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Fim da escala 6×1 gera efeito positivo na economia, diz supervisor do Dieese no RN

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Foto: Arquivo/Assecom

Debate acalorado que tomou conta do Brasil e causa reações divergentes entre trabalhadores e setores empresariais, o fim da escala 6×1 tem condições de gerar mais empregos e um efeito positivo na economia. É o que defende o economista José Ediran Teixeira, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Rio Grande do Norte.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal retomam os trabalhos nesta segunda-feira (23), e o fim da escala 6×1 deve movimentar o Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que vai pautar o debate do fim da escala 6×1 e despachou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 9 de fevereiro. Após a análise do texto pelo colegiado, a proposta será encaminhada para debate em uma comissão especial da Casa.

“O fim da 6×1 só vale a pena com redução da carga horária”, afirma Ediran Teixeira. Ele diz isso porque existe uma contraproposta patronal de manutenção das 44 horas semanais, ou seja, de trabalhar cinco dias, mas com carga horária de nove horas diárias durante quatro dias.

“Mas nós que defendemos os trabalhadores e queremos o fim da escala 6×1 queremos a redução da jornada com a manutenção dos salários. Porque a gente entende que onde isso foi implantado e é realidade, como na França, vai gerar mais emprego. Isso afeta em grande parte a produtividade do ponto de vista mais positivo, porque o trabalhador vai ter mais tempo para descansar e reproduzir a força de trabalho”, aponta o economista.

Uma pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros  apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário. A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, ouvindo 2.021 cidadãos acima de 16 anos de idade.

Foto: Arquivo/Assecom

Mais horas para ficar com a família, ter lazer e cuidar da saúde são alguns dos principais argumentos usados por quem apoia o fim dessa escala. O governo brasileiro ainda não tem números exatos de quantas pessoas trabalham sob a escala 6×1, mas o Ministério do Trabalho e Emprego está levantando esses dados e deve divulgar as informações até o meio deste ano.

No Brasil, a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais foi estabelecida em 1932 para os setores do comércio e da indústria. Dois anos depois, a Constituição de 1934 estendeu esse limite a todos os setores da economia. Já a Constituição Federal de 1988, depois de intenso debate, diminuiu o limite semanal para 44 horas. Isso significa que o Brasil está há quase um século com o sistema de 8 horas diárias de trabalho e há 37 anos com o de 44 horas semanais. Em nota técnica divulgada em setembro de 2025, o Dieese afirmou que, considerando os avanços produtivos e organizacionais ocorridos desde então, já existem condições para restringir de forma significativa tanto a jornada diária quanto a semanal de trabalho.

“A luta dos trabalhadores é redução da carga horária, da jornada, fim da escala 6×1 e a entrada para uma escala 5×2, olhando para a questão do trabalho decente e para a questão das políticas de saúde e segurança do trabalho, em que a OIT [Organização Internacional do Trabalho] já tem vários temas que abordam isso. E o Dieese está no dia a dia olhando o mercado de trabalho, olhando como está se comportando a questão do desemprego e da ocupação”, ressalta o economista Ediran Teixeira.

Desafios com o Congresso

Ediran Teixeira enxerga um desafio posto na relação entre o governo federal e o Congresso Nacional. “Os trabalhadores conseguiram eleger um presidente progressista, mas não conseguiram eleger um Congresso que seja progressista também”, aponta. 

Por isso, diz ele, as eleições de 2026 surgem num momento crucial.

“Os trabalhadores precisam urgentemente entender que eles precisam ter representantes lá que defendam as pautas dos trabalhadores. Então, esse ano é crucial. Tem que renovar o Congresso, a bancada federal e o Senado. E os trabalhadores têm que estar atentos a isso, porque senão a pressão da direita vai continuar muito forte, como está hoje no parlamento, e a tendência é que as pautas progressistas não sejam aprovadas, como está aí a própria escala 6×1, há muito tempo sendo pautada, e eles não colocam em votação, como também eles querem colocar em votação a reforma administrativa que tira direito dos servidores públicos”, comenta.

Mercado de trabalho aquecido no RN e Brasil

No Brasil, a taxa de desemprego caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O resultado indica que cerca de 5,5 milhões de pessoas buscaram trabalho nos três últimos meses do ano, em um mercado que chegou ao recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em 30 de janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foto: Arquivo/Assecom

Já no Rio Grande do Norte, o mercado de trabalho formal encerrou o ano de 2025 com desempenho positivo, registrando a criação líquida de 15.870 empregos com carteira assinada. O resultado é fruto de 257.414 admissões e 241.544 desligamentos ao longo do ano, conforme dados consolidados no Boletim de Empregabilidade elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec).

“Nós estamos com as menores taxas de desemprego histórica. Isso advém muito das políticas públicas do governo federal. Melhora o retorno do ganho real do salário mínimo, a questão do PAC, que incentiva as obras e aí são mais recursos no mercado para as obras estruturantes, e com isso gera mais emprego”, explica Teixeira. 

“Você vê que a construção civil é um dos setores que está mais impulsionado. Isso significa que as obras estão em pleno vapor e que o mercado tem que estar se aquecendo. E com isso se aquece a indústria em geral, o que aumenta a quantidade de renda no mercado. E o setor de serviço também é muito beneficiado e, consequentemente, a arrecadação dos governos. Então, tem todo um ciclo econômico virtuoso que está acontecendo. Aliado a isso, as políticas sociais, como de Bolsa Família, Pé de Meia, que tem injetado mais recursos na economia e é uma forma de distribuir renda também”, continua.

Fonte: saibamais.jor.br

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