spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
Direitos da MulherProtesto contra “PL do estupro” acontece neste sábado

Protesto contra “PL do estupro” acontece neste sábado

Após uma votação acelerada na Câmara dos Deputados para conceder regime de urgência ao Projeto de Lei 1904/24, conhecido como o “PL do estupro” ou “PL do estuprador”, mulheres natalenses estão se mobilizando para protestar contra a proposta. A manifestação está agendada para às 14h deste sábado (15) no Midway Mall.

O regime de urgência foi aprovado na última quarta-feira (12), em uma votação relâmpago que durou apenas alguns segundos. O texto do projeto equipara o aborto em gestações acima de 22 semanas ao homicídio. A autoria da matéria é do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), co-assinada por outros 32 parlamentares.

Para a advogada Suelen Gil, do Observatório de Direitos Sexuais e Reprodutivos do Rio Grande do Norte, o PL 1904/2024 coloca em risco um direito garantido há décadas. Ela explica que o aborto nos casos de gravidez resultante de estupro e de risco de vida para a gestante é permitido desde 1940 no Código Penal. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade da interrupção da gestação quando o feto tem anencefalia.

“Porém, caso esse projeto de fato se torne uma lei, o aborto será absolutamente proibido no Brasil e criminalizado, sem exceções, a partir de 22 semanas de gestação. Ou seja, meninas e mulheres estupradas sofrerão processos penais caso abortem após esse limite de tempo”, diz.

A advogada ressalta que, na maioria dos casos, o aborto é realizado após as 22 semanas, devido a vários fatores, incluindo a dificuldade em acessar o procedimento, que geralmente só está disponível na rede pública de saúde.

Além disso, Suelen Gil aponta que poucos serviços de saúde estão habilitados para oferecer o procedimento no país e que é comum que cada unidade de saúde formule suas próprias regras, exigindo documentos dispensados por lei ou denunciando o estupro para as autoridades policiais, mesmo sem o consentimento da vítima, que é essencial.

O protesto foi organizado a partir de uma reunião online realizada nesta quinta-feira (13), com a participação de diferentes entidades e organizações. Movimentos como o Movimento de Mulheres Olga Benário, PSOL, MRT, integrantes do PT, Observatório de Direitos Sexuais e Reprodutivos do Rio Grande do Norte, sindicatos, entre outros, estão convocando para o ato.

“Diversas organizações e movimentos sociais estão se unindo para este ato de resistência. É fundamental que todas e todos que defendem os direitos das mulheres estejam presentes e se manifestem contra essa tentativa de retrocesso”, conclui Suelen Gil.

Entenda

Hoje, o aborto no Brasil é permitido em três casos: risco de vida à gestante, em caso de estupro e em caso de anencefalia do feto (má formação cerebral). 

Se a mulher provoca a interrupção da gravidez fora dessas possibilidades ou consentir que o provoque, o Código Penal prevê pena de 1 a 3 anos em regime semiaberto ou fechado. A pena vai de pena de 1 a 4 anos em regime fechado se alguém provocar um aborto com o consentimento da gestante. Já se a ação for feita sem o consentimento da gestante, a pena vai de 3 a 10 anos em regime fechado. Há ainda possibilidade das penas serem aumentadas em um terço se, durante o processo abortivo, a gestante sofrer uma lesão corporal grave. A pena é duplicada se levar à morte.

No texto de Sóstenes Cavalcante, com o apoio de outros deputados, o objetivo é mudar o Código Penal para aumentar a pena às pessoas que fizerem aborto quando houver viabilidade fetal, presumida em gestações acima de 22 semanas. Neste caso, as penas serão aplicadas conforme o delito de homicídio simples, que pode chegar a 20 anos. Atualmente, no Código Penal, não há punição ao aborto em caso de estupro, assim como não prevê restrição de tempo para a interrupção neste caso.




- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Matérias Relacionadas

Bloco dos Poetas celebra 21 anos nas ruas

O que começou como uma brincadeira entre amigos, inspirada...

Prefeitura extingue três feiras livres em Natal

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) decidiu, por...

Rogério Marinho diz que “faltou palanque a Bolsonaro em alguns estados” em 2022

Rogério Marinho (PL) deixou a pré-campanha que construía até...

Desova rara de tartarugas-de-pente é registrada em Nísia Floresta

Uma cena pouco comum foi registrada no litoral potiguar...

jovem potiguar transforma relação conturbada em livro

A decisão de transformar uma experiência íntima em livro...

Mandato-tampão para governador já ocorreu em Alagoas e pode ter no RJ

Assim como o Rio Grande do Norte, o Rio...

Ceramista vence prêmio nacional com obra inspirada no mar de Pipa

A Praia da Pipa, em Tibau do Sul, é...

Surtos de ciguatera envolvem 36 pessoas no RN; Sesap investiga

A Secretaria da Saúde Pública do Rio Grande do...

Águas bentas, amizades benditas

Naquela calçada de cimento cru, onde a tarde se...
- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img