. A partir de junho, o Tribunal Superior Eleitoral será presidido por Kássio Nunes, tendo como vice André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro. Isso torna o ambiente político ainda mais sensível e exige vigilância redobrada da sociedade.
Mas apenas desconfiar não basta.
É fundamental denunciar esses perfis, evitar o compartilhamento desse tipo de conteúdo e, principalmente, não contribuir para o engajamento que amplia seu alcance. Cada curtida ou repost ajuda a fortalecer essa lógica de desinformação travestida de entretenimento.
Mais do que isso, será essencial investir na conversa direta, olho no olho. É preciso dialogar com quem ainda não percebe o que está por trás dessas publicações, explicando os interesses envolvidos e contrapondo com informação de qualidade — tanto sobre os riscos da extrema direita quanto sobre as ações concretas do governo.
Daqui até outubro, não haverá espaço para ingenuidade. O que está em jogo não é apenas uma eleição, mas o próprio ambiente democrático. Ou enfrentamos essa máquina de desinformação com consciência, responsabilidade e mobilização, ou corremos o risco de ver a mentira vencer pelo cansaço.
Em 2026, mais do que nunca, informação é disputa — e omissão também é escolha.
Fonte: saibamais.jor.br




