A decisão do União Brasil de não liberar seus parlamentares para trocar de partido com vistas às eleições de 2026 causou um racha e deve levar a uma disputa na Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte. A secretária municipal de Assistência Social de Natal, Nina Souza, licenciada do mandato na Câmara Municipal, já avisou que vai entrar com uma liminar para tentar garantir sua entrada no PL; ela é pré-candidata a deputada federal.
Nina, que é esposa do prefeito de Natal, Paulinho Freire, apoia o palanque formado por Álvaro Dias (governo) e Styvenson Valentim e Coronel Hélio (Senado). Já o União de Agripino está com Allyson Bezerra para governador. A secretária afirmou que vai à Justiça essa semana e afirmou que deseja assinar a ficha de filiação ao PL no sábado, dia 21, quando as pré-candidaturas do campo bolsonarista serão lançadas oficialmente na capital potiguar com a presença de Flávio Bolsonaro.
“Nós vamos entrar com o processo e obviamente sendo liminar, que eu quero já poder, se for assim o caso, já no próximo sábado assinar minha ficha de filiação ao PL”, declarou ela ao Jornal das 6 da 96 FM na segunda-feira (16).
Saiba Mais: Racha no União Brasil: Agripino barra saída de vereadores aliados de Paulinho Freire
“O meu pré-candidato é Álvaro, então eu tenho que estar no partido que apoia ele. Eu ia ficar lá no União, primeira coisa que faziam se eu não votasse no candidato lá? Não dar o fundo partidário. Não podia subir no palanque. Não podia fazer nada. Eu ia passar a minha campanha todinha sendo ali forçada a ficar calada”, justificou, sobre o desejo de legenda partidária.
Ainda segundo Nina, ela nunca foi consultada “se aceitava ou não a pré-candidatura” de Allyson Bezerra. A secretária também afirmou que vai se desincompatibilizar do cargo na Semtas nesta semana, sem cravar uma data para a saída. O prazo final para que ocupantes de cargos públicos deixem a função para ficar aptos à disputa eleitoral é até 4 de abril.
Até a publicação desta matéria, na manhã de quarta-feira (18), o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava apenas dois processos de ação de justificação de desfiliação partidária no RN em 2026 . O primeiro foi do deputado estadual Luiz Eduardo, que pediu em janeiro para sair do Solidariedade para o PL.
Já o vereador de Mossoró, Cabo Deyvison, entrou com pedido de tutela de urgência para sair do MDB, que está no palanque de Allyson Bezerra para governador. Deyvison é opositor do prefeito e disse que a sigla mudou seu alinhamento político no estado após as eleições de 2024, razão pela qual considera inviável a manutenção de sua filiação partidária. O juiz Hallison Rego Bezerra indeferiu o pedido na última quinta-feira (12).
Racha
O União Brasil comunicou em 10 de março que não liberaria seus vereadores a mudarem de filiação em Natal. Além de Nina, os vereadores Robson Carvalho, Matheus Faustino e Camila Araújo também pretendiam trocar de legenda para disputar as eleições de 2026. A negativa de José Agripino e Antônio Rueda jogou água fria nos planos dos parlamentares, que podem perder os mandatos caso mudem de partido sem o aval da Executiva do União Brasil.
O primeiro recálculo de rota já foi feito: Faustino desistiu de sair para o partido Missão, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), e anunciou a saída do grupo. Na mensagem, o parlamentar afirma que a decisão ocorreu em razão de uma determinação do seu partido que impediria mandatários de disputar eleições por outra sigla sem perder o mandato.
No texto, Faustino afirma que seu “desligamento, de forma pacífica, do Movimento Brasil Livre (MBL) em razão da recente decisão do meu atual partido, União Brasil, de não liberar nenhum mandatário para participar da eleição deste ano por outra sigla sem perder o mandato de vereador da capital potiguar.”
Saiba Mais: Motivação da saída do MBL anunciada por Faustino é contestada pelo movimento
Ainda segundo o vereador, a decisão busca preservar sua permanência na Câmara Municipal e viabilizar uma pré-candidatura a deputado federal nas próximas eleições.
Após a divulgação da nota do vereador, o Movimento Brasil Livre divulgou um comunicado afirmando que Faustino não integra mais os quadros do movimento e disse que nunca exigiu que ele deixasse seu partido ou colocasse seu mandato em risco.
A manifestação do movimento contradiz parcialmente o conteúdo da nota divulgada pelo vereador, ao indicar que o desligamento não teria ocorrido por uma decisão recente motivada pela regra partidária mencionada por ele.
Fonte: saibamais.jor.br
