O senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a redução de encargos aos patrões em caso de aprovação da proposta que acaba com a escala 6×1 e diminui a jornada de trabalho. Para o líder da Oposição, o fim da escala 6×1 pode gerar desemprego e aumento dos preços.
A declaração foi dada em entrevista à 96 FM Natal na sexta-feira (6). O parlamentar também citou a reforma trabalhista, em que ele relatou em 2017 durante o governo Michel Temer, e disse que a medida privilegiou a negociação sobre a legislação.
“O governo sabe que há um impacto na vida das pessoas. Se você diminui jornada e mantém salário, quem está empregando vai ter que repassar o custo, e quem vai ter que pagar mais caro pelos produtos e pelos serviços é a sociedade brasileira. Então isso é uma coação matemática, qualquer um que está me assistindo aí sabe disso. A legislação brasileira desde a reforma trabalhista de 2017 privilegiou a negociação sobre a legislação, o negociado sobre o legislado. Então quem pode mais pode menos. A escala máxima, a jornada máxima é 44, mas você pode fazer até 30 horas desde que negociado com a respectiva categoria econômica por acordão ou convenção coletiva”, disse o senador.
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Segundo Rogério, caso o governo insista na votação da proposta que reduz a jornada de trabalho, será preciso propor uma “neutralidade do ponto de vista do custo, para que a população não sofra com aumento e majoração de produtos”.
“Então, se o governo vai reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40, por exemplo, então que se reduza em 10% o custo da contratação, do outro lado. Ou seja, você paga quanto de previdência, de fundo de garantia, de multa? Você tem um custo que vai de 80% a 130% do valor da contratação de um funcionário. Então, que haja redução proporcional do outro lado. Porque aí você dá um viés de neutralidade, a população não seria penalizada, você não impactaria na questão do emprego de forma negativa, gerando desemprego, ou coisa parecida, e nem tampouco aumentaria a inflação, que é sem dúvida nenhuma o personagem mais cruel para as classes menos favorecidas que eles dizem que protegem”, continuou.
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Na semana passada, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, caso as discussões que tratam sobre a jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1 e a redução de horas semanais, não caminhem na “velocidade desejada”.
No mesmo dia em que Rogério Marinho deu entrevista à rádio natalense, o jornal Folha de São Paulo publicou reportagem em que o senador afirmou que um eventual governo liderado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende realizar novas reformas trabalhista e da Previdência. Rogério é o coordenador da pré-campanha de Flávio.
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“O modelo está estourando, só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo”, declarou.
Fonte: saibamais.jor.br
