A Arquidiocese de Natal já iniciou oficialmente a edição 2026 da Campanha da Fraternidade. O lançamento ocorreu na manhã da Quarta-feira de Cinzas (18), durante missa na Catedral Metropolitana de Natal, presidida pelo arcebispo Dom João Santos Cardoso. Neste ano, a campanha tem como tema Fraternidade e Moradia e lema bíblico “Ele veio morar entre nós (Jo 1,14)”. A proposta amplia o debate sobre o direito à habitação para além da existência física de uma casa, abordando também estabilidade familiar, dignidade e inclusão social.
De acordo com o coordenador arquidiocesano da campanha, padre Rodrigo Paiva, as paróquias terão papel central na mobilização. “Durante o período da Campanha da Fraternidade é muito propício que as paróquias assumam as duas colunas principais: primeiro a conscientização, entender por que o tema, e depois a busca de soluções concretas”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.
Na prática, a arquidiocese pretende ampliar a formação dos fiéis por meio de encontros presenciais, materiais catequéticos e conteúdos digitais. “Vamos intensificar a formação nas paróquias, preparar podcasts e promover círculos de conversa, principalmente com jovens, escolas e instituições sociais, para que haja espaços reais de reflexão”, explicou o sacerdote.
Além da conscientização, a campanha pretende aproximar a população de políticas habitacionais. “Queremos estreitar caminhos para que os incentivos sociais cheguem a quem precisa, como programas habitacionais e acesso ao crédito para moradia”, disse.
As comunidades também deverão levantar dados sobre a própria realidade local. “Cada paróquia é chamada a conhecer seu território: quantos moram ali, em que condições vivem, qual é a consciência de moradia existente”, acrescentou.
O padre destaca que o tema não se limita à falta de casa. A campanha inclui problemas urbanos e sociais mais amplos. “Não estamos observando somente o fato de ter ou não ter habitação. Entram em jogo moradores em situação de rua, famílias desabrigadas, especulação imobiliária, despejos e até a necessidade de reformas estruturais no campo e na cidade”, afirmou.
Ele também aponta uma dimensão humana da discussão. “Há casas que existem fisicamente, mas não cumprem o papel de cuidado, não são acolhedoras nem inclusivas. A moradia também envolve relações familiares e dignidade”, disse.
A temática já apareceu na campanha nos anos 1990, mas retorna agora com abrangência maior. “Trazer esse tema é dar visibilidade a um problema social urgente que impede estabilidade e progresso na vida das pessoas”, avaliou.
Segundo o coordenador, a iniciativa pretende estimular ação conjunta entre Igreja e sociedade. “Nosso objetivo é refletir e apontar soluções para a problemática da moradia, para que todos tenham o direito assegurado a uma moradia digna”, concluiu.
O Rio Grande do Norte registrou 3.345 pessoas em situação de rua em 2025, mais que o dobro de 2020, quando eram 1.597. O crescimento foi de 109,4% em cinco anos. Apenas em Natal vivem 2.103 pessoas nessa condição, cerca de 62,8% do total estadual, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua.
A Igreja Católica considera a casa elemento essencial para segurança, saúde, educação e desenvolvimento humano, razão pela qual a campanha busca mobilizar comunidades, poder público e sociedade civil ao longo de todo o período quaresmal.
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Fonte: saibamais.jor.br
