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Filme gravado em Mossoró une crítica ambiental e valorização do audiovisual local

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Com um olhar sensível e ao mesmo tempo incisivo, o curta-metragem “A Mesa”, dirigido por Luiza Gurgel, transforma o cotidiano em metáfora para discutir a relação entre humanidade e natureza. Gravado em Mossoró, o filme articula crítica ambiental e identidade regional ao mesmo tempo em que evidencia a força do audiovisual produzido fora dos grandes centros.

A narrativa acompanha uma presença silenciosa que observa a vida acontecer ao seu redor. Entre o nascer e o pôr do sol, ela testemunha encontros, rotinas e movimentos banais, mas permanece invisível, reduzida a números e ignorada em sua essência. É a partir desse ponto de vista que o filme constrói uma reflexão sobre exploração, pertencimento e negligência ambiental.

A proposta estética e narrativa nasce do incômodo da diretora com a contradição humana diante da natureza. “Este filme fala principalmente sobre hipocrisia. A ideia é que repensemos cada vez mais sobre o nosso lugar aqui e as consequências das nossas atitudes”, afirma Luiza Gurgel. O resultado é um alerta que atravessa temas como crise climática, desmatamento e ecocídio, sem abrir mão de uma linguagem poética.

Gravado em junho de 2025, o curta utiliza cenários urbanos de Mossoró como parte ativa da narrativa. A Praça do Rotary, uma das principais locações, foi incorporada com sua dinâmica real, sem interrupções artificiais. “Aquele espaço e a vida em torno dele não eram apenas figuração: eram também personagens do filme”, explica o assistente de direção, Plínio Sá.

Essa escolha dialoga diretamente com a direção de arte, que opta por valorizar os elementos naturais e a paisagem local. A proposta foi trabalhar com o que o ambiente já oferece, do sol intenso à vegetação, reforçando a conexão entre estética e tema.

Além do discurso ambiental, o filme também se posiciona como um projeto de fortalecimento da cena audiovisual mossoroense. Mais de 100 pessoas participaram da produção, em sua maioria profissionais locais. A equipe foi pensada estrategicamente para romper a ideia de que o interior não produz cinema com qualidade técnica e narrativa.

Outro aspecto que marca o projeto é a presença feminina em cargos de liderança, da direção à fotografia e ao som. Essa escolha amplia a representatividade e aponta para um modelo de produção mais diverso dentro do setor.

Na pós-produção, a construção visual ganha novas camadas com uma paleta de cores que acompanha a evolução da narrativa, transitando entre tons vibrantes e atmosferas mais densas. Já a trilha sonora reforça a identidade do filme ao mesclar referências regionais, como o coco, com elementos contemporâneos, criando uma experiência sensorial que dialoga diretamente com o público.

“A Mesa” agora segue para o circuito de festivais e mostras, com a expectativa de ampliar seu alcance. “O objetivo é que o filme chegue ao maior número de pessoas possível e provoque reflexão sobre o nosso papel diante do meio ambiente”, resume a diretora.

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Fonte: saibamais.jor.br

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