O xadrez político para a eleição no Rio Grande do Norte ganha novos contornos com a movimentação em torno das possíveis candidaturas a vice-governador. Embora o debate público ainda esteja concentrado nos nomes que disputarão o comando do Executivo, partidos e lideranças atuam nos bastidores para definir composições capazes de ampliar alianças, equilibrar forças regionais e agregar tempo de televisão. Entre os principais nomes, apenas Cadu Xavier (PT) ainda não definiu quem o acompanhará na chapa, enquanto Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL) já têm seus companheiros fechados.
A escolha do substituto ideal ganha ainda mais relevância em 2026 depois da novela envolvendo a governadora Fátima Bezerra (PT) e o vice Walter Alves (MDB). Aliados até ano passado, a chefe do Executivo pretendia renunciar ao cargo para se candidatar ao Senado, deixando o espaço livre para Walter governar. O vice, contudo, rompeu com a titular, se aliou à oposição, na figura de Allyson, e provocou um recuo de Fátima na pré-candidatura ao Senado, fazendo-a decidir concluir o mandato estadual.
O nome da situação para o governo é o ex-secretário da Fazenda, Cadu Xavier. A chapa terá Samanda Alves (PT) para a primeira vaga ao Senado — no lugar que antes seria de Fátima, enquanto o PDT discute se a segunda vaga ficará com Rafael Motta ou Jean Paul Prates. Mas, em relação à cadeira de vice, a indefinição é maior.
Dentro do PT, um nome já ventilado e descartado é o da secretária estadual de Turismo, Marina Marinho. Seu nome chegou a ser defendido por uma ala dentro do PT, mas Marina continuou na titularidade da Setur após o prazo final de desincompatibilização — por isso, não poderá concorrer a nenhum cargo nas eleições de 2026.
Além disso, a chefe da Setur vai continuar no comando do Fórum Nacional dos Dirigentes e Secretários de Turismo (Fornatur) até o fim de 2026. Ela foi reconduzida ao posto em assembleia extraordinária realizada em 30 de março. Marinho iria deixar o cargo no fim de março em função de uma possível descompatibilização. No entanto, como Fátima decidiu concluir o mandato, houve consenso entre os secretários estaduais de Turismo para a continuidade da atual gestão do Fórum.
Ainda no campo governista, a ex-vereadora de Mossoró e ex-deputada estadual Larissa Rosado também chegou a ser cotada como vice de Cadu. A possibilidade foi citada pela Agência SAIBA MAIS ainda em janeiro e negada pela dirigente partidária à época. No final de março, em entrevista à rádio 95 FM de Mossoró, ela voltou a negar o convite para integrar a cadeira de vice.
“Não existe nenhum convite nesse sentido para que eu seja vice de Cadu Xavier. O que existe é que nós conversamos entre partidos, com a governadora e com o próprio Cadu. O PSB quer participar da chapa majoritária”, afirmou Larissa, indicando o desejo da sigla de ter a cadeira de vice com outro nome, ou ocupar uma das vagas ao Senado.
O PV também tem articulado para indicar um nome para vice. Um nome sugerido pelos Verdes é o de Luciana Soares, irmã do ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares (PSDB). Ela se filiou à sigla durante a janela partidária e se desincompatibilizou do cargo de secretária municipal de Planejamento e Finanças que ocupava no município.
À reportagem, Cadu diz que se concentrou até o prazo final das filiações para fortalecer a nominata de deputados.
“Foi um processo virtuoso, encerrado com sucesso. Tanto que a gente tem hoje a mais forte nominata para deputado federal, assim como também tem uma nominata que ampliou a quantidade de parlamentares com mandato em relação ao quadro antes dessas novas filiações. Esse processo fortaleceu o nosso campo e dentro agora desse campo de filiações, de adesões, nós vamos escolher com calma e seguindo três critérios que eu tenho dito sempre”, afirma.
Os critérios, explica, dizem respeito à agregação do ponto de vista eleitoral, programático e da lealdade — o último ponto se tornou ainda mais evidente após o imbróglio envolvendo Walter.
“Uma pessoa que a gente possa confiar durante toda a trajetória, não somente no processo eleitoral. O nosso projeto tem uma viabilidade muito grande de vencer as eleições e a gente está olhando não só para o processo eleitoral, mas também para todo o mandato para evitar que aconteça algo que aconteceu agora nessa quadra de 2023 para 2026”, aponta Cadu.
Na chapa de Allyson Bezerra, o vice será o deputado estadual Hermano Morais (MDB), indicação que partiu de Walter Alves. Até o ano passado, Morais era um dos nomes cotados para ser vice na chapa governista enquanto estava filiado ao PV, que forma federação com PT e PCdoB. Mas decidiu mudar seu rumo político.
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O deputado também tem avisado que não quer ser um mero vice sem influência.
“Eu não quero ser vaca de presépio. Eu quero ser uma pessoa ativa para colaborar com o que for preciso”, apontou, em entrevista ao programa Tamo Junto, da 88FM Universitária, no final de março.
Representando o campo bolsonarista, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) já definiu Babá Pereira, do mesmo partido, como vice. Babá era o presidente da Federação dos Municípios do Estado do Rio Grande do Norte (Femurn), e deixou a função em março para concorrer na disputa de outubro.
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O pré-candidato a vice tem se concentrado em atividades ao lado do futuro cabeça de chapa e encarnado a agenda do bolsonarismo. No mês passado, chegou a participar de um ato com nomes da direita e extrema-direita na calçada do Midway Mall, em Natal. A manifestação pediu liberdade a Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe e anistia aos golpistas do 8 de janeiro.
Entre as pré-candidaturas de menor visibilidade, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) indicou a jornalista Fernanda Soares para ser a vice de Dário Barbosa. A chapa socialista tem também as pré-candidaturas da dirigente do Sindsaúde, Rosália Fernandes, e da professora Luciana Lima, para o Senado.
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Fonte: saibamais.jor.br
