Os pré-candidatos a governador Álvaro Dias (Republicanos) e Cadu Xavier (PT), em troca recente de farpas, elevaram o tom da pré-campanha, antecipando a polarização na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Chamado de “prefeito das obras inacabadas” pelo petista, o ex-gestor da capital reagiu dizendo que o adversário “não entende nada ou quase nada de gestão pública”.
Para se defender das críticas de Cadu, Álvaro citou, em vídeo postado nas redes sociais, as reformas da Praça Cívica e da Praça de Candelária como exemplos de entregas realizadas durante a sua gestão. O ex-prefeito, no entanto, não mencionou as obras que, apesar de não terem sido concluídas, foram inauguradas na bacia das almas da sua gestão.
Ao rebater a acusação de “gestão fracassada” de Álvaro Dias contra a governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu Xavier contra-atacou o ex-prefeito citando as obras inacabadas da administração dele, entre as quais o Hospital Municipal de Natal e o mirante da Ladeira do Sol.
“Prefeito, gestão fracassada foi a sua. Tá aqui o mirante inacabado, mais de um ano que o seu governo acabou, você inaugurou e não tá funcionando”, disse o secretário em vídeo publicado nas redes sociais.
“O Hospital Municipal foi inaugurado, mas também não está funcionando. Hoje é dia de chuva, que infelizmente é um problema aqui na nossa cidade. A engorda, que foi uma gambiarra que você fez, tá alagada. É isso, gestão fracassada é a sua, prefeito”, completou.
Álvaro Dias, além de acusar o adversário de não entender nada sobre gestão pública, chamou o secretário de “grande cobrador de impostos”.
“Por que é que ele não fala na Praça Cívica, que modernizou o bairro de Petrópolis, ou da Praça de Candelária? Eu sei que o secretário criticou a engorda de Ponta Negra. Agora é um crime falar mal da engorda de Ponta Negra. Essa é uma obra revolucionária. Você não fala, secretário, porque realmente você é um grande cobrador de impostos, mas de gestão pública você não entende nada ou quase nada”, disse.
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Embate antecipa discurso de campanha
O embate entre os dois pré-candidatos antecipa o tom da disputa eleitoral de 2026 no RN, dando uma prévia das estratégias que ambos deverão colocar em prática na campanha que se avizinha.
De um lado, o pré-candidato petista busca associar a imagem do ex-prefeito a obras inacabadas. Do outro, o bolsonarista, além de defender as realizações da sua gestão, tentará colar no adversário a pecha de “cobrador de impostos”, valendo-se do fato de Cadu Xavier comandar a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).
O líder do governo na Assembleia Legislativa, Francisco do PT, em entrevista a uma rádio local, confirmou que o partido apostará na associação de Álvaro Dias com as obras inacabadas que ele deixou na Prefeitura de Natal.
“A governadora Fátima não entrega a obra inacabada, ao contrário do que a gente já viu recentemente aqui no Rio Grande do Norte. Hospital inacabado sendo inaugurado, obra inacabada sendo entregue à população, a gente não vai fazer isso”, declarou o parlamentar, em alfinetada dirigida a Álvaro Dias.
Ex-prefeito deixou 46 obras paralisadas ou inacabadas, além de dívida de quase R$ 900 milhões
Álvaro Dias transferiu a administração municipal ao prefeito Paulinho Freire com menos 46 obras paralisadas ou inacabadas, conforme apontado em relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra (Republicanos), que foi entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Além disso, o ex-prefeito deixou uma dívida de quase R$ 900 milhões.
De acordo com o relatório, essas obras estão concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos. A paralisação delas, ainda segundo o documento, “compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”.
Uma das principais obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito é o Hospital Municipal de Natal, que segue sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado no final de dezembro de 2024 pelo pré-candidato a governador Álvaro Dias, como lembrou o secretário Cadu Xavier.
Em novembro do ano passado, durante reunião da bancada federal potiguar, a atual administração municipal disse que, para concluir a obra, precisaria de mais R$ 110 milhões.
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Fonte: saibamais.jor.br
