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AtualizaçõesDocumentário resgata trajetória de mulheres que construíram o forró

Documentário resgata trajetória de mulheres que construíram o forró

A narrativa dominante sobre o forró costuma reverberar nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. Mas a história do gênero, construída em palcos, rádios e bastidores, é muito mais ampla do que o imaginário popular costuma registrar. É justamente nesse ponto que o minidocumentário A história das mulheres no forró finca os pés. O desejo de revelar a presença constante, pioneira e decisiva das mulheres na formação desse patrimônio musical brasileiro.

Com 55 minutos de duração e produção independente assinada pelo Igoarias Musicais, o filme está disponível gratuitamente no YouTube e dedica atenção especial às protagonistas potiguares que ajudaram a impulsionar o forró dentro e fora do Rio Grande do Norte.

Entre elas está Ademilde Fonseca, nascida em São Gonçalo do Amarante e reconhecida nacionalmente como “rainha do choro”. Apesar da consagração no gênero, Ademilde também figura entre as primeiras mulheres da indústria fonográfica brasileira a gravar composições que dialogavam com a matriz do forró e do ritmo nordestino, ainda na década de 1950. Sua carreira ajudou a pavimentar caminhos para outras intérpretes, rompendo barreiras de gênero em um mercado amplamente masculino.

Outra voz que ecoa no filme é a da mossoroense Hermelinda Lopes, ícone da música potiguar. Integrante do Trio Mossoró ao lado dos irmãos Carlos André e João Mossoró, Hermelinda foi uma das responsáveis por levar o repertório do sertão potiguar a circuitos nacionais. Posteriormente, seguiu carreira solo e reforçou a presença feminina em um cenário historicamente dominado por homens, com timbre marcante e forte presença cênica.

O minidocumentário também resgata o papel de Terezinha de Jesus, figura fundamental para a inserção do xote e do baião no circuito da MPB produzida no estado. Junto a ela, nomes como Fátima Mello e Deusa do Forró completam o mosaico de artistas potiguares que abriram espaço para novas gerações de cantoras, compositoras e instrumentistas.

“Como mulher, esse momento de ser protagonista no movimento do forró, onde há uma forte predominância masculina, é um orgulho e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Mas sigo em frente, passando por cima de tudo igual a um trator na defesa do meu Forró de Raiz”, defende Iranilda Albuquerque, a Deusa do Forró, sobre defender um legado feminino no gênero musical.

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Além das potiguares, a produção entrevistou pesquisadoras, forrozeiras e instrumentistas de diversas regiões do país. Entre elas, a jovem Anne Louise, de apenas 20 anos, primeira sanfoneira profissional da história de Roraima, e a recifense Joyce Alane, um dos principais nomes da nova MPB nordestina, que lançou recentemente o álbum Casa Coração, dedicado a releituras de clássicos forrozeiros. “Eu quis dar uma repaginada de forma muito respeitosa, honrando minhas raízes e valores ao forró”, afirmou a artista, que já acumula parcerias com João Gomes, Dorgival Dantas e Santana, o Cantador.

Para o diretor Igor Marques, a pesquisa por trás do projeto surpreendeu até mesmo a equipe:

“Eu consegui reunir mais de 110 nomes, mas o número real é muito superior”, afirmou. “O mais impactante foi perceber que elas são as personagens principais não só na música, mas também nos bastidores”.

O documentário também destaca a presença das mulheres na salvaguarda do forró como patrimônio cultural. É o caso de Joana Alves, liderança fundamental no movimento que culminou no reconhecimento do forró como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN, em 2021. O filme ainda menciona o trabalho de Marizete Nascimento, fundadora da Associação Asa Branca em Salvador, e de Tereza Accioly, presidente da Sociedade dos Forrozeiros Pé-de-serra em Pernambuco, mulheres que atuam na preservação, na memória e na continuidade do gênero.

Resultado de uma investigação sensível e rigorosa, o minidocumentário dá nome, rosto e trajetória a mulheres que sustentaram, reinventaram e expandiram o forró. A obra busca reafirmar o papel feminino como eixo vital de uma das expressões culturais mais fortes do Nordeste. Confira na íntegra:

Fonte: saibamais.jor.br

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