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AtualizaçõesAllyson é perigoso para a política e democracia, diz vereadora Marleide Cunha

Allyson é perigoso para a política e democracia, diz vereadora Marleide Cunha

Uma das vozes mais contundentes contra o prefeito Allyson Bezerra (União) na Câmara Municipal de Mossoró, a vereadora Marleide Cunha (PT) critica o prefeito mossoroense e afirma que seu perfil é “o que tem de mais perigoso para a política e para a democracia”. Cunha, professora com atuação no sindicalismo, diz que a Casa legislativa tem atuado como um “puxadinho” da Prefeitura e não como um poder independente. Para 2026, a parlamentar projeta uma candidatura a deputada federal. O objetivo, afirma, é levar um representante da cidade de volta a Brasília e ampliar a base de Lula no Congresso, caso o presidente seja reeleito.

Marleide Cunha conversou com a Agência Saiba Mais por telefone na quarta-feira (25). Na entrevista, a vereadora disse que tem feito um trabalho em defesa da classe trabalhadora na Câmara. 

“Eu tenho muito orgulho do trabalho que eu tenho conseguido desempenhar na Câmara Municipal, porque é um trabalho que é bem avaliado pelo povo, um trabalho que é realmente comprometido com as expectativas do povo de Mossoró, que sabe da nossa dedicação à defesa dos direitos direitos da classe trabalhadora, em defesa da saúde pública de qualidade e especialmente em defesa da educação pública de qualidade”, afirma Marleide.

Atuando desde o início sob o governo Allyson, que hoje é pré-candidato a governador, ela diz que tem buscado fiscalizar o Executivo, cobrar a solução dos problemas e denunciar aquilo que considera errado. 

“A gente vê na gestão Allyson Bezerra muita manipulação da informação e falta de transparência, é tanto que praticamente todos os nossos requerimentos de informação são derrubados pela bancada do prefeito”, critica. Os dos motivos, diz, é que a Câmara atua como uma “secretaria legislativa” ou um “puxadinho” da Prefeitura.

“Como o prefeito tem a maioria dos vereadores, que são aliados a ele, o prefeito domina totalmente o que vai ser votado, o que vai ser aprovado, o que pode ser alterado e o que não pode ser alterado nos projetos de lei da Câmara Municipal. Então, é, a gente fica muito triste com isso.” 

Prefeito alvo da Polícia Federal

Em janeiro, Allyson Bezerra foi um dos alvos da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União. O objetivo foi desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde no Rio Grande do Norte. O prefeito de Mossoró foi um dos alvos de busca e apreensão. A vereadora diz que não ficou surpresa com a operação, e acredita que o prefeito ainda deveria ser investigado por outras ações.

Saiba Mais: Acusado de receber propina, Allyson nega ter controle sobre gastos de Mossoró

“Nós vemos aqui em Mossoró constantemente as obras sendo aditivadas com valores altíssimos e sem explicação nenhuma. Tem várias denúncias que precisam ser apuradas pelo Ministério Público e dadas prosseguimentos na investigação”, aponta.

Ela destaca que, na terça (24), quatro requerimentos de informações simples foram derrubados. Os pedidos solicitavam os contratos das empresas investigadas, os processos licitatórios e a quantidade de medicamentos adquiridos.

Saiba Mais: PF apura quem é “Fátima” citada em esquema de propina na Prefeitura de Mossoró

“Não existe transparência de fato na Prefeitura de Mossoró. A gente tem sempre que buscar a Lei de Acesso à Informação”, explica.

A oposição chegou a anunciar que iria buscar a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão do prefeito Allyson Bezerra. O documento reúne cinco assinaturas — de sete necessárias para que a CEI seja instaurada. Esses outros apoios, contudo, não foram obtidos até o momento.

Saiba Mais: Oposição articula CEI para investigar gestão Allyson em Mossoró

“Ou seja, é para esconder mesmo do povo o que acontece em Mossoró e manipular a opinião pública, porque as pessoas do Rio Grande do Norte só conhecem a gestão Allyson Bezerra a partir dos vídeos, dos blogs que ele controla e dos vídeos muito bem produzidos, sempre com um apelo emocional muito forte que faz com que o povo seja manipulado”, critica Marleide.

Câmara Federal

Além das eleições como vereadora em 2020 e 2024, Marleide também disputou a eleição para a Assembleia Legislativa em 2022, ficando na suplência. Para este ano, o desafio é a Câmara Federal, em Brasília. A parlamentar afirma que o município precisa de uma representação no Congresso Nacional. Segundo ela, é preciso apresentar uma candidatura comprometida “com o projeto de desenvolvimento desse país que dê trabalho, renda, dignidade para o povo brasileiro.”

“Nós precisamos ajudar esse projeto de desenvolvimento, ajudar o presidente Lula a poder executar as políticas públicas que são tão fundamentais para garantia do direito da cidadania do nosso povo”, defende.

Professores em estado de greve

A petista foi eleita pela primeira vez em 2020 após ter recebido o título de “persona non grata” pela própria Câmara, em 2019, ao liderar a greve municipal dos professores contra o governo Rosalba Ciarlini. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum), do qual faz parte, publicou outdoors por Mossoró em que acusava a prefeita Rosalba e os vereadores da base governista de serem “traidores dos servidores”, por não aprovarem o reajuste salarial da categoria. A “punição” do governismo só foi derrubada depois que ela foi eleita.

O Sindiserpum continua enfrentando a gestão Allyson. Na última quarta (25), em assembleia realizada pela entidade, os professores da rede municipal de ensino aprovaram por unanimidade entrar em estado de greve.

Na prática, o estado de greve se refere a atos que antecedem uma greve em definitivo. O Sindiserpum afirmou que é mais uma oportunidade que a categoria dá à gestão Allyson Bezerra de abrir um diálogo real com o sindicato e discutir a pauta de reivindicações para o ano de 2026, incluindo a aplicação do percentual do Piso Nacional do Magistério, definido pelo Ministério da Educação (MEC) em 5,4%.

O prefeito deve ainda aos professores o piso de 2023, definido naquele ano em 14,95%, e o de 2025, de 6,27%. A pauta de reivindicação dos professores contempla ainda outros oito pontos de discussão, dentre eles, a recomposição do auxílio-deslocamento para quem trabalha na zona rural, que teve sua última atualização no ano de 2016.

“Enquanto o prefeito diz que deu o maior reajuste do piso da história, nós dizemos que ele é o que mais negou o piso na história de Mossoró. É o que mais mancha a imagem, coloca a população contra os servidores públicos, mancha a imagem dos professores, agride professores e servidores públicos”, diz Marleide Cunha.

Fonte: saibamais.jor.br

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