O Rio Grande do Norte já pode submeter propostas ao edital “Soluções Climáticas a partir da Base”, iniciativa do Fundo Brasil de Direitos Humanos que vai destinar recursos a projetos voltados à justiça climática e ao trabalho digno em todo o país. Com inscrições abertas até 8 de maio de 2026, organizações, coletivos e movimentos sociais potiguares estão entre os públicos aptos a participar da seleção, que prevê apoio financeiro e fortalecimento de iniciativas de base.
O edital recebe propostas entre 16 de março e 8 de maio, até às 18h (horário de Brasília), por meio de plataforma online. A chamada é realizada em parceria com as iniciativas Raízes e Labora, que vão selecionar pelo menos 40 projetos em todo o Brasil, com investimentos que variam de R$ 50 mil a R$ 100 mil, totalizando R$ 2,25 milhões. Confira o edital completo aqui.
A proposta surge em um contexto de agravamento das mudanças climáticas no país, com impactos diretos sobre populações vulneráveis. O edital destaca que povos indígenas, comunidades tradicionais e trabalhadores urbanos e rurais estão entre os mais afetados por fenômenos como secas prolongadas, enchentes e aumento das temperaturas. Ao mesmo tempo, esses grupos também protagonizam soluções locais baseadas em saberes tradicionais, organização coletiva e práticas sustentáveis.
Na prática, a iniciativa busca financiar projetos que fortaleçam essas respostas nos territórios. Entre as ações elegíveis estão iniciativas de agroecologia, recuperação ambiental, bancos de sementes, energia renovável comunitária, formação de lideranças, além de estratégias de incidência política e defesa de direitos socioambientais.
Do total de projetos apoiados, ao menos 20 serão selecionados por meio do programa Raízes, com foco em povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Cada iniciativa poderá receber até R$ 50 mil para execução ao longo de 12 meses. As propostas devem priorizar ações como proteção territorial, fortalecimento da sociobioeconomia, resiliência climática e monitoramento de impactos ambientais.
Outros 20 projetos serão financiados pelo Labora, voltado à agenda do trabalho digno e da transição ecológica. Nesse eixo, 15 iniciativas devem ser contempladas prioritariamente nas regiões da Amazônia Legal e do Nordeste, o que inclui o Rio Grande do Norte. Os valores variam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, dependendo do alcance das ações.
Podem concorrer organizações sem fins lucrativos, coletivos, sindicatos e movimentos sociais, mesmo que não tenham CNPJ. No caso de grupos não formalizados, será necessário indicar uma instituição parceira para a formalização do apoio. O edital não aceita propostas de órgãos governamentais, empresas privadas ou candidaturas individuais.
A seleção levará em conta critérios como a conexão direta com os territórios atendidos, o potencial de impacto coletivo, a defesa de direitos e a inclusão de dimensões como raça, gênero e desigualdades sociais. Também será priorizado o apoio a iniciativas com menor acesso a financiamento.
O resultado final está previsto para ser divulgado a partir de 21 de julho de 2026, com início das atividades ainda no segundo semestre.
Além do financiamento, o edital reforça a importância de ampliar a participação social na agenda climática brasileira, especialmente após a mobilização registrada durante a COP 30, que evidenciou o protagonismo de organizações de base na construção de soluções para a crise ambiental.
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Fonte: saibamais.jor.br
