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Surtos de ciguatera envolvem 36 pessoas no RN; Sesap investiga

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A Secretaria da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) divulgou nesta sexta-feira (23) que investiga cinco surtos de ciguatera no estado, envolvendo 36 pessoas. A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas.

A pasta não divulgou maiores informações sobre esses casos, mas lançou uma nota técnica com orientações. Segundo a Sesap, a intoxicação por ciguatera é a forma mais comum de intoxicação não bacteriana associada ao consumo de peixes marinhos, com estimativas globais que variam entre 50.000 e 500.000 casos anuais, reconhecidamente subnotificados. Embora apresente baixa letalidade (inferior a 1%), a doença está associada a elevada morbidade, podendo ocasionar sintomas persistentes por semanas, meses ou, em determinados casos, por anos.

Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.

Não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico. 

Intoxicação

As toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.

As ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.

Recomendações

As principais recomendações à população são: procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária; e evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.

Casos

No Rio Grande do Norte, o primeiro surto confirmado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda). 

Em 2023, foram notificados quatro surtos, envolvendo 11 pessoas, relacionados ao consumo de barracuda/bicuda, cioba e guarajuba. Em 2024, foram registrados um surto, afetando três pessoas, e um caso isolado, totalizando quatro pessoas adoecidas, associadas ao consumo de barracuda e guarajuba. 

Já entre fevereiro e maio de 2025, identificaram-se três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado, com resultados laboratoriais positivos para ciguatoxina caribenha em algumas espécies.

Na série histórica de casos de intoxicação registrados entre 2022 e 2025, foram notificados surtos e casos isolados envolvendo diferentes espécies de peixes, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas. No período avaliado, foram contabilizados 77 casos notificados de intoxicação exógena, abrangendo surtos confirmados e eventos ainda em investigação.

Fonte: saibamais.jor.br

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