De 4, sigo!

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Um poema de Bia Crispim para @bia_crispim. Afinal, nem todo dia uma Travesti faz 49 anos neste país! Estes veros nascem da mistura de umas doses de gim-tônica, com palavras ditas pelas escritoras Clarice Lispector e Leila Tabosa, acrescidos da música de Raquel Reis, recheados da força do Cavalo de Fogo do Ano Novo Lunar Chinês e uma pitada de numerologia. Salpico sobre eles os votos prósperos para o novo ciclo, os desejos de abundância e de sucesso, os afetos impressos nas mensagens carinhosas e inspiradoras que recebi durante a semana, assim como minha pressa em viver enquanto não sucumbo. 

Dentro de mim 
habita 
um cavalo 
preto e lustroso…
Um cavalo de fogo.

Há dias em que ele 
é selvagem
em outros ele é doce. 
Seu relinchar me dá prazer 
às vezes, expressa dor(es).

Ele habita dentro de mim!

Clarice me diz coisas…
Me disse isso uma vez.

Estamos em 2026…
faço 49…
4+9 = 13…
1+3= …
4.

4 é o número! 
É número de estabilidade 
estrutura
trabalho árduo
disciplina 
e organização.

Aprenderei a disciplina?
Desconfio!
Organização?
Uma utopia!
Que eu experimente, pois!

Estamos em 2026!
E esse ano é meu!

É ano do cavalo de fogo.
É ano de bicho de quatro patas 
que relincha 
que dá coice 
que morde 
que cavalga 
que trota
que se empina 
que sacode o rabo 
(gostosamente…!!!) 
e se amostra com sua crina.

É ano de energia. 
É bicho de liberdade. 
É ano de movimento.
É bicho ligeiro. 
É ano de inteligência. 
É bicho forte 
e impossível.
É ano de novos começos.
É bicho de ação. 
É ano de transformação.
É bicho de energia Yang.

É força 
ativa
luminosa
masculina.
(Perderei minha feminilidade?)
Nunca!
Quente mulher 
serei!
“Ensolarada!”
Me disse Leila
Sem ser a Diniz…

Metamorfoses!
Já fui larva!
Um dia ganhei asas…

Sou de água 
mas deixarei 
o fogo me invadir. 
Mudo de elemento 
para me adaptar 
à condição de quadrúpede.

Perdi asas…
Ganhei patas…
Dois pares.

Este ano meu número é 4!
Estou “de quatro” por ele. 
Relincharei de prazer 
e talvez de dor(es)
mas não perderei a doçura 
nem a selvageria 
que habita em mim.

Não deixarei 
que meu cavalo preto e lustroso 
me abandone. 
Também não o abandonarei.

Ele será meu guia 
minha fortaleza…
Minha casa!
Meu veículo!

E me levará 
para onde eu desejar…
Para um meio-século 
vindouro…
De uma vida.
(Tão próximo!!!)
Vida minha…

Tenho sede de viver.
“tenho pressa de viver”
bípede como sou,
quadrúpede 
se meu cavalo
preto e lustroso 
doce e selvagem 
empancar 
ou quiser ir!

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Fonte: saibamais.jor.br

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