Em seu terceiro ano consecutivo, o Foi-se o Bloquinho? volta a ocupar as ruas de Natal no Carnaval de 2026 reafirmando uma proposta que combina festa, cultura popular e posicionamento político. O bloco desfila mais uma vez em Ponta Negra e promove, no próximo sábado (7), a partir das 17h, o tradicional baile carnavalesco no Ô Fuxico Bar, localizado na Rua Praia do Sagi, 2074, em frente à Árvore de Natal do bairro. A programação reúne frevo, samba e música popular brasileira, com expectativa de público em torno de 200 foliões.
Criado em 2024 por militantes de movimentos sociais, o Foi-se o Bloquinho? surgiu do desejo de vivenciar o carnaval de rua como espaço de encontro, engajamento e diálogo. Para Jan Varela, um dos coordenadores do bloco, o crescimento ao longo das edições é perceptível. “O amadurecimento é visível em vários níveis. O Foi-se o Bloquinho? nasceu formado por militantes do movimento social que buscavam uma forma de viver o carnaval de rua de Natal, envolver mais pessoas e promover um espaço de diálogo”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo ele, o carnaval sempre foi entendido pelo grupo como sinônimo de participação e mobilização. “Hoje, no terceiro ano, o bloco tem identidade consolidada, público fiel e uma proposta clara”, completa.
Jan destaca ainda que a experiência acumulada ajudou a aprimorar a organização e a relação com a cidade. “Aprendemos a dialogar melhor com a cidade e seus atores e, principalmente, a entender que o carnaval também é espaço de escuta, formação simbólica, disputa de ideias e construção coletiva”, avalia.
A edição de 2026 tem como tema o legado de Gilberto Gil, escolha que, segundo os organizadores, dialoga diretamente com a identidade política e cultural do bloco. Arthur Varela explica que o artista representa uma síntese entre música, pensamento crítico e liberdade. “Gil representa como poucos a junção entre cultura popular, pensamento político e liberdade criativa. Sua obra atravessa mais de seis décadas defendendo a democracia, a diversidade e a soberania cultural”, afirma. Para ele, a homenagem também funciona como posicionamento. “Escolhê-lo como tema é afirmar que o Foi-se o Bloquinho? bebe dessa mesma fonte, entendendo a cultura como instrumento de transformação social, sem dogmatismo, com alegria e inteligência.”
A curadoria musical reflete essa proposta ao reunir frevo, samba e MPB. A programação começa com a Banda Vinil Elétrico, que apresenta clássicos do carnaval brasileiro, seguida por uma orquestra de frevo que percorre as ruas de Ponta Negra. Arthur explica que as escolhas musicais partem da memória afetiva da folia. “O critério principal é promover uma escuta direta da rua e da memória do carnaval brasileiro. O frevo e o samba fazem o corpo se mover, enquanto a MPB traz reflexão, poesia e contexto social”, diz. “A ideia é provocar uma experiência que faça dançar e pensar ao mesmo tempo.”
Levar o bloco às ruas envolve desafios estruturais importantes. Jan Varela aponta que o principal deles é garantir a viabilidade de uma festa gratuita e aberta. “O maior desafio é o financiamento para fazer uma festa sem bilheteria, com qualidade e num ambiente confortável”, explica. Segundo ele, a venda de camisas é o principal instrumento de arrecadação para custear músicos, equipe de apoio e logística. “Por sermos um bloco de rua com perfil progressista, precisamos oferecer a melhor experiência possível aos foliões, e o apoio de empresas e entidades tem sido fundamental”, ressalta.
Além da questão financeira, Jan destaca um desafio político-cultural. “Existe também o desafio de ocupar a rua sem cair na lógica do ‘mais do mesmo’, mostrando que é possível fazer carnaval com identidade, organização, posicionamento e profissionalismo, mesmo com recursos limitados”, afirma.
Os valores progressistas e democráticos do Foi-se o Bloquinho? se expressam, segundo os organizadores, na prática da festa. “Eles aparecem na forma como o bloco se organiza e se apresenta: um espaço plural, aberto, sem exclusões, que respeita as diferenças e valoriza a diversidade”, afirma Jan. “Isso está no repertório, na linguagem visual, na convivência entre as pessoas e na defesa explícita da democracia e da cultura popular.”
Para Arthur Varela, a expectativa é que o público leve mais do que a lembrança da festa. “Esperamos que nosso baile seja um momento de reafirmação de que a cultura popular é poderosa e que é possível defender ideias democráticas com alegria, afeto e criatividade”, diz. “Que as pessoas saiam com a sensação de pertencimento e com a certeza de que o Brasil que queremos construir também passa pela música, pela festa e pelo encontro no meio do povo.”
Serviço
Baile do Foi-se o Bloquinho?
7 de fevereiro, sábado, a partir das 17h
Local: Ô Fuxico Bar
SAIBA+
Carnaval 2026: ensaios e prévias de blocos já movimentam Natal; confira
Fonte: saibamais.jor.br



