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Protesto cobra respostas sobre morte de paciente na UPA por erro de medicação

Parentes, amigos e apoiadores de Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, realizaram um protesto na manhã desta quinta-feira (15) em frente à Unidade de Pronto-Atendimento do Potengi, na Zona Norte de Natal. A mobilização teve como objetivo cobrar esclarecimentos, transparência e responsabilização pela morte da jovem, ocorrida no último dia 5 de janeiro, após um erro na administração de medicamento dentro da unidade de saúde.

Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes afirmaram que a família ainda enfrenta dificuldades para obter informações claras sobre o que aconteceu durante o atendimento prestado à paciente e quais providências estão sendo adotadas pelas autoridades de saúde. Segundo os parentes, Gabriely permaneceu 19 dias internada após passar pela UPA, período marcado por incertezas e ausência de respostas consistentes.

A mãe da jovem, Aline Nascimento, destacou que o protesto é uma tentativa de impedir que o caso caia no esquecimento. Para ela, a dor da perda é agravada pela falta de esclarecimentos oficiais. “Eu não quero que a morte da minha filha seja apenas mais uma estatística. A gente quer saber exatamente o que aconteceu e quem é responsável. Até agora, só encontramos silêncio”, afirma.

De acordo com os familiares, o estado de saúde de Gabriely se agravou logo após a medicação recebida na UPA Potengi, o que motivou a internação prolongada em um hospital particular por meio de pactuação com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal. Desde então, a família acompanha o caso e cobra uma apuração rigorosa dos fatos.

O episódio ganhou repercussão após o Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte informar que houve troca de medicamentos no atendimento à paciente. Gabriely havia dado entrada na unidade no dia 16 de dezembro com sintomas gripais e, conforme apurado, teria recebido Succinilcolina, um relaxante muscular utilizado, principalmente, em procedimentos de entubação. A administração desse tipo de medicamento, fora das indicações adequadas, pode provocar graves complicações, incluindo parada cardiorrespiratória.

Além do Coren, o Conselho Regional de Farmácia do RN também realizou fiscalização na UPA Potengi ainda em dezembro. Segundo o presidente da entidade, Joselito Rangel, a prescrição médica indicava o uso de Succinato de Hidrocortisona, na dosagem de 100 mg. No entanto, o medicamento efetivamente dispensado e aplicado foi o Succinil Colin, cloridrato de suxametônio, também na dosagem de 100 mg, conforme confirmado pela responsável técnica da farmácia da unidade.

Diante da gravidade do caso, o Coren abriu um procedimento interno para apurar a atuação dos profissionais envolvidos e as condições de trabalho na UPA. Uma Comissão de Ética foi constituída e irá avaliar se a investigação resultará em processo ético, o que pode levar, em última instância, à cassação do registro profissional.

O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Saúde do Rio Grande do Norte também se posicionou publicamente. Em nota e em declarações, a direção da entidade lamentou a morte da jovem e voltou a denunciar a precariedade das condições de trabalho na rede pública de saúde. Segundo o sindicato, problemas como sobrecarga de profissionais, falta de insumos, déficit de pessoal e vínculos de trabalho fragilizados criam um ambiente propício a falhas graves.

Para o dirigente sindical João Assunção, o episódio evidencia um cenário que vem sendo alertado há anos. Ele afirma que, além da família enlutada, a profissional envolvida no atendimento também sofre consequências psicológicas permanentes. O sindicato cobra respostas dos gestores e defende o acompanhamento do caso pelo Ministério Público, como forma de evitar que situações semelhantes se repitam.

Enquanto as investigações seguem em curso, a família de Gabriely afirma que continuará cobrando justiça e respostas. Para os parentes, o protesto em frente à UPA Potengi é apenas uma das formas de manter o caso visível e pressionar as autoridades para que a morte da jovem não seja tratada como um erro isolado, mas como um alerta sobre as fragilidades do sistema de saúde.

SAIBA+
Morre paciente internada após troca de medicação em UPA; servidores seguem afastados

Fonte: saibamais.jor.br

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