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Operação da PF mira mercado ilegal de remédios para emagrecer; RN está na rota

A operação da Polícia Federal que mira o comércio irregular de medicamentos para emagrecimento no Brasil acende um alerta que vai além da ilegalidade. Para especialistas, o avanço dessas substâncias fora do controle médico revela um problema mais profundo: a dificuldade de acesso ao tratamento adequado da obesidade e a crescente banalização do uso dessas drogas como atalho para atingir padrões estéticos.

Deflagrada nesta terça-feira (7), a Operação Heavy Pen cumpre mandados e realiza fiscalizações em diversos estados, incluindo o Rio Grande do Norte, com foco na importação ilegal, falsificação e venda irregular de medicamentos como semaglutida e tirzepatida, indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes.

Para o endocrinologista Ricardo Pinheiros que atua no acompanhamento de pacientes com obesidade, o cenário atual mistura desinformação, pressão estética e barreiras estruturais no sistema de saúde. “Esses medicamentos têm indicação clínica bem definida, mas o que estamos vendo é uma procura crescente por pessoas que não necessariamente precisam deles do ponto de vista médico”, afirma.

Segundo a especialista, o caminho correto até o tratamento envolve avaliação criteriosa, exames e acompanhamento contínuo. “Existe uma dificuldade real de acesso. São medicamentos caros, nem sempre disponíveis na rede pública, e isso abre espaço para um mercado paralelo perigoso”, explica.

As investigações da Polícia Federal apontam justamente para essa cadeia ilegal, que vai da importação fraudulenta à comercialização de produtos sem nenhum tipo de controle sanitário. No RN, estão sendo realizadas inspeções em farmácias de manipulação, clínicas estéticas e empresas suspeitas de atuar fora das normas.

Além do risco imediato à saúde causado por produtos falsificados ou de origem desconhecida, a endocrinologista chama atenção para um efeito menos visível: o desenvolvimento de comportamentos compulsivos relacionados à busca pela magreza. “A gente começa a ver pacientes que associam o uso da medicação a uma necessidade constante de perder peso, mesmo sem indicação. Isso pode evoluir para um quadro de dependência psicológica e distorção da imagem corporal”, alerta.

Outro ponto crítico, segundo ele, é o uso dessas substâncias sem acompanhamento, o que pode levar a efeitos adversos e até ao chamado efeito rebote. “Sem mudança de estilo de vida e sem suporte profissional, o peso pode voltar, gerando um ciclo de frustração e uso repetido da medicação.”

A operação ocorre também em estados como São Paulo, Goiás, Paraná e Pará, e investiga grupos envolvidos em toda a cadeia de distribuição irregular. Entre os alvos, está inclusive a retatrutida, substância que ainda não foi liberada para uso no Brasil.

A orientação das autoridades é que a população evite adquirir medicamentos sem prescrição médica. No entanto, para além do alerta, o desafio está em equilibrar o acesso ao tratamento com o uso responsável, evitando que uma ferramenta clínica importante se transforme em mais um vetor de risco à saúde.

SAIBA MAIS:
Canetas emagrecedoras: do consultório à rotina de quem usa

Fonte: saibamais.jor.br

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