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A educação como ferramenta de transformação

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Por Lilian Mirelly | Estudante do IFRN Centro Histórico | Presidenta da UMES-Natal

O movimento secundarista no Brasil revela um cenário de encruzilhada, requer organização e muita esperança para ir de encontro com aqueles que tentam limitar o nosso saber. Após ciclos históricos de ocupações e intensa mobilização de rua, o que vemos hoje é o sistema capitalista impulsionando políticas que buscam esvaziar a escola de seu sentido crítico e político. Essa lógica aprofunda a evasão escolar, fragiliza o futuro da juventude e compromete a capacidade do Brasil de formar seu povo. Uma nação que abandona seus jovens jamais será soberana. A ofensiva conservadora, somada à precarização estrutural do ensino público, tenta transformar o espaço escolar em um mero centro de treinamento técnico ou, pior, em um ambiente de passividade, em que a organização coletiva e os grêmios estudantis são vistos como obstáculos. Mas a pergunta é: para quem e por quê?

A extrema direita tem atuado seguindo o seu projeto identitário com ataques e desmontes à educação e perseguição ao movimento estudantil. É preciso, no próximo período, muita mobilização social e estudantil para lutar contra todos aqueles que insistem em tratar os estudantes como os seus inimigos e fazer da precarização da educação pública o seu projeto. O desânimo que vemos nos corredores das escolas é o sintoma de uma crise de perspectiva. Quando a sobrevivência imediata se torna a única prioridade, olhar a transformação social pelo saber parece distante, e é justamente nessa brecha que o discurso do conformismo ganha terreno entre os jovens. Chega! Precisamos combater o bom combate. Desacreditar na educação não pode ser o caminho da nossa geração. A juventude organizada desempenha papel central nessa disputa, e a geração Z não pode ser descredibilizada, mas impulsionada a construir um novo projeto de desenvolvimento para o nosso país.

Parece que hoje em dia estão tentando transformar a gente em robô de tarefa, sabe? O sistema quer que a gente desista de estudar para virar “aluno-monitor” ou que a gente se jogue em um aplicativo de entrega só para ganhar um trocado rápido e sobreviver. Eles fazem a universidade parecer um sonho impossível ou algo que nem vale a pena, mas isso é uma armadilha pra gente não entender como eles exploram o nosso trabalho. Nós não podemos deixar que o desânimo e a descrença com a educação tomem conta, porque é exatamente o que o capitalismo quer, porque um povo sem consciência de classe é mais fácil de controlar. Por isso, a gente precisa bater o pé e dizer que a educação é, sim, a nossa maior arma para enxergar as ciladas do sistema e lutar por um futuro de verdade.

Portanto, a educação deve ser defendida não apenas como um degrau para o mercado de trabalho, mas como o motor principal da transformação da sociedade. Quando um jovem secundarista entende que o saber é um direito e não uma mercadoria, ele se torna uma ameaça ao sistema. Ora, agora faz sentido eles quererem limitar a nossa educação? A escola pública e a universidade são territórios de disputa, ocupá-las e permanecer nelas é o maior ato de resistência contra um sistema que quer o jovem trabalhando de forma precarizada e pensando pouco. Acreditar na educação é acreditar que o mundo não está pronto e que nós somos os sujeitos capazes de reescrevê-lo. Você já deve ter ouvido “os jovens são o futuro do nosso país”. Não é à toa!

Como bem nos ensinou Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A emancipação começa quando deixamos de nos ver como um indivíduo isolado e passamos a nos compreender como parte de um coletivo consciente de sua classe e de sua força. Por essa razão, o momento exige o resgate da nossa rebeldia e da resistência histórica dos secundaristas. Uma luta consequente não se faz isoladamente, mas ao lado dos nossos: na organização das bases, no fortalecimento dos grêmios e na construção de uma nova escola que tenha o nosso rosto e ocupe os debates sobre o nosso futuro. Precisamos pautar uma educação que nos eleve ao mercado que merecemos, garantindo formação técnica, mas nunca deixando de lado, o que eles tanto temem, a nossa consciência de classe.

A gente sabe que desenvolver o país de verdade é o único caminho para o povo viver com dignidade. O movimento secundarista carrega no seu DNA a defesa de uma bandeira que é única: a bandeira da educação! É com essa autoridade que devemos conquistar a maioria social para isolar a extrema direita e defender a escola e a educação frente ao autoritarismo!  Já transformamos muitas gerações, enfrentamos muitos generais e agora não será diferente. Quando nos organizamos, tudo ao nosso redor muda e, portanto, mudará. É hora de a resistência secundarista mostrar como se faz. Chegou a hora de entrar no “tudo ou nada” e aqui é tudo nosso pela educação, democracia e soberania dos povos!

Fonte: saibamais.jor.br

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