As equipes da Defesa Civil do Rio Grande do Norte e de Natal interditaram novas residências e encontraram casas em condições insalubres, com presença de alta umidade, na região em que houve o transbordamento da lagoa de captação do Jardim Primavera, na Zona Norte da capital.
Os agentes da Defesa Civil estiveram no local para uma vistoria na manhã desta quinta-feira (19) e visitaram parte dos imóveis afetados. Os profissionais constataram a necessidade de interdição de outros imóveis, além daqueles já interditados pela Defesa Civil Municipal, por problemas estruturais e sanitários. A Defesa Civil do RN não soube informar o número exato de imóveis nesta situação.
O engenheiro civil que integra a equipe da Defesa Civil Estadual verificou, durante a inspeção conjunta, que a maioria das casas interditadas nesta quinta-feira apresentavam condições insalubres por conta da alta umidade.
“Algumas casas estavam com risco estrutural, essas foram interditadas, outras casas estavam em situação insalubre, com uma alta umidade dentro da residência e também estavam impossibilitadas de serem reocupadas. Outras residências foram vistoriadas e liberadas para a reocupação”, explica o coordenador da Defesa Civil do RN, tenente-coronel Alexandre Fonseca.
Segundo o tenente-coronel, não foi possível precisar exatamente se a alta umidade ocorreu devido ao transbordamento.
“Tem que avaliar realmente cada residência de forma individual, porque a causa dessa alta umidade pode ser o transbordamento da lagoa ou outra causa complementar. Mas de antemão, passando alguns dias sem chuva e fazendo a limpeza da residência, outras residências podem ser reocupadas com a devida limpeza”, afirma.
Ainda segundo o coordenador da Defesa Civil Estadual, em algumas casas não foram encontrados moradores durante a vistoria, então as equipes só puderam fazer o trabalho nas residências onde havia pessoas.
De acordo com Alexandre Fonseca, a Defesa Civil Municipal finalizou a primeira etapa da ação conjunta com a Defesa Civil Estadual e agora segue trabalhando sob demanda. Em caso de necessidade, a população pode ligar pelo telefone 190, do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp).
Transbordamento
A lagoa de captação do Jardim Primavera, no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, transbordou e afetou moradores, deixando cerca de 160 famílias desalojadas. Um dos fatores que contribuíram para o extravasamento da lagoa é a obra da Rua José Luís da Silva. A intervenção segue em andamento, com previsão de conclusão para o mês de abril.
Em 11 de fevereiro, com as fortes chuvas, a governadora Fátima Bezerra (PT) entrou em contato com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), para prestar apoio e colaboração. No mesmo dia, Paulinho chegou a reconhecer que os alagamentos foram “culpa da Prefeitura”.
Saiba Mais: “A culpa é da Prefeitura”, reconhece prefeito de Natal sobre alagamentos na Zona Norte
Um dia antes disso, o prefeito atacou a oposição após críticas de parlamentares e protestos da população. No pronunciamento, Paulinho classificou as críticas feitas por deputados e vereadores da oposição como “oportunismo” e aproveitou para elogiar parlamentares aliados por enviar emendas para a infraestrutura do município.
Na noite da quinta-feira (12), voltou a publicar um vídeo nas redes sociais, desta vez atacando a deputada federal Natália Bonavides (PT) e a acusando de fazer “proselitismo político” por ajudar as vítimas dos alagamentos na Zona Norte de Natal. Em resposta, a parlamentar disse que o prefeito “deveria se concentrar em trabalhar para resolver o problema dos alagamentos.”
Saiba Mais: Natália rebate prefeito de Natal e cobra solução para alagamentos
Com a situação ainda não controlada totalmente, uma campanha financeira foi aberta para ajudar os moradores da região do Jardim Primavera, que necessitam de itens como móveis usados, roupas, cobertores, alimentos, além de ração para animais. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também realizou uma ação solidária na noite da quinta-feira (12) com a distribuição de 1,5 tonelada de alimentos às famílias.
Em outra frente, desta vez do próprio Executivo, a Prefeitura informou que já distribuiu aproximadamente 11 mil refeições, entre café da manhã, almoço e jantar, desde o início das ações.
Também foram realizados 861 cadastros familiares, além de mais de 8 mil orientações sociais prestadas à população. Na área da saúde, foram contabilizados mais de 328 atendimentos médicos, além de atendimentos psicológicos e atividades voltadas às crianças da comunidade.
A atuação integrada também incluiu vistorias da Defesa Civil, resgates de pessoas e animais ilhados pelo alagamento e ações de infraestrutura para retirada de água acumulada e limpeza das áreas atingidas.
Na quarta-feira (18), as equipes da Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Semtas) concluíram a etapa de atendimentos concentrados na Escola Municipal José Frazão, local que desde o dia 11 funcionou como Centro de Atendimento e Acolhimento às famílias afetadas pelas chuvas.
Com o encerramento das atividades na escola, o trabalho entra agora em uma nova fase. As equipes passam a atuar diretamente nas ruas da comunidade, realizando visitas domiciliares, escuta ativa e encaminhamentos individualizados dentro da rede socioassistencial do município.
Fonte: saibamais.jor.br
