Durante a Conferência Estadual dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Rio Grande do Norte, realizada na última terça-feira (28) na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), a governadora Fátima Bezerra (PT) assunou o decreto de criação do Refúgio da Vida Silvestre Serra das Araras, que fica em uma área de mais de 12 mil hectares, distribuídos pelos municípios seridoenses de Currais Novos, Cerro Corá e São Tomé.
O Revis Serra das Araras torna-se a 12ª Unidade de Conservação Estadual (UCE) e a maior da Caatinga no Rio Grande do Norte. Para a governadora Fátima Bezerra, a oficialização se trata de um “passo histórico”.
“A criação do Revis Serra das Araras demonstra que é possível crescer com responsabilidade, protegendo nossos biomas e garantindo qualidade de vida para as futuras gerações”, afirmou.
O coordenador-geral do Idema, Werner Farkatt, comentou que a nova unidade representa um “avanço estratégico”: “O Revis nasce como símbolo do equilíbrio entre conservação e desenvolvimento, fortalecendo a proteção da Caatinga e valorizando as comunidades locais”, disse.
Já a coordenadora da Unidade de Gestão da Biodiversidade do Idema, Iracy Wanderley, ressaltou a relevância da medida, destacando os desafios da conservação da Caatinga.
“A criação do Refúgio da Vida Silvestre Serra das Arraras representa um avanço importante na proteção da biodiversidade potiguar”, comentou.
Além da conservação ambiental, a unidade deverá impulsionar o turismo sustentável, especialmente o turismo de observação de aves, contribuindo para a geração de emprego e renda no interior do estado.
A região abrangida pela nova unidade é rica em fauna e flora, com destaque para 232 espécies de aves, incluindo o papagaio-verdadeiro e a arara-maracanã, além de outras espécies ameaçadas da Caatinga – único bioma exclusivamente brasileiro, localizado majoritariamente no Nordeste, que também abrange uma pequena área no Norte de Minas Gerais.
Histórico

A proposta de criação do Revis Serra das Araras foi apresentada em 2023 pelo Idema, após a demanda ser levada ao Governo do Estado pelo Grupo Seridó Vivo, um coletivo de movimentos ambientais, acadêmicos e comunidades tradicionais que lutam pela preservação da Caatinga.
“Essa foi uma demanda que veio da própria sociedade, através do Gripo Seridó Vivo, que faz esse debate sobre os impactos negativos causados pela instalação de empreendimentos eólicos na região do Seridó”, explicou Iracy Wanderley.
De acordo com ela, a grande preocupação do Grupo Seridó Vivo, ao propor a criação do Revis Serra das Araras, era com a necessidade de conciliar o crescimento e desenvolvimento econômico com a conservação e a preservação ambiental da Caatinga.
“A proposta foi acolhida pelo Governo do Estado, através do Idema, que desde então iniciou os estudos técnicos para a criação do Revis Serra das Araras. Esses estudos apontaram que seria uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, à luz do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), legitimado pela lei federal nº 9.985/2000”, detalhou a coordenadora do UGBio.
Unidade de Conservação é uma “estratégia de resiliência”, diz diretora da UGBio
Iracy reforçou que, além de preservar o meio abiótico, ou seja, as condições ambientais necessárias para conservar a biodiversidade local, a criação da unidade de conservação é uma “estratégia de resiliência e de enfrentamento às mudanças climáticas”.
“A unidade de conservação, nesse contexto de mudança do clima que estamos vivendo, é uma estratégia de resiliência. Já existem pesquisas, por exemplo, mostrando que o bioma Caatinga é um sumidouro de gás carbônico [CO₂)], sequestrando ele da atmosfera e, consequentemente, ajudando a mitigar as mudanças climáticas”, explicou.
O estudo citado pela coordenadora da UGBio é uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicada em 2020, que demonstrou a capacidade de “sequestro” do CO2 pela Caatinga – mesmo em períodos de estiagem severa.
Os estudos liderados pelo professor revelaram que o bioma sequestra cerca de três toneladas de carbono por hectare em média, o que o coloca como a floresta mais eficiente no uso de carbono em comparação com os demais tipos de florestas mundialmente estudadas até agora.
Em alguns anos, a contribuição da Caatinga para o sequestro líquido de CO2 no Brasil pode chegar a 50% do total nacional.
A coordenadora da UGBio ressaltou que, ao criar o Revis Serra das Araras, o governo estadual está “fortalecendo as estratégias de proteção da Caatinga”, que, apesar de ser o único bioma genuinamente brasileiro, é o menos protegido.
“Existem 35 Unidades de Conservação no Rio Grande do Norte. Dessas 35, 11 são estaduais e estão totalmente ou quase totalmente em área de Caatinga. Então, nós temos menos de 1% do bioma protegido. Por isso, fortalecer a proteção da Caatinga, como está fazendo o governo da professora Fátima Bezerra, é importantíssimo nesse contexto de emergência climática que estamos vivendo”, defendeu.
Iracy lembrou, ainda, a importância da nova unidade de conservação estadual para a preservação de nascentes, riachos, cachoeiras e áreas de captação de água para a bacia do Rio Potengi.
“O Rio Potengi nasce ali em Cerro Corá. Então, nós temos os rios tributários, que alimentam o rio principal, que dá nome ao Rio Grande do Norte. A Revis Serra das Araras, além de tudo, também protegerá nosso Rio Potengi”.
Fonte: saibamais.jor.br