O aniversário de 62 anos do Golpe Militar de 1964, lembrado nesta terça-feira (31), despertou pouco interesse entre os parlamentares da bancada federal do Rio Grande do Norte. Dos três senadores — Rogério Marinho (PL), Styvenson Valentim (PSDB) e Zenaide Maia (PSD) — nenhum fez menção pública à data em suas redes sociais. Já na Câmara dos Deputados, apenas dois dos oito representantes potiguares se posicionaram: Natália Bonavides e Fernando Mineiro, ambos do PT. Os demais parlamentares optaram pelo silêncio.
Natália Bonavides utilizou suas redes para relacionar o golpe de 1964 com o contexto político recente, especialmente os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em publicação, a petista afirmou que a data deve servir como alerta permanente sobre ameaças à democracia e defendeu a responsabilização dos envolvidos, citando diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “líder do movimento golpista”.
“No dia de hoje, lembramos essa data para que nunca esqueçamos do que os inimigos do povo são capazes. Eles seguem rondando. Não podemos esquecer também do mais recente ataque que sofremos: o 8 de janeiro de 2023. Todos aqueles que atentarem contra a democracia devem responder por seus atos, como ocorreu com o líder do movimento golpista, Jair Bolsonaro”, defendeu.
Natália Bonavides lembrou que ela representa a Câmara Federal na Comissão de Mortos e Desaparecidos. “Por lá, seguimos trabalhando para localizar informações, reparar injustiças e garantir o direito à memória e à verdade para as famílias que perderam seus entes queridos e até hoje buscam respostas”, disse.
Ela acrescentou que é preciso que “sigamos lutando contra o autoritarismo e em defesa da democracia”.
“Bolsonarismo reproduz cartilha autoritária” dos golpistas de 1964, alerta Mineiro
Já Fernando Mineiro abordou o tema em um artigo publicado em seu blog, intitulado “A democracia sob ataque: lições de 1964 para o Brasil de hoje”.
No texto, o parlamentar traça paralelos entre o golpe que instaurou a ditadura militar e os episódios recentes, destacando a importância da memória histórica para evitar retrocessos institucionais.
“Diante do avanço da extrema direita no mundo — e, de forma particularmente preocupante, no Brasil — já não há espaço para ingenuidade. Golpes e tentativas de golpe, como a de 8 de janeiro de 2023, não são episódios isolados nem ‘acidentes históricos’, como creem aqueles que buscam reescrever a história, escreveu.

O parlamentar cita que, assim como os militares derrubaram o presidente legitimamente eleito em 1964, “o bolsonarismo reproduz a cartilha autoritária com assustadora fidelidade”.
“Não por acaso, o líder desse movimento foi julgado, condenado e hoje cumpre pena de 27 anos de prisão por atentar contra o Estado Democrático de Direito e tentar, assim como em 1964, se manter no poder pela força”, ressaltou, fazendo referência a Jair Bolsonaro.
Bolsonaristas ignoram data e ainda negam a tentativa de golpe de 8/1/2023
O silêncio da maior parte da bancada ocorre em meio a um cenário de disputa política sobre a dimensão da tentativa de golpe de Estado que teve seu ápice com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Além de Rogério Marinho, os deputados federais mais alinhados ao bolsonarismo – Carla Dickson (PL), General Girão (PL) e Sargento Gonçalves (PL) – ainda negam que tenha havido tentativa de golpe de Estado. O grupo também defende a anistia para os golpistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A pauta da anistia, aliás, tem reunido apoio além do núcleo bolsonarista. Deputados como João Maia (PP), Robinson Faria (PP) e Benes Leocádio (União Brasil) votaram a favor da urgência do chamado “PL da Anistia” na Câmara Federal.
Posteriormente, também apoiaram o “PL da Dosimetria”, aprovado em dezembro, que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — medida que, na prática, beneficia o próprio Jair Bolsonaro.
No Senado, a proposta teve apoio de Rogério Marinho e Styvenson Valentim, enquanto Zenaide Maia votou contra.
Fonte: saibamais.jor.br